Mulher sobrevive após receber duas doses de injeção letal durante execução nos EUA
Léo Carvalho
Publicado em 1 de outubro de 2026 às 11:51 | Atualizado há 2 horas
Christa Gail Pike foi retirada de uma prisão do Tennessee em uma ambulância após sobreviver à tentativa de execução por injeção letal | Foto: Reprodução
A execução de Christa Gail Pike, de 50 anos, não foi concluída nesta quarta-feira (30), no Tennessee, nos Estados Unidos. Condenada à morte pelo assassinato de uma colega cometido em 1995, quando tinha 18 anos, Pike recebeu duas doses do medicamento utilizado na injeção letal, mas permaneceu viva e precisou ser retirada da prisão em uma ambulância.
Segundo os advogados da condenada, as duas doses administradas foram de pentobarbital. A informação consta de documentos apresentados pela defesa. O Departamento de Correção do Tennessee confirmou que Pike foi levada para uma unidade médica externa, mas afirmou que os funcionários seguiram o protocolo de execução estabelecido pelo Estado.
Relatos de testemunhas da execução indicaram que Pike continuava respirando depois da aplicação dos medicamentos. A situação levou à interrupção do procedimento e à retirada dela do presídio. Até as últimas informações divulgadas, não havia confirmação pública sobre seu estado de saúde no hospital.
Governador suspende execuções
Após o episódio, o governador do Tennessee, Bill Lee, determinou uma revisão independente do procedimento. Ele também suspendeu as demais execuções que estavam previstas para ocorrer no estado durante 2026.
Lee afirmou que a execução de uma sentença de morte é uma responsabilidade do Estado e que o procedimento precisa ocorrer dentro das exigências legais e constitucionais. A revisão deverá buscar esclarecer o que ocorreu durante a tentativa de execução de Pike.
O Departamento de Correção, por sua vez, declarou que seguiu todas as etapas previstas no protocolo aprovado pela Procuradoria-Geral do Tennessee. O órgão também informou que o protocolo não prevê procedimentos adicionais além dos que foram realizados na noite de quarta-feira.
O episódio ocorre meses depois de outra execução malsucedida no Tennessee. Em maio, o Estado interrompeu a tentativa de aplicar injeção letal em Tony Carruthers depois que os responsáveis não conseguiram encontrar uma veia adequada para o procedimento.
Execução havia sido autorizada pela Suprema Corte
A tentativa de execução ocorreu depois de uma sequência de decisões judiciais. Horas antes, a Corte de Apelações do 6º Circuito havia suspendido temporariamente a execução para analisar questões apresentadas pela defesa.
Na noite de quarta-feira, porém, a Suprema Corte dos Estados Unidos anulou a suspensão e autorizou o Tennessee a prosseguir com a execução. A decisão foi acompanhada por uma divergência das juízas Sonia Sotomayor, Elena Kagan e Ketanji Brown Jackson.
A defesa de Pike vinha argumentando que elementos de sua infância e adolescência, incluindo histórico de abusos, além de questões relacionadas à sua idade quando cometeu o crime, não haviam sido adequadamente considerados no processo que resultou na pena de morte.
Crime ocorreu quando Pike tinha 18 anos
Christa Pike foi condenada pela morte de Colleen Slemmer, de 19 anos, em 1995. As duas eram colegas no Knoxville Job Corps, programa de formação profissional localizado no Tennessee.
Segundo o processo, Pike e dois adolescentes participaram do crime. Tadaryl Shipp, então namorado de Pike, tinha 17 anos e recebeu prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional. Shadolla Peterson, que também tinha 18 anos, colaborou com as autoridades e recebeu uma pena diferente da condenação à morte de Pike.
Pike foi condenada à morte em 1996. Ela permaneceu mais de três décadas no corredor da morte e era a única mulher nessa condição no Tennessee.
Seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos
A execução de Pike seria histórica no Tennessee. Caso fosse concluída, ela seria a primeira mulher executada pelo Estado em mais de dois séculos. Também seria a primeira pessoa executada no Tennessee, na era moderna da pena de morte, por um crime cometido aos 18, 19 ou 20 anos, segundo o Death Penalty Information Center.
Antes da tentativa de execução, o governador Bill Lee havia rejeitado o pedido de clemência apresentado pela defesa. A decisão manteve a sentença de morte e abriu caminho para a realização do procedimento.
Agora, além da situação jurídica de Pike, o governo estadual terá de esclarecer as circunstâncias que fizeram com que o procedimento de injeção letal não produzisse a morte esperada.
A investigação independente anunciada pelo governador deverá analisar o cumprimento do protocolo e os fatores que levaram à interrupção da execução. Até que essa apuração avance, não há confirmação sobre se uma nova tentativa de execução poderá ser marcada.