Perito oficial do caso Maradona cita Covid como possível causa da morte
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 23 de setembro de 2026 às 09:02 | Atualizado há 2 horas
Diego Maradona morreu em novembro de 2020, aos 60 anos, durante a recuperação de uma cirurgia cerebral | Foto: Alexey Gotovskyi – CNA
A possibilidade de Diego Maradona ter morrido em decorrência da Covid-19 voltou a ser mencionada durante o julgamento que investiga a morte do ex-jogador. A hipótese foi apresentada n última terça-feira (22) pelo perito oficial Pablo Ferrari, durante depoimento no Tribunal Oral Criminal nº 7 de San Isidro, na Argentina.
Ferrari, que integra a Assessoria Pericial de San Isidro, afirmou que não é possível eliminar completamente a relação entre a doença e a morte do ídolo argentino. Maradona morreu em 25 de novembro de 2020, durante a pandemia de coronavírus.
Além da possibilidade de Covid, o perito afirmou que o ex-jogador sofreu um quadro cardíaco repentino. Na avaliação apresentada ao tribunal, Maradona teve um infarto, seguido por uma arritmia e por um edema agudo de pulmão, condição que teria provocado seu sufocamento.
“Não podemos descartar que não tenha morrido de Covid. O falecimento de Maradona foi em plena pandemia”, declarou Ferrari.
O especialista também colocou em dúvida a versão de que Maradona teria passado cerca de 12 horas em agonia antes de morrer. Para ele, o edema pulmonar teria se desenvolvido rapidamente, o que tornaria pouco provável um período tão prolongado de sofrimento.
Ferrari explicou que, em termos médicos, a fase agônica corresponde aos momentos finais da vida e pode durar de alguns minutos a poucas horas. Por isso, ele não considera possível afirmar, com base acadêmica, que Maradona tenha permanecido por muitas horas nessa condição.
“É difícil pensar que uma pessoa com edema agudo de pulmão ficou horas se sufocando. Esse período foi curto. Não posso sustentar academicamente que tenha tido longas horas de agonia. Foi súbito”, afirmou.
Depoimento diverge de outras conclusões do caso
A interpretação apresentada por Ferrari não coincide com a conclusão defendida pela junta médica formada por 20 profissionais nem com a linha adotada pela acusação. Essas versões apontam que Maradona teria permanecido em agonia durante aproximadamente 12 horas antes da morte.
Durante o depoimento, entretanto, o próprio perito reconheceu uma limitação na análise do histórico médico do ex-jogador. Ferrari afirmou que não conseguiu ler todo o relatório de Maradona porque parte do documento estava ilegível, principalmente por conter anotações feitas à mão.
Ainda segundo o especialista, a situação clínica do ex-jogador não indicava, inicialmente, uma necessidade de atendimento de emergência. Ele mencionou uma piora considerada leve entre 2018 e 2019 e alterações mais importantes identificadas em 2020.
Com a participação de Ferrari, o julgamento alcançou o 74º depoimento ao longo de 44 audiências. A expectativa é que os sete acusados possam voltar a falar perante o tribunal a partir de 29 de setembro.
A acusação deverá apresentar suas alegações finais entre 8 e 14 de outubro. Já os advogados de defesa terão entre os dias 20 e 22 do mesmo mês para expor seus argumentos.
Sete profissionais respondem pela morte
O processo considera a morte de Maradona como homicídio culposo, quando não há intenção de provocar a morte. Estão sendo julgados sete profissionais que integravam a equipe responsável pelos cuidados do ex-jogador: o psicólogo Carlos Díaz, a psiquiatra Agustina Cosachov, o neurocirurgião Leopoldo Luque, a coordenadora médica Nancy Forlini, o coordenador de enfermagem Mariano Perroni, o médico Pedro Pablo Di Spagna e o enfermeiro Ricardo Almiro.
Um parecer da Promotoria-Geral de San Isidro aponta que Maradona apresentava sinais de agonia e que não teria recebido acompanhamento adequado nas horas anteriores à morte. Se forem condenados, os acusados poderão receber penas de oito a 25 anos de prisão.
Maradona estava se recuperando de uma cirurgia no cérebro feita para retirar um coágulo quando morreu. Exames realizados posteriormente apontaram um infarto como causa da morte.
O julgamento atual é resultado da retomada do caso depois que a primeira tentativa foi anulada, em maio de 2025. A decisão ocorreu após a participação da juíza Julieta Makintach em um documentário sobre o caso ser questionada enquanto ela ainda fazia parte do tribunal responsável pelo processo.
De acordo com a corte, a magistrada participou das gravações enquanto integrava o júri. Ela passou a responder a outras acusações relacionadas ao episódio. Além dela, outros dois magistrados que participavam do julgamento deixaram os cargos.
A promotoria também acusou Makintach de ter facilitado a entrada de câmeras nos locais onde ocorriam as audiências, apesar da proibição de filmagens dentro do tribunal. A situação levou à anulação do primeiro processo e à realização de um novo julgamento.