Flávio Bolsonaro teria prometido canal de TV à Veja em troca de reportagem contra Lula, aponta DCM
Redação Online
Publicado em 10 de outubro de 2026 às 13:36 | Atualizado há 5 horas
Revista Veja publica reportagem com acusações atribuídas a Daniel Vorcaro contra Lula | Foto: Reprodução/DCM
Uma denúncia publicada pelo portal Diário do Centro do Mundo (DCM) aponta que a revista Veja negociou com o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a obtenção de um canal de televisão aberta em troca da publicação de uma reportagem com acusações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação foi atribuída a uma fonte que afirma ter recebido o relato diretamente de um diretor da revista.
Segundo a denúncia, Flávio Bolsonaro teria prometido à Editora Abril a concessão de um canal de TV aberta semelhante ao da Jovem Pan. A negociação estaria vinculada à publicação da reportagem sobre um suposto financiamento irregular do documentário “Lula”, dirigido pelo cineasta americano Oliver Stone. A Veja possui uma operação no streaming, mas, de acordo com o relato, pretende ampliar suas atividades para a TV aberta. A decisão de publicar as acusações contra Lula teria partido do comando da Editora Abril. “A matéria foi pedida pela direção da empresa e a Veja topou dar dentro dessa negociação pra depois obter uma TV aberta”, afirmou a fonte ao DCM.
A reportagem publicada pela Veja na sexta-feira (09/10) apresentou áudios atribuídos a Vorcaro. “O filme do Lula eu coloquei acho que até mais que no filme sobre Jair Bolsonaro. Só que o do Lula foi por fora, foi errado”, diz o ex-banqueiro na gravação divulgada. Fábio Carvalho, dono da Veja desde 2018, participou de um jantar com o senador Flávio Bolsonaro, segundo artigo do empresário João Moreira Salles publicado na revista Piauí. A informação ganha relevância em meio à repercussão da reportagem da Veja baseada em acusações atribuídas a Daniel Vorcaro.
As acusações não encontram respaldo nas mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro. O aparelho, apreendido em novembro de 2025, contém conversas de julho de 2012 até a prisão do banqueiro, abrangendo o período de produção do documentário. Não foram encontrados registros de pagamentos, patrocínios ou negociações financeiras envolvendo o filme sobre Lula. Em contrapartida, as mensagens recuperadas pela PF apresentam discussões sobre investimentos em produções relacionadas a Jair Bolsonaro e Michel Temer. No caso de “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente, Flávio Bolsonaro negociou US$ 24 milhões com Vorcaro, dos quais pelo menos US$ 10,6 milhões foram pagos.
O advogado criminalista Daniel Bialski, que defende Vorcaro, afirmou na sexta-feira (09/10) que seu cliente não prestou depoimento recente à PF sobre o suposto repasse de dinheiro. “Eu não estava na defesa do Daniel Vorcaro quando foram apresentadas as propostas de colaboração. O que posso afirmar é que ele não prestou nenhum novo depoimento à Polícia Federal discorrendo sobre isso”, declarou ao Correio Braziliense. A Polícia Federal também se manifestou sobre o caso e esclareceu que Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado pela revista. A corporação informou que recebeu uma notícia-crime relacionada ao caso e encaminhou o material à área técnica para análise. As propostas de colaboração premiada apresentadas pela defesa de Vorcaro não foram aceitas por não atenderem aos requisitos legais.
Na quinta-feira (08/10), o grupo Prerrogativas acionou a Polícia Federal para investigar uma possível articulação envolvendo o banqueiro e pessoas ligadas à campanha de Flávio. A notícia de fato foi apresentada pelos advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida. O documento pede que a PF verifique a existência, a origem e o conteúdo de um arquivo digital que conteria um depoimento atribuído a Vorcaro, com acusações contra Lula, integrantes do governo federal e adversários políticos do senador. Segundo os advogados, o material teria sido entregue a terceiros em um disco rígido (HD). Eles ressaltam, porém, que não tiveram acesso à gravação e solicitam que as autoridades apurem os fatos antes de qualquer conclusão sobre a autenticidade do conteúdo e sua eventual finalidade eleitoral.
A campanha do presidente Lula classificou a publicação da Veja como uma “grande farsa montada por Flávio Bolsonaro e Vorcaro” e anunciou medidas judiciais. A equipe de campanha do petista acusou a revista de publicar uma “peça eleitoral” para favorecer Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições presidenciais. Juristas do grupo Prerrogativas pediram que a Polícia Federal realize perícia no áudio divulgado pela Veja. Para o grupo, há suspeitas de que a gravação tenha sido adulterada com a finalidade de interferir no segundo turno das eleições presidenciais.