Esportes

Corinthians, Palmeiras e São Paulo adotam cautela após MP que proíbe bets

Léo Carvalho

Publicado em 28 de setembro de 2026 às 08:47 | Atualizado há 1 hora

Corinthians, Palmeiras e São Paulo aguardam próximos passos da MP que proíbe apostas esportivas e a publicidade das bets no Brasil | Foto: Reprodução
Corinthians, Palmeiras e São Paulo aguardam próximos passos da MP que proíbe apostas esportivas e a publicidade das bets no Brasil | Foto: Reprodução

Corinthians, Palmeiras e São Paulo ainda não tomaram decisões definitivas sobre os contratos de patrocínio com empresas de apostas após a publicação da Medida Provisória 1.394/2026, que proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no Brasil. A MP foi publicada na sexta-feira (25) e passou a produzir efeitos imediatamente.

Os três clubes têm acordos de longo prazo com empresas do setor e acompanham a tramitação da medida no Congresso Nacional. Para continuar em vigor de forma definitiva, a MP precisa ser analisada pelos parlamentares dentro do prazo constitucional.

A norma também estabeleceu um cronograma para a retirada da publicidade. Materiais publicitários e de patrocínio devem ser retirados voluntariamente até as 23h59 de 5 de outubro. A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos de apostas deverão sair do ar.

O Corinthians mantém o contrato com a Esportes da Sorte, renovado neste ano e válido até dezembro de 2029. O acordo prevê R$ 150 milhões por temporada, com possibilidade de chegar a R$ 200 milhões mediante o cumprimento de metas. Para 2026, o valor fixo previsto é de R$ 160 milhões.

A empresa já havia sinalizado ao clube a possibilidade de utilizar uma cláusula contratual relacionada à proibição das apostas. Até o momento, porém, não houve uma comunicação oficial de suspensão do patrocínio.

O Corinthians acompanha a tramitação da MP e aguarda uma definição da patrocinadora antes de estabelecer uma estratégia definitiva. A discussão ganhou peso diante da importância do contrato para o planejamento financeiro do clube.

O Palmeiras também decidiu esperar os próximos movimentos antes de definir o futuro da parceria com a Sportingbet.

O acordo prevê R$ 100 milhões fixos por temporada e pode alcançar R$ 170 milhões com o cumprimento de metas. O clube considera que o contrato continua válido neste momento e acompanha a tramitação da medida no Congresso.

A direção palmeirense evita antecipar possíveis alternativas comerciais enquanto não houver uma definição sobre a MP e seus efeitos sobre os contratos de patrocínio.

O contrato do São Paulo com a Superbet também está sob análise. Renovada em abril de 2025, a parceria é válida até o fim de 2030 e permite o encerramento do acordo caso as apostas esportivas sejam proibidas no país, conforme informações apuradas pelo UOL.

O vínculo pode chegar a R$ 1 bilhão ao longo dos seis anos, considerando o cumprimento das metas previstas. Além do espaço principal da camisa, a parceria inclui o naming rights do centro de treinamento da Barra Funda, que passou a ser chamado de SuperCT.

Apesar da existência da cláusula, São Paulo e Superbet ainda não definiram como irão proceder diante da nova legislação.

A proibição atinge diretamente uma das principais fontes de receita comercial dos clubes brasileiros. Em 2025, as empresas de apostas responderam por cerca de R$ 1,03 bilhão dos R$ 3,069 bilhões arrecadados pelos 20 clubes da Série A em patrocínios, segundo levantamento citado no material.

Com a publicação da MP, clubes e patrocinadores passaram a acompanhar não apenas os efeitos imediatos da proibição, mas também a tramitação no Congresso e as possíveis mudanças no texto.

A MP 1.394/2026 está registrada no Congresso Nacional e, até a atualização mais recente da página oficial, ainda não havia tramitações registradas nas Casas legislativas.


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