Datafolha: 78% valorizam debates entre Lula e Flávio Bolsonaro
Fernando Henrique - Estágio DM
Publicado em 10 de outubro de 2026 às 09:54 | Atualizado há 57 minutos
Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) disputam o segundo turno da eleição presidencial de 2026 | Foto: Nelson Almeida/Brenno Carvalho
Para 78% dos brasileiros, é muito importante que os candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) participem dos debates promovidos no segundo turno da eleição presidencial, apontam dados da mais recente pesquisa Datafolha.
O levantamento também indica que 18% dos entrevistados admitem que o desempenho nos confrontos na TV pode fazê-los mudar de voto. Essa fatia é composta por 5% que veem chance grande, 7% que consideram a probabilidade média e 6% que a veem como pequena.
Entre os eleitores que votaram em outros candidatos no primeiro turno (como Cury, Renan Santos, Caiado e Zema), 20% declaram que a chance de mudar a escolha por causa dos debates é grande, e apenas 48% descartam totalmente a alteração.
No cômputo geral, 82% declaram que não mudariam a escolha de jeito nenhum por causa dos eventos, enquanto 1% não soube responder.
Sobre a relevância atribuída aos encontros transmitidos, uma parcela de 11% do eleitorado avalia que a presença dos postulantes ao Planalto é um pouco importante, enquanto 10% consideram a participação nada importante e 2% não opinaram.
Record cancela debate entre Lula e Flávio Bolsonaro

Nesta sexta (9), a Record decidiu cancelar o debate entre os candidatos à Presidência no segundo turno que estava marcado para domingo (11), após Lula e Flávio Bolsonaro não confirmarem presença. As duas campanhas, porém, trabalham com a presença em outros debates (provavelmente o da Band, no dia 18, e o da Globo, no dia 23).
O primeiro turno terminou sem que os dois líderes tivessem tido confrontos em debates.
Importância dos debates varia conforme a idade
A alta valorização dos debates é ampla em praticamente todos os segmentos demográficos e políticos. Na divisão por faixa etária, a percepção de que a participação dos candidatos é muito importante atinge 83% entre os eleitores de 25 a 34 anos, 81% no grupo de 35 a 44 anos, 79% na faixa de 45 a 59 anos, 77% entre os jovens de 16 a 24 anos e 69% entre os idosos de 60 anos ou mais.
Por nível de instrução, a importância dos confrontos chega a 80% entre os eleitores com ensino superior e com ensino médio, e marca 72% no segmento com ensino fundamental. No recorte regional, a taxa dos que veem alta relevância nos eventos é de 79% no Sudeste, 78% no Nordeste, 76% no Centro-Oeste/Norte e 75% no Sul.
Entre as preferências políticas, a presença nos debates é vista como muito importante por 80% dos eleitores de Flávio Bolsonaro e por 77% dos eleitores de Lula (atingindo 80% entre os bolsonaristas autodeclarados e 77% entre petistas e não alinhados).
Eleitores não alinhados têm maior possibilidade de mudar o voto
Embora a maioria do eleitorado considere os eventos indispensáveis, o potencial dos debates para provocar alterações no quadro eleitoral concentra-se em grupos específicos.
Na parcela de eleitores não alinhados com nenhum dos candidatos, a taxa daqueles que admitem alguma possibilidade de mudar o voto atinge 40% (com 12% apontando chance grande, 18% média e 11% pequena), enquanto 60% descartam qualquer mudança.
A sensibilidade ao desempenho nos confrontos também varia segundo a idade e a escolaridade. Entre os jovens de 16 a 24 anos, 31% veem alguma possibilidade de alteração (4% grande, 16% média e 11% pequena), enquanto 69% dizem que não mudariam de jeito nenhum. Já no grupo de 60 anos ou mais, a consolidação é expressiva: 91% afirmam que não mudariam o voto por causa dos debates, frente a apenas 3% que veem probabilidade grande.
Entre os eleitores com ensino fundamental, 86% descartam mudar o voto, taxa que fica em 82% no ensino superior e 79% no ensino médio.
Nas fatias declaradas dos candidatos que disputam o segundo turno, a firmeza de voto diante dos debates se mantém elevada em ambos os lados: 85% entre os eleitores de Lula (onde 4% veem chance grande, 6% média e 4% pequena) e 83% entre os de Flávio Bolsonaro (com 4% de chance grande, 7% média e 7% pequena).
Metodologia da pesquisa
O Datafolha foi às ruas na terça (6) e na quarta (7), em um trabalho encomendado pela Folha e pela TV Globo registrado com o código BR-02949/2026 no TSE. Foram entrevistados 2.520 eleitores em 153 municípios. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. (Clayton Castelani/FOLHAPRESS)