Economia

Mercado reage à eleição com dólar em queda e Bolsa perto de recorde

Léo Carvalho

Publicado em 6 de outubro de 2026 às 14:09 | Atualizado há 1 hora

Dólar e Bolsa recuam após Ibovespa disparar na véspera com resultado do 1º turno
 | Foto: Divulgação
Dólar e Bolsa recuam após Ibovespa disparar na véspera com resultado do 1º turno | Foto: Divulgação

JÚLIA GALVÃO / Folhapress – O mercado financeiro brasileiro mantém nesta terça-feira (6) a repercussão do resultado do primeiro turno da eleição presidencial, mas em ritmo diferente do registrado na sessão anterior. O dólar comercial operava em baixa de 0,51%, cotado a R$ 4,976, enquanto o Ibovespa recuava 0,58%, aos 205.696 pontos, às 13h26.

O movimento ocorre depois de uma segunda-feira marcada por forte valorização dos ativos brasileiros. O principal índice da Bolsa fechou o pregão anterior com alta de 7,70%, aos 206.911 pontos, maior nível histórico em termos nominais e reais. O dólar caiu 4,11%, para R$ 5,001, maior queda diária desde 2018.

A reação desta terça-feira é acompanhada por um movimento de realização de lucros após os ganhos expressivos da véspera. Para o economista e consultor financeiro Leonardo Mendes, da Manchester Investimentos, os investidores começam a deixar de lado a reação imediata ao resultado eleitoral e passam a avaliar os possíveis desdobramentos da disputa no segundo turno.

Entre os fatores que podem influenciar os preços dos ativos estão a composição do Congresso, as sinalizações sobre política fiscal e as propostas econômicas apresentadas pelos candidatos até a votação marcada para 25 de outubro.

Os juros futuros também refletem esse cenário. Às 13h26, a taxa para janeiro de 2028 estava em 12,630%, com alta de 0,03 ponto percentual. Para janeiro de 2035, o rendimento era de 12,665%, uma queda de 0,12 ponto percentual.

O resultado eleitoral colocou o senador Flávio Bolsonaro (PL) na primeira colocação do primeiro turno, com 47,03% dos votos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve 45,16%. Os dois avançaram para a segunda etapa da eleição.

Para Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, o chamado “trade eleitoral” continua influenciando o fluxo de recursos para ativos brasileiros, especialmente em setores como o financeiro. No câmbio, a entrada de capital estrangeiro e a venda de dólares por investidores institucionais ajudam a explicar a valorização do real.

O cenário externo também interfere nos negócios. O índice DXY, que acompanha o dólar diante de seis moedas fortes, recuava 0,28%. Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos também apresentavam baixa depois das altas registradas nos últimos dias.

No mercado de commodities, o petróleo recuava 0,55%, negociado a US$ 99. A queda pressionava ações da Petrobras, que tinham baixa de 2,33%, cotadas a R$ 54,07, às 13h27.

Nos Estados Unidos, os principais índices acionários operavam em alta. O Dow Jones avançava 0,63%, o S&P 500 subia 0,83% e o Nasdaq registrava valorização de 0,66%.

O cenário internacional ainda era influenciado pela tensão no Oriente Médio. Ataques atribuídos aos houthis atingiram aeroportos na Arábia Saudita, enquanto permanecem as negociações envolvendo Estados Unidos e Irã para tentar encerrar o conflito.

Em meio a esse ambiente, investidores acompanham simultaneamente os desdobramentos da eleição brasileira, as perspectivas para a política econômica e os movimentos dos mercados internacionais. A forte reação registrada na segunda-feira deu lugar a uma sessão mais moderada nesta terça, com parte dos ganhos sendo devolvida pelos ativos de risco.


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