Após polêmica, Flávio Bolsonaro agradece à CNBB e participa de podcast católico
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 29 de setembro de 2026 às 09:51 | Atualizado há 15 minutos
Flávio Bolsonaro participa de podcast voltado ao público católico na reta final do primeiro turno | Foto: Reprodução
Flávio Bolsonaro mudou o tom ao tratar da polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida na reta final do primeiro turno. Depois de criticar a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o candidato passou a destacar a nota divulgada pela entidade e incluiu compromissos voltados ao público católico em sua agenda.
Durante uma passagem pelo Mercado Municipal de São Paulo, Flávio agradeceu à CNBB pela manifestação em que a entidade negou envolvimento na divulgação de informações falsas relacionadas às eleições. O candidato afirmou que a nota ajudava a esclarecer que não pretende retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
Na mesma ocasião, ele recebeu de um apoiador uma imagem da santa e posou com a peça. Mais tarde, participou do SantoFlow, podcast voltado ao público católico. Durante a entrevista, voltou a negar qualquer intenção de alterar o título e comparou a repercussão do episódio a uma espécie de “facada” contra sua candidatura.
Como surgiu a polêmica
A associação entre Flávio e uma suposta tentativa de retirar o título de Nossa Senhora Aparecida começou a circular nas redes sociais na semana passada. As publicações recuperavam uma proposta apresentada em 2007 pelo então deputado federal Victorio Galli, que previa a retirada do título de Padroeira do Brasil.
O projeto foi arquivado no ano seguinte e não teve participação de Flávio Bolsonaro. Mesmo assim, conteúdos publicados nas redes passaram a relacionar a proposta ao candidato.
A campanha levou o caso à Justiça Eleitoral. O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a retirada de publicações que associavam Flávio ou integrantes de sua família à intenção de mudar o título da santa.
A disputa chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde houve decisões diferentes sobre a permanência de uma das publicações. O ministro Luiz Fux posteriormente restabeleceu a determinação para retirada dos conteúdos. A discussão ainda deverá ser analisada pelo plenário da Corte.
Antes disso, Flávio havia acusado integrantes da CNBB de estarem envolvidos na circulação da informação. A entidade negou a acusação e afirmou que não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação do conteúdo.
Estratégia na reta final
A polêmica passou a fazer parte da estratégia de campanha a poucos dias da votação. Flávio, que é evangélico, também começou a cumprir compromissos direcionados ao eleitorado católico, grupo que representa 56,7% dos brasileiros com 10 anos ou mais, segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Ao mesmo tempo, o candidato tem reforçado o pedido para que eleitores de outras candidaturas de direita que pretendem apoiá-lo em um eventual segundo turno votem nele já no primeiro.
A reta final da campanha está concentrada principalmente no Sudeste. Flávio tem compromissos previstos em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais antes da votação. A agenda pública deve ser reduzida nos últimos dias para a preparação para o debate da TV Globo.
O candidato votará no Rio de Janeiro e deverá acompanhar a apuração do primeiro turno em Brasília.