Política

Debate da TV Anhanguera tem embates sobre saúde, agro, economia e passado político em Goiás

Léo Carvalho

Publicado em 30 de setembro de 2026 às 08:21 | Atualizado há 19 minutos

A reta final da disputa pelo Governo de Goiás foi marcada pelo confronto entre os quatro principais candidatos durante o debate realizado pela TV Anhanguera na noite desta terça-feira (29). Daniel Vilela (MDB), Marconi Perillo (PSDB), Wilder Morais (PL) e Luis Cesar Bueno (PT) participaram do encontro, em uma rodada que combinou apresentação de propostas, cobrança sobre a atual administração e críticas entre os adversários.

Realizado cinco dias antes do primeiro turno, o debate teve cinco blocos e colocou em discussão assuntos que deverão permanecer no centro da campanha até a votação. Entre eles estiveram saúde, segurança pública, agronegócio, infraestrutura, reforma tributária, educação, transparência, esporte e uso de inteligência artificial na administração pública.

A saúde foi um dos principais pontos de confronto entre os candidatos. As discussões envolveram atendimento à população, transparência das filas e funcionamento da rede estadual.

Wilder Morais defendeu a divulgação de informações que permitam ao cidadão acompanhar filas de consultas e cirurgias. O candidato também afirmou que pretende estabelecer indicadores para diferentes áreas do governo e disponibilizar dados para acompanhamento da população.

Luis Cesar Bueno também colocou a transparência como uma das prioridades de sua proposta administrativa. O petista afirmou que pretende ampliar o acesso às informações públicas e associou a criação de mecanismos de transparência às administrações do PT.

Marconi Perillo apresentou propostas como o chamado “Vapt Vupt da Saúde”, enquanto também criticou a situação atual da área. Já Daniel Vilela utilizou o espaço para defender ações realizadas pela atual administração e contestar críticas feitas pelos adversários.

A segurança pública apareceu em diferentes momentos do encontro. Wilder defendeu o fortalecimento das patrulhas rurais e medidas de proteção às propriedades no campo.

O candidato do PL também prometeu endurecer o combate às drogas e afirmou que pretende ampliar a atuação do Estado na área de segurança.

Daniel Vilela, por sua vez, citou o uso de inteligência artificial no combate ao crime e mencionou o programa “IA Contra o Crime”. Wilder questionou a efetividade da tecnologia para produzir resultados concretos na segurança pública. O debate também teve divergências sobre a evolução dos indicadores de criminalidade em Goiás.

A discussão sobre o campo colocou em lados opostos Wilder Morais e Luis Cesar Bueno.

Wilder defendeu medidas de proteção às propriedades rurais e afirmou que pretende reforçar a patrulha rural. Luis Cesar, por outro lado, sustentou a necessidade de políticas de reforma agrária e defendeu a atuação do governo federal no financiamento da produção.

O petista citou o Plano Safra e políticas destinadas à agricultura familiar para argumentar que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém medidas de apoio ao setor.

A reforma tributária também entrou no debate, especialmente em relação aos possíveis impactos sobre a economia de Goiás.

Marconi criticou a atuação do governo estadual diante das mudanças no sistema tributário e afirmou que o Estado precisa adotar medidas para evitar perda de competitividade e saída de empresas.

Daniel contestou as críticas e lembrou que a reforma tributária foi aprovada pelo Congresso Nacional. O candidato também defendeu a adoção de medidas para preservar a capacidade de atração de investimentos de Goiás.

A infraestrutura logística apareceu relacionada ao debate econômico, com os candidatos discutindo a necessidade de melhorar as condições para empresas e produtores.

O esporte também produziu um dos embates mais diretos entre Daniel Vilela e Marconi Perillo.

Marconi criticou a realização da MotoGP em Goiás e classificou o evento como um “fiasco”, além de questionar intervenções realizadas no Autódromo Internacional de Goiânia.

Daniel rebateu as críticas e defendeu a realização da competição. Segundo o candidato, o evento movimentou mais de R$ 1 bilhão. Ele também citou o Bolsa Atleta, afirmando que o programa atende mais de mil atletas de alto rendimento, e defendeu a modernização do Estádio Serra Dourada por meio de concessão à iniciativa privada.

Um dos movimentos políticos mais evidentes do debate ocorreu quando Marconi direcionou a Wilder uma discussão sobre o mandato do senador.

O candidato do PSDB argumentou que Wilder foi eleito em 2022 para um mandato de oito anos no Senado e ainda tem mais de quatro anos a cumprir. Marconi defendeu que o senador permaneça em Brasília e propôs uma atuação conjunta, com Wilder no Senado e ele no governo estadual.

Wilder disputa atualmente o governo e, caso seja eleito, deixaria o mandato de senador. Marconi utilizou esse ponto para questionar a escolha do adversário e defender a importância da atuação parlamentar em Brasília.

O governador e candidato à reeleição utilizou boa parte de suas intervenções para defender os resultados da administração estadual.

Nas considerações finais, Daniel destacou ações nas áreas de saúde, educação e investimentos e afirmou estar preparado para continuar à frente do Estado. Também fez referência ao pai, o ex-governador Maguito Vilela.

Ao longo do debate, o candidato também reagiu às críticas dos adversários e procurou apresentar as ações do atual governo como resposta aos questionamentos apresentados no confronto.

Luis Cesar Bueno concentrou parte de sua estratégia na aproximação com o presidente Lula e na defesa de uma maior integração entre os governos federal e estadual.

Nas considerações finais, o candidato afirmou que a parceria com o governo federal poderia ampliar investimentos em Goiás. Também fez críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a candidatos associados ao bolsonarismo.

A estratégia manteve no debate a polarização nacional como um dos elementos da disputa estadual.

Wilder Morais utilizou o encerramento do debate para ampliar sua fala para a eleição presidencial. O candidato pediu votos para Flávio Bolsonaro e também mencionou candidatos ao Senado apoiados por seu grupo político.

Na parte dedicada à disputa estadual, Wilder voltou a destacar saúde, segurança, combate às drogas e geração de emprego e renda como áreas prioritárias de sua proposta.

O debate da TV Anhanguera foi o último grande confronto televisivo entre os quatro candidatos antes do primeiro turno, marcado para domingo (4). O encontro encerrou a sequência de confrontos entre os principais nomes da disputa na reta final da campanha.

Com os candidatos em busca dos votos restantes antes da eleição, o encontro terminou sem uma agenda única entre os concorrentes. Saúde e segurança apareceram como temas recorrentes, enquanto economia, agronegócio, reforma tributária, esporte, educação e tecnologia abriram espaço para propostas e críticas específicas entre os participantes.


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