Flávio Bolsonaro diz que votará pelo fim da escala 6×1, mas defende mudanças na PEC
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 13 de outubro de 2026 às 11:50 | Atualizado há 2 horas
Flávio Bolsonaro mudou de posição sobre a escala 6x1 e declarou apoio ao fim do modelo de trabalho | Foto: Diego Herculano/Reuters
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, afirmou que votará a favor do fim da escala de trabalho 6×1 no Senado. A declaração foi dada após uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar em Brasília (DF). Apesar de apoiar a medida defendida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), adversário de Flávio na disputa eleitoral, o senador argumentou que a proposta precisa de ajustes e defendeu mais liberdade para os trabalhadores definirem suas jornadas.
Flávio afirmou que sua posição acompanha a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros, mas defendeu uma alternativa que, na avaliação dele, ofereça condições mais flexíveis do que as previstas na Proposta de Emenda à Constituição (PEC).
Até então, o senador vinha criticando a iniciativa do governo Lula, que chegou a classificar como “oportunista” e “eleitoreira”. Agora, ele afirma que o fim da escala corresponde a um desejo dos eleitores, mas avalia que a proposta não contempla adequadamente diferentes realidades profissionais e familiares.
Entre os pontos levantados por Flávio estão as condições de quem trabalha em regime de home office e as necessidades de mães que precisam conciliar o emprego com os cuidados dos filhos. Para ele, a PEC não define como essas situações seriam tratadas e pode manter uma jornada rígida para pessoas que precisam de horários específicos.
O senador defendeu que os próprios trabalhadores tenham mais autonomia para organizar os horários de trabalho. Como exemplo, citou mães que só conseguem trabalhar quatro horas por dia ou precisam cumprir o expediente pela manhã ou à tarde por não terem com quem deixar os filhos. Na avaliação dele, a proposta também precisa esclarecer como funcionará para quem trabalha remotamente.
Flávio disse considerar o fim da escala 6×1 parte de um “processo de evolução” e defendeu que os trabalhadores tenham direito a períodos maiores de descanso. Ao mesmo tempo, criticou a situação econômica do país e atribuiu ao governo Lula o endividamento de empresas e famílias.
Na avaliação do senador, os empresários não teriam condições financeiras de arcar sozinhos com os custos de uma eventual mudança na jornada. Ele argumentou que a redução do tempo de trabalho pode exigir a contratação de mais funcionários e aumentar o risco de informalidade. Por isso, defendeu que o governo federal assuma os custos de uma possível compensação aos empregadores.
Flávio visita Jair Bolsonaro após 90 dias de restrição
A declaração sobre a escala de trabalho ocorreu no dia em que Flávio voltou a visitar o pai pessoalmente, após um período de 90 dias sem autorização para encontrá-lo. O senador chegou ao condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico, por volta das 9h45. Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar após ser condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar a trama golpista.
Depois do encontro, Flávio afirmou que saiu satisfeito com o estado de espírito do ex-presidente. Segundo o senador, Bolsonaro demonstrou otimismo com o resultado do primeiro turno das eleições e com a composição do Congresso Nacional a partir de 2027, que, na avaliação dele, terá um Senado e uma Câmara dos Deputados mais alinhados à direita.
A retomada das visitas foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após o encerramento, no último domingo (11), do período de restrição. Ao decidir não prorrogar a medida, o magistrado afirmou que não havia fatos novos que justificassem a continuidade da proibição.
Na segunda-feira (12), durante uma coletiva após uma cerimônia em homenagem ao Dia da Padroeira, em Brasília, Flávio havia falado sobre a expectativa de reencontrar o pai. Na ocasião, criticou a decisão judicial que o impediu de visitá-lo por três meses e afirmou que queria saber como Bolsonaro estava fisicamente e como se sentia diante dos acontecimentos recentes.
A proibição foi determinada após Jair Bolsonaro descumprir medidas cautelares impostas pelo STF. Entre as restrições estabelecidas por Moraes estava a divulgação de manifestos ou mensagens de conteúdo político-eleitoral, inclusive por intermédio de terceiros e independentemente do meio utilizado. A decisão ocorreu depois que Flávio publicou nas redes sociais uma carta escrita pelo pai.
Como consequência, o ministro determinou que o senador ficasse impedido de visitar o ex-presidente durante 90 dias. Na segunda-feira, Moraes autorizou a retomada dos encontros, mas manteve a proibição de manifestações políticas.
Candidato amplia articulações para o segundo turno
Após deixar a residência do pai, Flávio Bolsonaro seguiu para São Paulo, onde tinha reuniões previstas com o MDB e participação no Grande Encontro do Associativismo, ao lado de Daniella Marques, coordenadora econômica de sua campanha.
Na semana anterior, o senador havia conversado com o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, para acertar o anúncio de apoio de diretórios regionais da legenda.
Na disputa pelo segundo turno, marcado para 25 de outubro, Flávio ampliou suas alianças com o apoio de União Brasil, Podemos, PP, Republicanos e Novo.