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Vera Fischer Era Clubber deseja explodir caretice em novo disco

Redação Online

Publicado em 21 de setembro de 2026 às 21:09 | Atualizado há 23 minutos

Quarteto de Niterói (RJ produz pérolas desconcertantes em álbum | Foto: Filipe Braga e Hugo Teixeira
Quarteto de Niterói (RJ produz pérolas desconcertantes em álbum | Foto: Filipe Braga e Hugo Teixeira

Marcus Vinícius Beck

Depois do Bananada, realizado em agosto, o grupo Vera Fischer Era Clubber bota pra rodar seu segundo disco. Intitulado “Veras II”, o quarteto quer que a porra toda se exploda, como afirma a vocalista Crystal Duarte em “Quero Que Se Foda”, a primeira faixa do novo álbum.

“Quero que se abra. Quero que se exploda. Quero que se foda”, diz Crystal. Sua voz, um tanto sexy-louca, molhada no coquetel quente do desejo e da diversão, libera a poesia. É a noite. “Mesmo ela engolindo tudo, tem a promessa do absurdo”, entoa, agora em “Feitiço”.

É a cidade de que gostamos, a vida depois do expediente, com as pessoas que não projetam a virtude em seus currículos. Preferem beber e fumar. Porque, no final, a verdade é esta aqui: é preciso que a luz dos escritórios se apague. Só assim a diversão expulsará o bom mocismo.

Antes, porém, entendamos o nome do grupo fundado em Niterói (RJ). Vera Fischer, atriz bronzeada e gataça, eterna Helena pelas mãos do novelista Manoel Carlos, virou coisa séria — um símbolo nacional. A diva loira tingiu o imaginário sexual brasileiro. Já o complemento Era Clubber, urbano e descaretado, mostra nada menos do que o lado escuro.

No ano passado, em entrevista à Veja, o repórter Humberto Abdo perguntou se Vera Fischer sabia que seu nome havia batizado uma banda. A atriz respondeu: “Soube disso há dois meses.” O grupo tocara no teatro do ator Leonardo Franco, com quem ela contracenava na época. “Um dia eu vou [no show], é que agora estou sem tempo, viajando a semana toda.”

Formação

O quarteto é formado por Pek0 (bateria), Malu (baixo) e Vickluz (teclados), além de Crystal (voz). Quando lançou “Veras I”, em 2025, o grupo transformou-se na nova sensação da cena alternativa e foi hit em inferninhos descolados. As letras elencavam as beldades pop-loucas, como Paris Hilton, Lindsay Lohan, Vera Fischer, Britney Spears, Madonna e Courtney Love.

Ou seja, não há como evitar o transe — essa é a verdade. Perto da ressaca, a noite oferece aquele amor de anjo, aquele amor de puta, como as Veras dizem na terceira canção do novo disco. “Sou a arma de sexo romântica. Um pedaço de carne, nascido cheio de esperança”, vocaliza Crystal. O grupo tira de letra os grilos, as más vibrações — “É o Pico, É o Ápice”.

À Noize, em agosto de 2025, Pek0 definiu a noite como uma “metamorfose, ou pelo menos deveria ser”. Segundo a artista, cabe às pessoas estar abertas a encontrar propostas de novas sonoridades, tanto para buscar quanto para consumir, tal como ela enfatizou na entrevista.

Com atitude roqueira, punk-rock mesmo, a música delas soa dançante. As Veras, como a musa loira no filme “Amor Estranho Amor”, partem para os orgasmos simultâneos. O som melhora, vai de encontro às caretices, complexos existenciais da nossa hipócrita sociedade. Seria demais pra carolice do Brasil? Para o crítico Carlos Eduardo Lima, a resposta é assim.

Quarteto destila deboche e lirismo marginal em disco

Vera Fischer Era Clubber: promessa do underground brasileiro | Foto:  Filipe Braga e Hugo Teixeira

No site “Célula Pop”, Eduardo Lima avisa: “As Veras estão a ponto de revelar uma estrela para a música brasileira contemporânea, a vocalista Crystal Duarte”. Não está botando fé? “Então”, diz, “vamos dissecar ‘Veras II’, o segundo álbum dessa galera”. E aí, amigo, bóra?

Sigamos, então. A próxima música, “Buceta Gay”, explicita o palavrório debochado das niteroienses. Na noite, entre luz e sonho, todo mundo possui a mesma idade — que é idade nenhuma. Crystal, depois de mandar essa, ainda repete o título por nove vezes, até que, em alta temperatura, ela se dá por satisfeita e nos pede: livre-se dos demônios. Tá bem, tá bem.

O especialista Eduardo Lima toma a palavra para si novamente. Tá bom, vai que é tua, meu amigo: “Fausto Fawcett. Cansei de Ser Sexy. Rogério Skylab. Akira S e as Garotas que Erraram. Noporn. Latexxx. Vá lá, Letrux do início.” As Veras, ai que delícia!, curtem isso aí. O autor classifica o grupo como uma das boas surpresas do underground nos últimos anos.

Daí que, em meio a “Grito, Dano e Possessão”, pós-punk total, este jornalista se volta a uma entrevista de Crystal Duarte à “Billboard”, publicada em maio. Ela fala sobre o disco, a velha “dor de crescimento”. Não veja o Rio de Janeiro, veja um outro lugar, aconselha Crystal.

Último cigarro

No acervo de desejo, use as mãos. “Pra onde essas estradas estão me levando, em prantos?”, pergunta-se a vocalista, em “Grito, Dano e Possessão”. “Eu vou caminhando, uma heroína de filme de terror”, descreve, evocando o último cigarro e o que diz ser o começo do vício.

As Veras, como um “Vesúvio”, sentem muito, sentem tudo e sentem pouco. “Chic Chic”, a penúltima faixa de “Veras II”, traz um verso desconcertante: “Me xinga no contexto certo.” A última canção, “Calcinha Gozada”, fecha com uma pérola electroclash, pós-punk e dark.

O prazer acaba — como o uísque. Poucas horas depois, o sol persegue os beberrões crônicos e maltrata a retina desse indivíduo entorpecido de beijos e biritas. O infeliz, rogando a Baco, suplica pelo justo descanso dos malucos. A noite, então, converte-se em névoa na memória.


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