Matheus Vargas transforma história da família em música no projeto DNA
Redação Online
Publicado em 18 de setembro de 2026 às 17:24 | Atualizado há 50 minutos
Leonardo participa das gravações do novo projeto do filho Matheus Vargas - créditos: reprodução Instagram
Gravado na Fazenda Talismã, em Goiás, projeto reúne Leonardo, Pedro Leonardo e outros convidados e marca uma nova fase na carreira do cantor
Por: Meyrithania Michelly
O que começou como o desejo de gravar um projeto ao ar livre na Fazenda Talismã, em Goiás, ganhou um significado maior para Matheus Vargas. Filho do cantor Leonardo, o artista transformou o cenário onde passou parte da infância em palco para o projeto audiovisual “DNA”, que reúne música, histórias familiares e participações de nomes que fazem parte de sua trajetória.
A primeira parte do projeto foi lançada recentemente nas plataformas digitais e no YouTube. Em entrevista exclisiva para o Diário da Manhã Mateus conta que entre os destaques está a faixa “DNA”, composta por Matheus Vargas, Léo Rocatto e Vinny Peres, que reúne pela primeira vez Matheus e Leonardo em um projeto do filho. O trabalho também conta com a participação de Pedro Leonardo, em uma nova versão de “Toque de Mágica”, sucesso da antiga dupla Pedro & Thiago.
Para Matheus, o nome escolhido para o projeto vai além da relação genética com a família. A Fazenda Talismã, cenário das gravações, também faz parte dessa história.
“A ideia do projeto nasceu antes de ter o nome, antes das participações e antes de ter um repertório. Eu sempre fui muito a favor de projetos ao ar livre, principalmente aqui em Goiás, que tem um pôr do sol único. E lá na Fazenda Talismã tem um visual incrível. Desde o meu primeiro projeto, eu falei que ia gravar alguma coisa lá”, conta.
A participação de Leonardo era um pedido antigo do público. Matheus afirma que a decisão de reunir o pai e os irmãos surgiu quando percebeu que aquele era o momento adequado para levar a história da família para dentro do projeto.
“A galera já me cobrava a participação do meu pai desde o meu primeiro projeto e eu pensei: agora é o melhor momento de chamar meu pai, Pedro Leonardo e o Zé Felipe. E assim foi nascendo o projeto DNA”, afirma.
Família como parte da trajetória
A escolha dos integrantes também está ligada à convivência familiar. Matheus passou parte da infância na Fazenda Talismã e considera que a presença dos familiares no projeto era uma consequência natural da proposta.
“Está literalmente no DNA este projeto. Foi lá que passei boa parte da minha infância, junto com a minha família, e faz todo sentido eles participarem também do projeto”, diz.
Além de Leonardo e Pedro Leonardo, o trabalho reúne outros artistas. Entre eles estão Murilo Huff e a dupla Us Agroboy. O projeto ainda prevê participações de Zé Felipe e outras músicas que ampliam a mistura de referências do cantor.
Carregar o sobrenome de Leonardo, segundo Matheus, representa ao mesmo tempo herança e responsabilidade. Para ele, a maior herança deixada pelo pai não está apenas nos números construídos na carreira, mas na maneira como Leonardo se relaciona com as pessoas.
“Acho que os dois. Se pensarmos numa herança material que a pessoa recebe, é muita responsabilidade. E quando a gente fala em genética e em carregar uma herança dessa, acho que a responsabilidade é ainda maior”, afirma.
Matheus também destaca a forma como o pai construiu relações ao longo da carreira.
“Não é só pela carreira do meu pai em números. Eu falo na questão da qualidade dos parceiros que ele teve durante a vida. Todo lugar que eu passo, onde vou fazer os shows, eu sou muito bem tratado. E eu falo que não é só porque sou filho de um cantor muito conhecido, mas pelo coração que ele tem com as pessoas, pelo jeito que conversa com a galera. Não tem herança maior que isso”, diz.
Repertório reúne diferentes referências
O repertório de “DNA” foi construído gradualmente e reúne diferentes caminhos dentro da música sertaneja. Matheus explica que cada faixa foi pensada a partir de uma história e que o projeto dialoga com ritmos latinos.
“Para-Raio”, por exemplo, recebeu elementos que remetem à música mexicana e ao chamado modão. Já “DNA” apresenta uma proposta mais dançante, com referências à salsa e ao sertanejo.
“A Moral dos Sonhos”, que será lançada posteriormente com Zé Felipe, segue outra direção. Segundo Matheus, a música tem uma sonoridade mais romântica e está prevista para outubro.
O projeto também inclui “Enfrenta”, faixa que aborda a saudade em uma linguagem mais direta e conta com a participação de Murilo Huff.
“Tem uma mistura boa aí de ritmos. ‘A Moral dos Sonhos’ já é mais romântica, com uma sonoridade muito romântica. Acho que a galera vai gostar muito. E ainda tem ‘Enfrenta’, que é aquela música bem dedo na cara, que fala de uma pessoa que sente saudade. E o Murilo encaixou muito bem nessa música, caiu como uma luva”, explica.
Pedro Leonardo e a memória de Pedro & Thiago
Entre os momentos de maior significado para Matheus está a gravação de “Toque de Mágica” com Pedro Leonardo. A música ficou conhecida na década de 2000 na voz da dupla Pedro & Thiago, formada por seu irmão e pelo primo Thiago.
Na nova versão, Matheus entra na música depois de Pedro, preservando a estrutura que marcou a gravação original.
“É a única em que eu participo, pois é a única música que ele começa cantando e eu entro depois. Isso respeitando ao máximo a história de Pedro e Thiago”, explica.
A escolha reforça uma das características centrais de “DNA”: revisitar histórias da família sem deixar de apresentar o trabalho de Matheus sob sua própria identidade artística.
O projeto marca uma etapa importante para o cantor, que iniciou a carreira solo em 2018 e vem construindo sua trajetória dentro do sertanejo. Agora, ao reunir diferentes gerações da família em um mesmo trabalho, Matheus transforma memórias pessoais em parte de sua produção musical.
Para ele, o projeto representa justamente essa combinação entre origem e continuidade. O passado da família aparece nas músicas, enquanto o cantor busca construir seu próprio caminho dentro da nova geração do sertanejo.