Política

Candidatos sob suspeita de elo com crime organizado são eleitos

Fernando Henrique - Estágio DM

Publicado em 10 de outubro de 2026 às 15:15 | Atualizado há 16 minutos

Ney Santos, Antonio Rueda e Márcio Canella foram eleitos após terem suas candidaturas questionadas por suspeitas de vínculos com o crime organizado | Foto: Reprodução
Ney Santos, Antonio Rueda e Márcio Canella foram eleitos após terem suas candidaturas questionadas por suspeitas de vínculos com o crime organizado | Foto: Reprodução

Três candidatos dois deputados federais e um estadual foram eleitos entre os 30 postulantes de todo o país que foram questionados pela Procuradoria-Geral Eleitoral ou pela Justiça Eleitoral por suspeitas de manter ligações com o crime organizado.

O ex-prefeito de Embu das Artes (SP) Ney Santos (Republicanos) foi o deputado federal escolhido por 118,5 mil eleitores em São Paulo. Ele foi alvo de investigação pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo por supostos elos com o PCC (Primeiro Comando da Capital) em um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas em postos de combustíveis no estado.

Ficou foragido em 2016, ao ter a prisão decretada. A defesa diz que o MP-SP tenta ligar o ex-prefeito a uma facção criminosa “de forma leviana”. “Todas as imputações feitas pelo Ministério Público foram investigadas à exaustão e, ao final, por total ausência de prova, o Poder Judiciário sempre reconheceu sua inocência.”

Procurado, o ex-prefeito afirmou que as acusações não passam de factoides requentados, e que as investigações, iniciadas em 2010, não apontaram indício de prova que o ligasse a qualquer organização criminosa e, por isso, foram arquivadas por determinação judicial.

Rueda e Canella foram eleitos no Rio de Janeiro

Antonio Rueda (União Brasil-RJ), cuja vaga na Câmara dos Deputados foi conquistada com 155,8 mil votos, fez campanha conjunta com Márcio Canella (União Brasil-RJ), ex-prefeito de Belford Roxo, eleito deputado estadual na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) com 197,1 mil votos ficando atrás apenas de Índia Armelau (PL).

Canella contou com o apoio de dois milicianos condenados e nomeados secretários municipais de Belford Roxo pelo ex-prefeito mesmo após decisão judicial que os vinculava ao crime organizado. A defesa diz que Canella exonerou os funcionários após decisão definitiva, respeitando o direito de defesa, e diz que ele combateu facções durante a gestão.

O advogado de Rueda afirma que o candidato, que também é presidente nacional do União Brasil, não tem como conhecer todos os aliados dos postulantes com que faz “dobrada” e classificou o caso de uma “quarteirização” de responsabilidade.

Procurada, a assessoria de Rueda disse que o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, por unanimidade dos votos, afastou as acusações no dia 22 de setembro.

Em julho, Canella foi preso em flagrante após a Polícia Federal encontrar um fuzil em seu carro. Ele foi solto dias depois por determinação de Alexandre de Moraes, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), que cobrou explicações sobre a arma e determinou uso de tornozeleira eletrônica. A defesa sustenta que a arma pertencia a um policial da escolta do ex-prefeito.

Antes do registro das candidaturas, em fevereiro, o nome de Canella foi escolhido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, como um dos possíveis candidatos ao Senado de sua aliança no Rio de Janeiro. No domingo (4), os eleitos para representar o estado na casa foram Carlos Portinho e Carlos Jordy, ambos do PL.

Procurado, Canella se referiu às acusações de ligação com milicianos como “loucura” e disse que em seu mandato como deputado ele aprovou uma indicação legislativa para criar delegacias de combate às milícias.

“Isso aí é oposição que fica soltando isso para querer manchar minha imagem. E outra coisa, a minha maior defesa é o povo da minha cidade”, disse. “Eu sou ameaçado por miliciano, eu sou ameaçado por traficante em função do trabalho que eu faço. O resto é tudo mentira e conversa fiada”, continuou.

Outros candidatos ficaram como suplentes

Os registros de Ney Santos, Rueda e Canella foram autorizados pela Justiça Eleitoral. Entre a lista de 30 postulantes, outros dois integrantes com candidaturas autorizadas se tornaram suplentes.

Junior da Lucinha (PSD-RJ) filho da deputada estadual Lucinha (PSD), investigada por suposta ligação com uma milícia da zona oeste do Rio teve 25,8 mil votos para a Alerj, enquanto Jerson Domingos (União Brasil-MS), denunciado em ação penal contra uma quadrilha do jogo do bicho, foi escolhido por 16,8 mil eleitores.

Apesar de não terem sido eleitos, os outros 25 políticos da lista somam mais de 1 milhão de votos. Apenas Pastor Everaldo (Podemos-RJ) não recebeu votos, porque não concorreu como suplente do irmão, o candidato ao Senado Marcos Dias (Podemos). A chapa foi indeferida pelo TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro) e, depois, deferida com a substituição por Rafael JJ (Podemos).

Veja a lista completa

Candidatos com registro autorizado pela Justiça Eleitoral

Ney Santos (candidato a deputado federal pelo Republicanos-SP)
Eleito com 118.566 votos.

Antonio Rueda (candidato a deputado federal pelo União-RJ)
Eleito com 155.836 votos.

Márcio Canella (candidato a deputado estadual pelo União-RJ)
Eleito com 197.178 votos.

Junior da Lucinha (candidato a deputado estadual pelo PSD-RJ)
Suplente, recebeu 25.836 votos.

Jerson Domingos (candidato a deputado estadual pelo União-MS)
Suplente, recebeu 16.884 votos.

Cícero Lucena (candidato a governador pelo MDB-PB)
Não eleito, recebeu 252.884 votos.

Filipe Pereira (candidato a deputado federal pelo Podemos-RJ)
Não eleito, recebeu 10.647 votos.

Marcos Dias (candidato a senador pelo Podemos-RJ)
Não eleito, recebeu 194.605 votos.

Marcos Muller (candidato a deputado federal pelo Avante-RJ)
Não eleito, recebeu 11.563 votos.

Waguinho (candidato a senador pelo Republicanos-RJ)
Não eleito, recebeu 116.453 votos.

Candidatos com registro negado pela Justiça Eleitoral

Binho Galinha (candidato a deputado estadual pelo Avante-BA)
Não eleito, recebeu 23.474 votos.

Clébio Jacaré (candidato a deputado federal pelo União-RJ)
Não eleito, recebeu 12.269 votos.

Cristiane do Roberto Jefferson (candidata a deputada federal pelo DC-RJ)
Não eleita, recebeu 237 votos.

Cristiano Santos Hermógenes (candidato a deputado estadual pelo Avante-RJ)
Não eleito, recebeu 12.047 votos.

Diego Alba (candidato a deputado estadual pelo PSDB-RJ)
Não eleito, recebeu 48.547 votos.

Dinho Dowsley (candidato a deputado estadual pelo MDB-PB)
Não eleito, recebeu 22.611 votos.

Dr. Hugo (candidato a deputado estadual pelo Republicanos-AP)
Não eleito, recebeu 397 votos.

Jamilson Name (candidato a deputado estadual pelo PP-MS)
Não eleito, recebeu 35.211 votos.

João Drumond (candidato a deputado estadual pelo PRD-RJ)
Não eleito, recebeu 55.759 votos.

Mariana de Souza (candidata a deputada federal pelo PP-RJ)
Não eleita, recebeu 4.466 votos.

MC Hulk da Selva (candidato a deputado federal pelo DC-RJ)
Não eleito, recebeu 201 votos.

Pastor Everaldo (candidato a 1º suplente de senador pelo Podemos-RJ)
Não concorreu.

Paulo Lomenha (candidato a deputado federal pelo Mobiliza-RJ)
Não eleito, recebeu 2.302 votos.

Paulo Melo (candidato a deputado estadual pelo União-RJ)
Não eleito, recebeu 33.546 votos.

Renato Machado (candidato a deputado estadual pelo PT-RJ)
Não eleito, recebeu 48.300 votos.

Ricardo Abrão (candidato a deputado federal pelo PSDB-RJ)
Não eleito, recebeu 63.730 votos.

Vaguinho Neguinho (candidato a deputado estadual pelo PRD-RJ)
Não eleito, recebeu 27.391 votos.

Val Ceasa (candidato a deputado estadual pelo PRD-RJ)
Não eleito, recebeu 47.080 votos.

Vandro Família (candidato a deputado estadual pelo PSDB-RJ)
Não eleito, recebeu 16.219 votos.

Vitor Hugo Castelliano (candidato a deputado estadual pelo MDB-PB)
Não eleito, recebeu 292 votos. (Marina Costa/FOLHAPRESS)


Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia