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Salma Jô: “Descobri ainda mais a força das minhas letras”

Redação Online

Publicado em 8 de outubro de 2026 às 21:30 | Atualizado há 2 horas

Cantora e compositora Salma Jô, ex-vocalista da Carne Doce | Foto: @nataliamichalzuk
Cantora e compositora Salma Jô, ex-vocalista da Carne Doce | Foto: @nataliamichalzuk

A artista Salma Jô descobriu ainda mais a força de suas canções. Ao Diário da Manhã, a cantora e letrista, direto de Portugal, onde estreia a sua carreira solo, diz ver uma identidade artística já clara e sólida nas pessoas que a acompanham desde os tempos de Carne Doce.

Referência na música alternativa brasileira, a banda foi paralisada em 2025. Antes disso, no entanto, o grupo goiano criou uma discografia notável, com “Carne Doce” (2014), “Princesa” (2016), “Tônus” (2018), “Interior” (2020) e, por último, “Cererê” (2024). No Lollapalooza, em 2019, o quinteto conquistara a imprensa sudestina cantando a sua sensualidade deprê.

Usando meia-calça arrastão branca — chique no último —, Salma dominou o palco naquele sábado, 6 de abril de 2019. A cantora, no auge do êxtase, confessou: “A gente está aqui. Que chique, que bom, que orgulho.” O público riu e, segundo a revista Rolling Stone, curtiu aquele rock triste, que se ouve chorando. Ao fim, a galera não queria deixá-la ir embora.

A carne manteve-se doce no single “Noite dos Tristes”. Na faixa, a primeira do derradeiro disco da banda, evoca-se uma certa sonoridade voluptuosa, algo que possui um toque poético e, ao mesmo tempo, ressoa melancolia. “Na noite dos tristes/ revivendo o mistério/ de ver toda essa alegria/ transbordar”, entoa Salma Jô, como se fosse um prelúdio.

Agora, Salma quer novos voos. Na capital goiana, ela fez bonito nos festivais Bananada e Goiânia Noise. Não deixou de andar pelo Brasil nessa fase da carreira. Em agosto, lançou nas plataformas a canção “Hotel” e, para o próximo ano, anuncia um disco que coroa esse momento, sobre o qual Salma Jordana de Oliveira e Rezende fala na entrevista que se segue:

Salma: “É uma oportunidade muito importante de criar vínculos” | Foto: Emily Colona

Diário da Manhã – Como você avalia a estreia da sua turnê solo em Portugal e o que representa levar esse novo trabalho para duas importantes feiras de negócios da música, em Lisboa e Coimbra?

Salma Jô – É uma oportunidade muito importante de criar vínculos em Portugal e favorecer a produção de mais turnês por aqui nos próximos anos, ampliando o alcance da minha música. Também espero aprender táticas novas, conhecer as tendências e compreender melhor o mercado europeu.

DM – Como tem sido, para você, esse início de carreira solo depois da pausa da Carne Doce, com a qual você esteve por anos, e o que significa esse novo ciclo?

Salma – É um desafio, pois eu estava confortavelmente acompanhada de uma banda incrível e agora estou pela primeira vez tocando instrumentos e produzindo as músicas, mas estou animada. É um momento para aprender e experimentar que é desafiador, mas também inspirador. Este ano já consegui realizar muitos shows muito bons.    

DM – O que você espera apresentar ao público, especialmente agora que “Hotel” abriu o caminho para o seu primeiro álbum solo, previsto para 2027?

Salma – Acredito que, pelo próprio aspecto de eu estar nessa posição de voltar a ser aprendiz e de estar redescobrindo como me colocar, será uma fase de despojamento, de músicas mais simples, cruas e diretas, mas ainda sinceras e com a pretensão de emocionar e envolver as pessoas de uma forma autêntica. 

Artista solta a voz em apresentação no Sesc Pompeia, em São Paulo: “Estou me aventurando nesse universo do indie eletrônico” | Foto: Fernando Yokota

DM – O que você pode adiantar sobre o seu  disco solo, que será lançado no próximo ano, e o que os fãs podem esperar desse trabalho em termos de sonoridade e composição?

Salma – Estou me aventurando nesse universo do indie eletrônico, estou aprendendo a criar com o synth, então na sonoridade vai ser mais essa energia dançante, crua, às vezes melancólica. Nas letras, não pretendo fugir do que já é minha identidade: são músicas diretas, confessionais, sensuais, divertidas, deprês. É como me sinto mais verdadeira compondo.     

DM – O que você descobriu sobre sua música e sobre si mesma durante esse processo?

Salma – Descobri ainda mais a força das minhas letras e como minha identidade artística já é muito clara e sólida para as pessoas que me acompanham. Por outro lado, me surpreendi, pois nunca me achei capaz de assumir a função de tocar outros instrumentos além de cantar. Percebi que eu sei mais sobre dinâmica e timbres do que eu imaginava, mas estou aprendendo muito e desenvolvendo também minha capacidade como produtora musical.

DM – E o que você tem ouvido ultimamente e de que maneira essas escutas têm influenciado ou atravessado a sua música nessa nova fase solo?

Salma – Nunca tive uma percepção clara de sentir-me diretamente influenciada pelas coisas que escuto. Às vezes, depois percebo nas coisas que crio influências indiretas de outros estilos, de músicas ocasionais, de coisas aleatórias. Ultimamente ando mais atenta com alguns novod artistas que estão nessa mesma linguagem do indie eletrônico, como a D’leesa, e mesmo clássicos, como Daft Punk. Eu também escuto pouquíssima coisa, passo a maior parte do tempo em silêncio, ou escuto a rua.


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