Goiás chega ao clássico com protesto por salários atrasados diante do Atlético-GO
Léo Carvalho
Publicado em 21 de setembro de 2026 às 15:26 | Atualizado há 5 minutos
Jogadores do Goiás divulgaram carta aberta após o protesto contra os atrasos salariais e de direitos de imagem | Foto: Rosiron Rodrigues
O clássico goiano entre Goiás e Atlético-GO coloca em campo duas equipes que chegam à 30ª rodada da Série B em posições diferentes na tabela, mas com objetivos diretamente ligados à reta final da competição. A partida será disputada neste sábado (26), às 18h30, no Estádio Hailé Pinheiro, com o Esmeraldino tentando diminuir a distância para o Dragão, que atualmente ocupa a última posição de entrada no G-6.
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Após 29 partidas, o Atlético-GO aparece em sexto lugar, com 46 pontos. O Rubro-Negro tem a mesma pontuação do Criciúma, que está em quinto, mas leva vantagem nos critérios da classificação. A equipe atleticana soma 12 vitórias, dez empates e sete derrotas, com 36 gols marcados e 27 sofridos.
O Goiás está quatro pontos atrás. O time esmeraldino é o décimo colocado, com 42 pontos, resultado de 12 vitórias, seis empates e 11 derrotas. A equipe marcou 30 gols e sofreu 35 ao longo da competição.
A diferença na classificação torna o confronto especialmente relevante para os dois clubes. Uma vitória do Verdão faria o time chegar aos 45 pontos e reduziria a distância para o Atlético-GO para apenas um ponto, enquanto um triunfo Rubro-Negro aumentaria a segurança na disputa por uma das vagas nos playoffs de acesso e daria também mais vantagem na briga para se aproximar do G-2. Uma vitória seria importante para ambos os lados justamente no momento em que a competição entra em sua fase decisiva.
O cenário recente também é diferente. O Goiás chega ao clássico depois de vencer o Avaí por 2 a 1, em Goiânia. O resultado foi o segundo triunfo consecutivo do Esmeraldino, que também havia derrotado o Botafogo-SP na rodada anterior.
O Atlético-GO, por sua vez, vem de derrota por 1 a 0 para o São Bernardo, fora de casa. O resultado encerrou uma sequência positiva do Dragão e manteve a equipe com 46 pontos antes do clássico estadual.
Goiás tem problema financeiro antes do clássico
Além da disputa pela tabela, o Goiás chega ao clássico envolvido em uma situação interna que ganhou repercussão após a partida contra o Avaí.
Depois da vitória, os jogadores do elenco decidiram não conceder entrevistas. O técnico Mozart também não participou da coletiva. A decisão ocorreu como forma de protesto diante das pendências financeiras do clube. Os atletas têm dois meses de salários em atraso e outros dois meses referentes aos direitos de imagem. A situação levou o grupo a adotar uma posição conjunta antes do clássico contra o Atlético-GO.
Mozart apoiou a decisão dos jogadores e também deixou de falar com a imprensa. Com isso, não houve a tradicional entrevista coletiva do treinador nem entrevistas dos atletas na zona mista após o confronto com o Avaí.
Nesta segunda-feira (21), os jogadores divulgaram uma carta aberta (veja ao final a íntegra do comunicado) para explicar a decisão. Entre os nomes que assinam o documento estão Tadeu, Lucas Rodrigues, Kadu Sousa e Jean Carlos. No texto, os atletas afirmam que o silêncio foi uma forma de tornar pública uma situação que vinha sendo tratada internamente e citam atrasos envolvendo salários, direitos de imagem e premiações.
Os jogadores também afirmam que havia uma expectativa de regularização dos valores após promessas de pagamento feitas pelo clube. Segundo a carta, os atletas decidiram se manifestar não apenas em defesa dos próprios direitos, mas também dos funcionários do Goiás que enfrentam atrasos salariais.
Na manifestação, o elenco reforça que pretende continuar trabalhando e disputando as partidas normalmente. Os jogadores afirmam ainda que o objetivo do protesto não é criar conflito com o clube ou com a torcida, mas buscar uma solução para as pendências financeiras.
O protesto ocorre justamente na semana do clássico, em um momento em que o Verdão busca se aproximar da parte de cima da classificação. A equipe começa a 30ª rodada quatro pontos atrás do Dragão e três pontos atrás do CRB, que aparece na sétima colocação, com 45 pontos.
Vale ressaltar que o Cuiabá joga nesta segunda-feira (21), às 21h30, contra o Náutico. Em caso de vitória, o Dourado, que ocupa atualmente a 13ª colocação, com 40 pontos, pode ultrapassar o Esmeraldino, que tem 42, e aumentar a distância do time goiano para o G-6.

Atlético-GO defende lugar no G-6
Do outro lado, o Atlético-GO entra em campo para defender a sexta posição. O Dragão tem 46 pontos e está um ponto à frente do CRB e dois atrás do Criciúma.
A parte de cima da tabela está bastante equilibrada. Vila Nova e Fortaleza dividem a liderança, com 51 pontos, enquanto Novorizontino e Juventude aparecem logo atrás, com 50. Criciúma tem 47, Atlético-GO soma 46 e o CRB tem 45.
Nesse cenário, o clássico pode provocar mudanças importantes na classificação, principalmente porque Goiás e Atlético-GO estão separados por apenas quatro pontos.
Wilton Pereira Sampaio apita o clássico
A CBF escalou o árbitro goiano e integrante do quadro da Fifa Wilton Pereira Sampaio para comandar o confronto entre Goiás e Atlético-GO. A partida terá outros dois profissionais goianos na equipe de arbitragem: Bruno Raphael Pires e Leone Carvalho Rocha.
A arbitragem de vídeo será formada por profissionais do Rio de Janeiro. Paulo Renato Moreira da Silva Coelho será o responsável pelo VAR, com Diogo Carvalho Silva como AVAR e Péricles Bassols Pegado Cortez como observador de VAR.
O clássico será disputado às 18h30 deste sábado (26), no Estádio Hailé Pinheiro, pela 30ª rodada da Série B.

Carta aberta na íntegra dos atletas do Goiás
“Ao torcedor esmeraldino,
O que aconteceu ao final da partida contra o Avaí não foi uma decisão fácil. Pelo contrário. Para nós, jogadores, o silêncio diante da imprensa foi uma forma de expressar algo que há algum tempo estamos tentando resolver internamente, com diálogo, respeito e confiança.
Entramos em campo, treinamos e trabalhamos todos os dias honrando uma camisa que representa milhões de pessoas. E seguimos fazendo isso mesmo diante de uma realidade que tem sido difícil para todos nós.
Existem vencimentos em atraso, incluindo valores referentes a CLT, direitos de imagem e premiações. Semana após semana, convivemos com promessas de regularização e com a expectativa de que os compromissos assumidos sejam cumpridos.
Ainda assim, em nenhum momento deixamos de trabalhar.
Treinamos. Jogamos. Viajamos. Nos entregamos em cada partida. Vencemos jogos. Lutamos pelo Goiás dentro de campo. Fizemos o que sempre nos foi pedido: honrar a camisa e representar o clube da melhor maneira possível.
E continuaremos fazendo.
Nosso posicionamento não é uma atitude contra o Goiás Esporte Clube. Muito menos contra o torcedor, que sempre esteve ao nosso lado e que merece todo o nosso respeito. É justamente por respeitarmos o clube, a instituição e quem trabalha por ela que entendemos ser necessário tornar pública uma situação que já não pode ser tratada apenas nos bastidores.
E existe uma razão ainda maior para este movimento. Não estamos falando apenas por nós.
Estamos falando também pelos funcionários do Goiás, especialmente aqueles que recebem os menores salários e que enfrentam dificuldades ainda maiores quando seus vencimentos não são pagos em dia.
São profissionais que chegam cedo, trabalham diariamente, cuidam da estrutura do clube, dos campos, da limpeza, da alimentação, da segurança, do atendimento e de tantas outras funções fundamentais para que o futebol aconteça.
São pessoas que, assim como nós, têm famílias, contas para pagar e responsabilidades que não podem esperar. Por isso, nosso silêncio ontem também foi por eles.
Sabemos da responsabilidade que carregamos quando vestimos esta camisa. Sabemos que o torcedor não tem culpa dos problemas internos do clube e que, dentro de campo, espera de nós entrega, dedicação e resultado.
E é exatamente isso que temos procurado entregar. Mas também somos trabalhadores. Temos compromissos, famílias e direitos. O que pedimos é simples: que os compromissos assumidos sejam cumpridos e que todos aqueles que trabalham pelo Goiás sejam tratados com respeito e dignidade.
Nossa intenção não é criar conflitos. É buscar uma solução.
Queremos que o Goiás esteja forte, organizado e unido. Queremos voltar nossas atenções exclusivamente para o futebol, para os treinamentos, para os jogos e para o objetivo que todos compartilhamos: ver o Goiás onde ele merece estar.
Seguiremos entrando em campo com a mesma dedicação. Seguiremos honrando a camisa. Mas entendemos que honrar a camisa também é ter coragem para defender aqueles que fazem parte dela todos os dias.
Pelo Goiás. Pelos atletas. Pelos funcionários. Pelas nossas famílias. E, acima de tudo, pelo respeito a todos que trabalham e lutam diariamente por este clube.”
Atletas do Goiás Esporte Clube