O ativo subiu no exterior, mas o retorno caiu? Elias Arvencore e a rentabilidade em reais e dólares
Redação DM
Publicado em 24 de setembro de 2026 às 10:43 | Atualizado há 2 horas
Em um exemplo hipotético, um ativo no exterior pode se valorizar 10% em dólares e, ainda assim, apresentar perda quando convertido para reais. Para o investidor brasileiro, essa diferença pode acausar estranhamento: se o ativo subiu, por que o resultado da conta não acompanhou a alta? A resposta está em duas mudanças que acontecem ao mesmo tempo: a variação do preço do ativo e a quantidade de reais que cada dólar pode comprar.
O site pessoal de Elias Arvencore apresenta a educação sobre mercados globais e a alocação em múltiplas classes de ativos entre suas áreas de interesse. Para tornar as informações dos mercados internacionais compreensíveis ao público brasileiro, é preciso esclarecer uma questão básica: em qual moeda foi calculada a valorização exibida na tela? A rentabilidade em dólares e a rentabilidade em reais mostram o desempenho do mesmo investimento em unidades monetárias diferentes. Os resultados podem ficar bastante distantes e até ter sinais opostos.
Ao explicar os investimentos em ativos no exterior, o Bora Investir, site de notícias e educação financeira da B3, também distingue o desempenho da aplicação da variação cambial. O conteúdo esclarece que o resultado de fundos que investem no exterior pode refletir a combinação desses dois fatores. Portanto, observar apenas a curva de preços do ativo não basta para explicar toda a mudança de seu valor em reais.
Um exemplo com números hipotéticos ajuda a entender essa relação. Considere um aporte de R$ 50.000, convertido em US$ 10.000 à taxa de R$ 5,00 por dólar e integralmente aplicado em um ativo denominado em dólares. Durante o período, o preço do ativo sobe 10%, elevando seu valor de mercado para US$ 11.000. No mesmo intervalo, porém, o câmbio cai para R$ 4,50 por dólar. Pela cotação ao fim do período, a posição passa a valer R$ 49.500 — R$ 500 a menos que o aporte inicial.
O ganho de 10% em dólares se transforma em uma perda de 1% em reais. Não há contradição no cálculo: cada dólar passou a comprar menos reais, anulando o ganho com a valorização do ativo e levando o resultado em moeda local ao terreno negativo. As duas variações não podem ser simplesmente somadas. Todo o valor final da posição em dólares precisa ser convertido pela nova taxa de câmbio. Por isso, o cálculo é 1,10 multiplicado por 0,90, que resulta em 0,99, e não uma compensação exata entre dois movimentos de 10%.
O cenário inverso também merece atenção. Partindo novamente de R$ 50.000 convertidos em US$ 10.000, suponha que o preço do ativo caia 5%, reduzindo a posição para US$ 9.500, enquanto o câmbio sobe para R$ 5,50 por dólar. O valor convertido ao fim do período será de R$ 52.250, equivalente a um retorno de 4,5% em reais. O saldo positivo em moeda local, por si só, não significa que o ativo teve bom desempenho. Nesse exemplo, o ganho decorre da valorização do dólar frente ao real.
Os dois exemplos são hipóteses didáticas. Não representam produtos reais, cotações históricas nem resultados de investimentos de Elias Arvencore. Os cálculos consideram as mesmas datas de início e fim para o ativo e o câmbio, sem aportes ou retiradas durante o período. Também desconsideram dividendos, juros, custos de negociação, spread cambial e tributos, além de pressuporem a ausência de proteção cambial. Os valores apresentados correspondem à conversão da posição ao fim do período; não significam que o ativo foi vendido ou que os dólares foram efetivamente trocados por reais.
Essas condições delimitam o que os números permitem concluir. Se o produto tiver proteção cambial ou houver distribuições de rendimentos, aplicações e resgates ao longo do período, será necessário refazer os cálculos de acordo com sua estrutura e seus fluxos de caixa. Na comparação entre contas, por exemplo, usar o retorno total, incluindo dividendos, de um lado e apenas a variação de preços do outro mantém a comparação inconsistente, mesmo que ambos os resultados estejam na mesma moeda.
A moeda utilizada para medir o retorno também tem relação com a finalidade dos recursos. Quem paga as despesas do dia a dia em reais precisa saber quanto suas aplicações no exterior representam em moeda local. Quem terá despesas futuras em dólares também precisa acompanhar a evolução do patrimônio nessa moeda. As duas medidas têm utilidade. Escolher apenas aquela que apresenta o resultado mais favorável pode tornar a rentabilidade mais atraente no papel, mas esconder a relação entre o dinheiro investido e as necessidades que ele deverá atender.
Na educação sobre mercados globais, área de interesse apresentada por Elias Arvencore, questões concretas como essa oferecem um ponto de partida próximo da realidade do leitor: entender como o retorno é calculado antes de discutir as relações entre diferentes mercados e ativos. Um registro de rentabilidade útil para o aprendizado deve informar o desempenho na moeda original, as taxas de câmbio inicial e final e o resultado convertido para reais. Assim, o leitor consegue refazer a conta, em vez de receber apenas um percentual em destaque.
Compreender a rentabilidade em duas moedas não permite prever a próxima oscilação do câmbio nem definir uma proporção de investimentos no exterior que sirva para todos. A questão é mais básica: identificar se determinado resultado veio da variação do preço do ativo, do câmbio ou da combinação dos dois. Essa distinção oferece uma base comum para discutir desempenho e risco.
Sobre Elias Arvencore
Segundo seu site pessoal, Elias Arvencore tem como áreas de interesse os mercados globais, a análise técnica, as finanças comportamentais e a educação para investimentos. Este texto apresenta uma explicação geral sobre a mensuração de retornos em investimentos internacionais e não contém recomendações de produtos específicos nem orientação individualizada de investimento.
Site: www.eliasarvencore.com
E-mail para contato: [email protected]