Lobista banca viagem de R$ 1,8 milhão de Lulinha e família à Europa, diz investigação da PF
Redação Online
Publicado em 30 de setembro de 2026 às 13:56 | Atualizado há 44 minutos
Documentos apreendidos pela Polícia Federal registram viagem de Lulinha, familiares e Roberta Luchsinger pela Europa em janeiro de 2025 | Foto: Reprodução
A Polícia Federal (PF) encontrou no celular da lobista Roberta Luchsinger um orçamento de R$ 1,868 milhão referente a uma viagem feita por Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, familiares dele, a própria Roberta e a filha dela pela Europa, em janeiro de 2025. O roteiro teve como um dos objetivos acompanhar a aurora boreal. As informações foram publicadas pela colunista Malu Gaspar, de O Globo.
O grupo percorreu Suécia, Finlândia e Suíça. Conforme o material obtido pela PF, o pacote previa cerca de R$ 266,8 mil por pessoa e reunia hospedagens de alto padrão, serviços de chef e mordomo, além de atividades de inverno.
O planejamento reservou seis dias para atividades ligadas ao esqui. Na passagem pela Suíça, o grupo ficou no HUUS Gstaad, nos Alpes suíços. Fotografias obtidas pelos investigadores mostram Lulinha e a esposa, Renata Abreu Moreira, durante a estadia no país.
Roberta contou com a assessoria da agência TTW na preparação do roteiro. Marina Mantega, filha do ex-ministro Guido Mantega, participou da organização como consultora de viagens. Mensagens obtidas pela PF indicam que a lobista pagou R$ 339 mil de sinal, em outubro de 2024, para confirmar o pacote.
Uma despesa posterior ampliou o valor identificado. Roberta acionou a agência em 8 de janeiro de 2025 para fretar um jatinho da Suíça até Estocolmo, na Suécia, por R$ 220,8 mil. Com esse gasto, a soma superou R$ 2,08 milhões.
Os documentos integram uma investigação sigilosa da PF que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Flávio Dino. A apuração examina suspeitas de tráfico de influência que envolvem Lulinha e Roberta Luchsinger.
Uma das frentes investiga possível atuação em favor da Unigel, empresa do setor de fertilizantes que manteve tratativas com a Petrobras. A PF analisa se Lulinha e Roberta atuaram para beneficiar interesses empresariais da companhia. A existência da investigação não significa comprovação das suspeitas.
A investigação também alcança possíveis interesses de uma empresa ligada a Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, no setor de produtos à base de canabidiol. Segundo informações do inquérito, a iniciativa não avançou após a descoberta das fraudes no INSS.
A apuração alcançou ainda relações de Roberta com integrantes do governo federal. Entre os nomes citados estão Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e Swedenberger Barbosa.
Segundo as informações da investigação, Roberta teria custeado uma estadia de Marcola e familiares em um hotel de luxo durante o réveillon de 2024, em Paraty, no Rio de Janeiro.
Swedenberger teria recebido um quadro de presente de Roberta, além de ter uma festa de aniversário custeada pela lobista em um camarote durante um show de Caetano Veloso e Maria Bethânia, em Brasília, em novembro de 2024. Naquele período, ele ocupava o cargo de secretário-executivo do Ministério da Saúde.
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva afirmou que ele não cometeu nenhum crime e que prestará os esclarecimentos necessários às autoridades responsáveis pela investigação.
Os advogados também disseram que não comentarão informações que classificam como vazamentos seletivos e descontextualizados de supostos elementos da investigação. Segundo a defesa, esses dados servem à criação de “ilações e narrativas falsas”.
O advogado de Roberta Luchsinger, Roberto Podval, foi procurado, mas não havia respondido aos questionamentos até a publicação da reportagem.