Juiz de SP é encontrado morto dentro de carro em chamas na zona rural
Léo Carvalho
Publicado em 8 de outubro de 2026 às 10:48 | Atualizado há 2 horas
Juiz Gustavo de Castro Campos, do TJSP, foi encontrado morto dentro de um carro incendiado na zona rural de São João da Boa Vista | Foto: Reprodução
O juiz de Direito Gustavo de Castro Campos, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), foi encontrado morto dentro de um carro em chamas na noite de quarta-feira (7), em uma estrada rural de São João da Boa Vista, no interior paulista. O magistrado tinha 45 anos e atuava na 2ª Vara da Comarca de Mococa.
O veículo foi localizado na Estrada de Terra Euclides Dotta, em uma área pertencente à Fazenda Aliança. Trabalhadores rurais que passavam pelo local perceberam o automóvel em chamas e tentaram conter o fogo utilizando uma retroescavadeira. Equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar foram acionadas.
Após o controle das chamas, os agentes encontraram o corpo no banco do motorista. A identificação foi feita a partir de documentos encontrados no veículo e também por uma tatuagem no corpo, segundo informações divulgadas pelas autoridades e pela imprensa que teve acesso ao boletim de ocorrência.
Polícia investiga circunstâncias da morte
A Polícia Civil instaurou investigação para esclarecer como o magistrado morreu e como o incêndio começou. O caso está sob responsabilidade da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São João da Boa Vista e é tratado, neste momento, como morte suspeita.
Durante a perícia preliminar, investigadores não encontraram, segundo o boletim de ocorrência, sinais aparentes de ferimentos provocados por arma de fogo ou arma branca. Também não foram identificadas, inicialmente, marcas que indiquem violência física. Os peritos, porém, ainda precisam analisar outros elementos para determinar a dinâmica da ocorrência.
Um dos elementos encontrados no automóvel chamou a atenção dos investigadores. Havia um galão com forte odor de gasolina próximo aos pedais, enquanto o corpo também apresentava cheiro do combustível, conforme o registro policial. Não havia, até a atualização mais recente das informações, indicação de que objetos do magistrado tivessem sido levados. A aliança permanecia no dedo da vítima.
O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) de São João da Boa Vista. Exames necroscópicos e demais análises periciais deverão contribuir para esclarecer a causa da morte e a sequência dos acontecimentos.
Até a manhã desta quinta-feira (8), ninguém havia sido preso e nenhuma hipótese havia sido oficialmente descartada pela investigação.
Carreira na magistratura
Gustavo de Castro Campos integrava o Tribunal de Justiça de São Paulo havia cerca de 12 anos. Antes de ingressar na magistratura paulista, trabalhou como advogado durante aproximadamente uma década e também atuou como delegado da Polícia Civil do Espírito Santo.
Em 2014, passou a exercer a função de juiz substituto na Justiça capixaba. Posteriormente, ingressou no TJSP e passou por comarcas como Tambaú e Leme antes de assumir a 2ª Vara de Mococa. Documentos oficiais do Tribunal de Justiça de São Paulo confirmam sua atuação como titular da unidade.
Em 2026, o nome do magistrado continuava registrado pelo TJSP entre os juízes responsáveis pela 2ª Vara da Comarca de Mococa.
Caso anterior envolvendo advogado
O magistrado também havia sido alvo, em 2022, de uma representação relacionada a uma suposta ofensa à honra de um advogado durante uma sessão de julgamento. O caso chegou ao Órgão Especial do TJSP, que acabou arquivando a acusação.
Segundo informações sobre o processo, a discussão começou durante um julgamento e envolveu críticas do advogado à condução dos trabalhos pelo juiz. Na avaliação do colegiado, houve comportamento provocativo por parte do defensor e a acusação contra o magistrado não se sustentou.
A investigação sobre a morte de Gustavo de Castro Campos, contudo, ainda está em fase inicial. A polícia deverá analisar os vestígios encontrados no veículo, os exames do IML, imagens eventualmente disponíveis na região e os relatos das testemunhas para determinar o que aconteceu na estrada rural.