Funcionária de banco é presa suspeita de desviar R$ 2,1 milhões de clientes idosos em SP
Léo Carvalho
Publicado em 1 de outubro de 2026 às 14:01 | Atualizado há 1 hora
Polícia Civil apreendeu celulares, cartões, documentos e dinheiro durante operação que prendeu funcionária de banco e namorado em Miguelópolis (SP) | Foto: Divulgação
Uma funcionária de uma agência do Santander em Miguelópolis, no interior de São Paulo, foi presa preventivamente sob suspeita de participar do desvio de aproximadamente R$ 2,1 milhões de contas de clientes, principalmente idosos e pessoas com dificuldades para utilizar os canais digitais do banco. As movimentações investigadas teriam ocorrido entre 2024 e 2026.
A mulher, identificada como Vanessa Gonçalves Miranda, de 40 anos, foi presa na segunda-feira (28), junto com o namorado, o dentista Adilson Coelho de Paula, de 56 anos. Os dois são investigados por furtos mediante abuso de confiança contra idosos e pessoas vulneráveis. A apuração também levantou suspeitas de lavagem de dinheiro.
A investigação começou depois que clientes procuraram a polícia para relatar movimentações que não reconheciam nas próprias contas. Segundo as apurações, Vanessa teria se aproveitado da relação de confiança construída com os correntistas para realizar operações sem autorização.
Entre as movimentações investigadas estão saques, transferências, contratação de empréstimos e resgates de aplicações. A suspeita, segundo a investigação, escolhia principalmente clientes idosos ou pessoas que tinham dificuldade para utilizar aplicativos bancários.
Dinheiro teria sido movimentado por diferentes contas
A investigação também aponta a participação do companheiro da funcionária. Segundo a decisão judicial mencionada nas apurações, Adilson teria recebido e ocultado parte dos valores por meio de contas próprias e de uma empresa ligada a ele.
Há ainda indícios de que parte do dinheiro teria sido direcionada para casas de jogos e apostas. Para os investigadores, essas movimentações podem ter sido utilizadas para dificultar o rastreamento da origem dos recursos. O caso segue sob investigação e corre em sigilo.
Idosa teria perdido cerca de R$ 300 mil
Entre os casos investigados está o de uma mulher de 78 anos que mantinha aproximadamente R$ 300 mil em uma conta bancária. Segundo a família, o problema foi descoberto quando parentes foram ao banco para retirar dinheiro após a idosa passar por um transplante de córnea.
Ao consultar o saldo, a família encontrou a conta zerada. Os parentes também afirmam ter identificado um empréstimo que a aposentada não reconhece e outras movimentações realizadas ao longo dos últimos anos.
Outro caso envolve um homem de 71 anos que, segundo familiares, tinha cerca de R$ 200 mil guardados e passou a ter apenas R$ 517 disponíveis na conta depois das movimentações investigadas. A família afirma que o idoso tinha dificuldades para utilizar caixas eletrônicos e outros canais digitais.
Polícia apreende celulares e documentos
Durante o cumprimento dos mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, policiais civis de Miguelópolis e Franca recolheram notebooks, tablets, celulares, cartões bancários, documentos com informações financeiras, anotações e um carimbo.
Também foram encontrados bilhetes de loteria e dinheiro em espécie. Em uma das residências havia R$ 252. Com Adilson, os policiais apreenderam R$ 4.332, um cartão bancário e um telefone celular.
Os mandados foram expedidos pela Vara Regional das Garantias da 6ª Região Administrativa Judiciária, em Ribeirão Preto.
Santander diz que clientes não terão prejuízo
O Santander informou que sua área de Inteligência acompanha o caso e colabora com a Polícia Civil de São Paulo para esclarecer os fatos e responsabilizar os envolvidos. O banco afirmou ainda que nenhum cliente terá prejuízo financeiro relacionado às ocorrências investigadas.
Questionada sobre eventual falha nos mecanismos de segurança, a instituição declarou que possui sistemas de prevenção, identificação e combate a fraudes e a desvios de conduta.
As defesas dos investigados também se manifestaram. O advogado de Adilson afirmou que ele desconhece as acusações e não tem envolvimento com qualquer ilegalidade. A defesa de Vanessa também foi procurada e, segundo as informações mais recentes, afirmou que ainda não teve acesso integral ao processo para apresentar sua posição.
O caso continua sendo investigado pela Polícia Civil, que busca esclarecer a extensão dos prejuízos, identificar todas as vítimas e verificar a participação de outras pessoas nas movimentações financeiras.