Médico vira réu após falhas em intubação que precede morte de paciente em UPA de Caldas Novas
Redação Online
Publicado em 22 de setembro de 2026 às 15:47 | Atualizado há 34 minutos
Médico vira réu após MPGO apontar falhas em intubação que precede morte de paciente em UPA de Caldas Novas | Foto: Reprodução
Francisco Guilherme da Costa Silva, de 24 anos, morreu após complicações respiratórias durante atendimento na UPA de Caldas Novas, em fevereiro de 2025. O médico responsável pelo procedimento tornou-se réu por homicídio culposo após denúncia do Ministério Público de Goiás (MPGO), que apontou falhas na intubação e pediu indenização mínima de R$ 200 mil à família.
Francisco tinha asma desde a infância e fazia uso diário de salbutamol. Após apresentar uma crise respiratória, ele foi levado pela mãe à unidade no dia 15 de fevereiro de 2025. Na triagem, o paciente recebeu classificação de “urgência menor” e aguardou cerca de uma hora e 40 minutos até apresentar piora.
Após a evolução do quadro, Francisco foi levado à sala vermelha e recebeu medidas para auxiliar a respiração, além de medicamentos e dispositivos de suporte. O médico, que fazia seu primeiro plantão na unidade, realizou a intubação orotraqueal na segunda tentativa. Segundo o MPGO, o tubo ficou fora da traqueia e dobrado próximo à epiglote, o que fez o ar seguir para o abdômen.
Uma médica do Samu assumiu o atendimento e identificou o posicionamento inadequado do tubo. Francisco sofreu lesões pulmonares associadas à ventilação mecânica sob pressão elevada, além de pneumotórax hipertensivo, hemotórax e enfisema subcutâneo no pescoço, tórax e mediastino.
Francisco sofreu uma parada cardiorrespiratória em atividade elétrica sem pulso. A equipe iniciou manobras de reanimação, aplicou adrenalina e realizou drenagem dos dois lados do tórax após identificar o pneumotórax. O tubo foi substituído, mas o paciente morreu durante o atendimento.
O laudo do Instituto Médico-Legal encontrou lesões nos pulmões, sangue na cavidade torácica e ar nos tecidos. Para a perícia, as complicações respiratórias agudas provocadas pelo barotrauma durante a ventilação mecânica invasiva tiveram relação com a morte.
A análise do atendimento também apontou ausência de informações consideradas relevantes, como exame físico, ausculta cardiopulmonar, frequência respiratória e evolução clínica. A perícia ainda indicou falta de gasometria arterial após a oferta de oxigênio e de registros sobre sinais de fadiga extrema.
Antes da denúncia, o MPGO ofereceu ao médico um Acordo de Não Persecução Penal e a suspensão condicional do processo. Ele recusou as duas alternativas. Com o avanço da ação, a promotoria pediu aplicação das penas previstas para homicídio culposo e indenização mínima de R$ 200 mil à família. A Justiça de Goiás ficará responsável pela análise das provas e pela decisão sobre a responsabilidade do acusado.