Ex-funcionário de montadora em Anápolis é acusado de desviar R$ 8,7 milhões em 54 carros
Redação Online
Publicado em 30 de setembro de 2026 às 11:11 | Atualizado há 25 minutos
Ex-funcionário é investigado por desvio de 54 carros avaliados em R$ 8,7 milhões | Foto: MPGO
O Ministério Público de Goiás (MPGO) denunciou um ex-funcionário de uma montadora de Anápolis por suspeita de envolvimento no desvio de 54 veículos zero-quilômetro. Segundo a investigação, o esquema provocou prejuízo estimado em R$ 8,7 milhões e ocorreu entre o fim de 2023 e o início de 2025. O suspeito teria usado a função que ocupava na empresa para autorizar a retirada irregular dos automóveis. Para sustentar as operações, ele emitiu notas fiscais falsas que indicavam supostos serviços externos, como blindagem e instalação de acessórios.
As investigações também apontaram que o ex-funcionário criou um perfil fictício de analista de marketing. A identidade serviu para enviar pedidos fraudulentos por e-mail e dar aparência regular às autorizações para a saída dos veículos da fábrica. Após deixarem Anápolis, os carros seguiram para São Paulo. Conforme o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), comerciantes ligados ao setor de autopeças e sucatas compraram os automóveis por valores muito inferiores aos preços praticados no mercado.
Os veículos foram desmontados após a chegada a São Paulo, e as peças seguiram para comercialização em estabelecimentos físicos e pelas redes sociais. Alguns anúncios destacaram que os componentes tinham origem em carros zero-quilômetro. O MPGO também identificou empresários que teriam participado da cadeia de receptação. O ex-funcionário e os demais denunciados responderam por associação criminosa, furto mediante fraude e abuso de confiança continuado, além de receptação qualificada.
A nova etapa da Operação Sucata 0 km resultou no cumprimento de 12 mandados de busca e apreensão em imóveis comerciais e residenciais de São Paulo e São Bernardo do Campo. A Polícia Civil paulista realizou as diligências com apoio do Gaeco do Ministério Público de São Paulo.
A Justiça ainda autorizou o bloqueio de contas bancárias e a apreensão de bens móveis e imóveis ligados aos investigados. As medidas buscam localizar veículos que ainda estejam armazenados ou em processo de desmontagem e preservar patrimônio para uma eventual reparação dos prejuízos atribuídos ao esquema.