Podemos oficializa apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno e amplia base do candidato
Léo Carvalho
Publicado em 8 de outubro de 2026 às 11:08 | Atualizado há 2 horas
A presidente do Podemos, Renata Abreu, oficializou o apoio da legenda à candidatura de Flávio Bolsonaro no segundo turno | Foto: Divulgação
O Podemos oficializou nesta quinta-feira (8) o apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. A decisão amplia a aliança partidária em torno do senador, que disputa a Presidência contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma eleição marcada pela busca de apoio das legendas que ficaram fora da disputa final.
O anúncio foi feito pela presidente nacional do Podemos, deputada reeleita Renata Abreu (SP), após uma reunião com Flávio e integrantes da campanha do PL em Brasília. O encontro contou também com a participação do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e de lideranças políticas que integram a base do governo paulista.
Segundo Renata, a decisão representa mais do que uma adesão eleitoral. A dirigente afirmou que o partido pretende assumir um compromisso com o que considera necessário para o país e citou a expectativa de retomada dos investimentos e de mudanças na economia.
“O Brasil quer mudança, os brasileiros querem voltar a sonhar com o Brasil. O empreendedor quer voltar a investir. Os problemas são reais e distantes das promessas que vêm acontecendo”, declarou.
Na sequência, a presidente do Podemos formalizou a posição da legenda. “Estamos aqui assumindo mais que um apoio político, mas um compromisso de responsabilidade com o futuro do nosso país. Por isso hoje o Podemos declara apoio oficial ao candidato Flávio Bolsonaro”, afirmou.
Podemos ganha peso no Congresso
A decisão ocorre poucos dias depois de o Podemos registrar um crescimento expressivo na eleição para a Câmara dos Deputados. O partido elegeu 27 parlamentares no domingo (4) e passou a ocupar a sétima maior bancada da Casa para a próxima legislatura.
O resultado representa mais que o dobro da bancada eleita pela legenda em 2022, quando o Podemos conquistou 12 cadeiras.
Em São Paulo, estado de Renata Abreu, o partido também ampliou sua presença. Entre os eleitos estão a própria presidente nacional da legenda e outros nomes da bancada paulista.
O crescimento parlamentar aumenta o peso do partido nas negociações políticas que antecedem o segundo turno e também na formação da base governista a partir de 2027.
Apoio não obriga filiados
Apesar da decisão nacional, o Podemos não fechou questão em torno da candidatura de Flávio. Na prática, isso significa que os filiados e dirigentes do partido não estarão sujeitos a punições caso decidam apoiar Lula no segundo turno.
A posição segue uma característica comum entre as legendas que aderiram à candidatura de Flávio. O apoio institucional não necessariamente representa unanimidade entre os diretórios estaduais ou entre os parlamentares.
O próprio Republicanos, que oficializou apoio ao candidato do PL na quarta-feira (7), manteve espaço para manifestações regionais divergentes. A legenda conta com forte presença em diferentes estados e interesses políticos locais distintos.
Aliança reúne cinco legendas
Com o Podemos, Flávio passa a contar formalmente com cinco partidos ou agrupamentos partidários que declararam apoio à sua candidatura no segundo turno.
A aliança reúne o PL, partido do candidato, a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, além de Republicanos, Novo e agora Podemos. O movimento começou logo após a definição do segundo turno e ganhou velocidade nos primeiros dias da nova fase da eleição.
Além das decisões partidárias, Flávio também recebeu declarações de apoio de políticos que disputaram o primeiro turno. Entre eles estão o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo).
No caso de Caiado, o PSD nacional decidiu permanecer neutro, embora o ex-governador tenha anunciado apoio pessoal a Flávio.
MDB e PSD mantêm posição diferente
A adesão das legendas de centro não ocorreu de forma uniforme. O MDB não oficializou apoio a Flávio e trabalha com a possibilidade de liberar seus filiados para escolherem entre os dois candidatos.
O PSD também optou pela neutralidade institucional, apesar da manifestação pública de Caiado.
A movimentação deixa evidente uma diferença entre as decisões das direções nacionais e as posições individuais de lideranças com influência regional. Enquanto algumas siglas formalizaram apoio, outras preferiram preservar autonomia para seus diretórios e parlamentares.
Disputa pelo segundo turno
Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na primeira colocação, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%. Os dois foram confirmados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como os candidatos que disputarão o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
A diferença de votação tornou a formação das alianças um dos primeiros movimentos da nova etapa da disputa. As legendas que não chegaram ao segundo turno passaram a ser procuradas pelas duas campanhas, enquanto dirigentes partidários avaliam também o impacto de suas decisões sobre a composição política do próximo governo e do Congresso.
No caso de Flávio, a ampliação da aliança ocorre simultaneamente ao fortalecimento do PL no Legislativo. O partido elegeu a maior bancada da Câmara para a próxima legislatura, o que aumenta a relevância das negociações com partidos de centro para a construção de uma eventual base de governo.
A composição, contudo, não significa automaticamente apoio integral no Congresso. Mesmo entre partidos que declararam adesão à candidatura, existem divergências regionais e parlamentares que mantêm posições próprias.
A campanha entra agora na segunda etapa com as duas candidaturas buscando ampliar alianças e conquistar os votos dos eleitores que escolheram outros nomes no primeiro turno.