Lula tenta quebrar tabu histórico no 2º turno contra Flávio Bolsonaro
Léo Carvalho
Publicado em 5 de outubro de 2026 às 12:48 | Atualizado há 2 horas
Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno de 2026 na liderança, à frente de Lula por 1,87 ponto percentual | Foto: Reprodução
Desde a retomada das eleições diretas para presidente, em 1989, o segundo turno brasileiro registra um padrão que nunca foi quebrado: o candidato que terminou a primeira votação em primeiro lugar também venceu a disputa definitiva.
A regra vale para todas as eleições presidenciais realizadas em dois turnos desde a redemocratização. Em 1989, Fernando Collor liderou o primeiro turno e derrotou Luiz Inácio Lula da Silva na segunda votação. Depois, nas eleições de 2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022, o candidato que chegou à segunda etapa na frente também terminou eleito.
Em 2026, porém, a diferença entre os dois primeiros colocados é a menor já registrada em uma eleição presidencial desde a redemocratização. Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula (PT) alcançou 45,16%. A distância foi de 1,87 ponto percentual.
O resultado coloca Lula diante de uma situação inédita na história das eleições presidenciais brasileiras. Nunca um candidato que terminou o primeiro turno em segundo conseguiu ultrapassar o líder na votação seguinte.
O precedente de 1989
A primeira eleição presidencial direta após o regime militar foi marcada por uma disputa em dois turnos. Fernando Collor terminou a primeira votação com 30,47% dos votos válidos, contra 17,18% de Lula.
Na segunda rodada, Lula conseguiu reduzir significativamente a diferença, mas não foi suficiente para assumir a liderança. Collor terminou eleito com 53,03% dos votos, contra 46,97% do petista.
Foi o primeiro caso do período democrático recente em que os dois candidatos mais votados precisaram voltar às urnas. E também estabeleceu o padrão que seria repetido nas disputas seguintes.
Lula, Dilma e Bolsonaro repetiram o roteiro
Em 2002, Lula chegou ao segundo turno na primeira colocação, com 46,44%, e ampliou a vantagem sobre José Serra na votação decisiva, alcançando 61,27%.
Quatro anos depois, novamente na liderança do primeiro turno, Lula passou de 48,61% para 60,83% no segundo turno e derrotou Geraldo Alckmin.
Dilma Rousseff manteve a mesma trajetória. Em 2010, terminou a primeira rodada com 46,91% e venceu José Serra com 56,05% no segundo turno. Em 2014, teve 41,59% no primeiro turno e derrotou Aécio Neves na segunda votação por 51,64% a 48,36%.
Em 2018, Jair Bolsonaro chegou ao segundo turno com 46,03%, diante dos 29,28% de Fernando Haddad. Na votação definitiva, Bolsonaro venceu por 55,13% a 44,87%.
O caso mais apertado até então ocorreu em 2022. Lula terminou o primeiro turno com 48,43%, contra 43,20% de Jair Bolsonaro. No segundo turno, a diferença caiu para 1,8 ponto percentual, mas Lula manteve a liderança e foi eleito por 50,90% a 49,10%.
2026 coloca o recorde à prova
A eleição deste ano acrescenta uma característica que diferencia a disputa das anteriores: a distância entre os dois candidatos que avançaram ao segundo turno é inferior à registrada em 2022.
Flávio Bolsonaro terminou a primeira votação com 56,1 milhões de votos, enquanto Lula ficou próximo de 53,9 milhões. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
A vantagem inicial, contudo, não representa votos transferidos automaticamente para a segunda etapa. O segundo turno é uma nova eleição. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os votos da primeira votação não são transportados para a segunda, e vence quem obtiver mais votos válidos na nova disputa.
Isso significa que o histórico fornece um dado objetivo, mas não determina o resultado de 2026. Nas sete eleições anteriores que chegaram ao segundo turno desde 1989, a liderança do primeiro turno foi preservada. O que ocorrerá em 25 de outubro será uma nova decisão do eleitorado.
Por isso, a disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula coloca pela primeira vez desde a redemocratização um segundo colocado diante da possibilidade de quebrar um padrão histórico que permanece intacto desde 1989.