Linfoma não Hodgkin, câncer que causou a morte de Netinho, afeta células de defesa
Léo Carvalho
Publicado em 13 de outubro de 2026 às 16:14 | Atualizado há 41 minutos
O cantor Netinho morreu aos 60 anos após complicações de um linfoma não Hodgkin do tipo B | Foto: Foto: Reprodução/Instagram
O cantor Netinho morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em Salvador (BA), após complicações de um linfoma não Hodgkin do tipo B. Diagnosticado em março de 2025, o câncer entrou em remissão naquele ano, mas voltou em maio de 2026, de forma mais agressiva. O quadro evoluiu para falência renal e disfunção múltipla de órgãos, conforme comunicado divulgado pela equipe do artista.
O linfoma não Hodgkin é um grupo de cânceres que se desenvolvem nos linfócitos, células que fazem parte do sistema imunológico. A doença pode surgir em diferentes regiões do corpo e apresenta dezenas de subtipos, com características e velocidades de progressão distintas.
De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deverá registrar 12.560 novos casos por ano entre 2026 e 2028, sendo 6.580 em homens e 5.980 em mulheres.
O que é o linfoma não Hodgkin do tipo B?
O sistema linfático é formado por vasos, gânglios e órgãos que transportam a linfa e participam da defesa do organismo. É nesse sistema que se encontram os linfócitos, células responsáveis por combater infecções e outras ameaças à saúde.
Os linfomas não Hodgkin podem ter origem nos linfócitos B, nos linfócitos T ou nas células natural killer (NK). Os linfócitos B são responsáveis pela produção de anticorpos, proteínas que ajudam o organismo a identificar e combater agentes infecciosos.
Os linfomas de células B são os mais frequentes e correspondem a aproximadamente 85% dos casos de linfoma não Hodgkin, segundo o A.C. Camargo Cancer Center.
Existem diferentes subtipos dentro desse grupo. O linfoma difuso de grandes células B costuma apresentar crescimento rápido, enquanto o linfoma folicular geralmente tem evolução mais lenta.
Por isso, a classificação como tipo B não determina, isoladamente, a gravidade da doença. O comportamento do câncer depende do subtipo específico, da extensão da doença e das condições clínicas do paciente.
Quais são os sintomas?
Um dos sinais mais comuns é o aumento dos gânglios linfáticos, que pode aparecer como caroços geralmente indolores no pescoço, nas axilas ou na virilha. O aumento também pode ocorrer em regiões internas do corpo, como o tórax e o abdômen.
Outros sintomas possíveis são:
- Febre persistente sem causa aparente.
- Suor noturno excessivo.
- Perda de peso sem explicação.
- Cansaço e fraqueza.
- Coceira na pele.
- Tosse ou falta de ar, quando há comprometimento da região torácica.
A presença desses sintomas não significa necessariamente que a pessoa tenha linfoma. No entanto, alterações persistentes ou sem causa identificada devem ser avaliadas por um profissional de saúde.
Como é feito o diagnóstico?
A confirmação do linfoma não Hodgkin geralmente ocorre por meio de uma biópsia. O procedimento consiste na retirada de uma amostra de tecido, frequentemente de um gânglio aumentado, para análise em laboratório.
Exames de sangue e de imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética, podem ajudar a avaliar a extensão da doença. Em determinadas situações, também é necessário examinar a medula óssea para verificar se o câncer atingiu a região responsável pela produção das células sanguíneas.
Os resultados permitem identificar o subtipo do linfoma e determinar o estágio da doença, informações fundamentais para a definição do tratamento.
Como funciona o tratamento?
A escolha do tratamento depende do subtipo do linfoma, da velocidade de crescimento, do estágio e das condições gerais do paciente.
Entre as opções estão quimioterapia, imunoterapia e radioterapia. Também podem ser indicadas terapias-alvo, que atuam sobre características específicas das células cancerígenas, e a terapia CAR-T, que modifica células de defesa do próprio paciente para ajudá-las a combater o câncer.
Em alguns casos, pode ser necessário um transplante de células-tronco hematopoéticas, procedimento que auxilia na recuperação da produção de células sanguíneas após tratamentos intensivos.
Nem todos os linfomas exigem tratamento imediato. Em determinados tipos de crescimento lento, o médico pode recomendar acompanhamento regular e iniciar a terapia quando houver progressão da doença ou surgimento de sintomas. Já os subtipos agressivos geralmente precisam de intervenção rápida.
É possível prevenir ou detectar precocemente?
Para pessoas sem sintomas, o Inca não recomenda exames de rastreamento para o linfoma não Hodgkin, pois não há evidências de que essa estratégia ofereça mais benefícios do que riscos.
A investigação de sinais suspeitos, como gânglios aumentados por tempo prolongado e perda de peso inexplicada, pode contribuir para identificar a doença e iniciar o tratamento oportunamente.
Entre os fatores associados ao aumento do risco estão condições que comprometem o sistema imunológico, como a infecção pelo HIV e o uso de medicamentos imunossupressores. Algumas infecções também estão relacionadas a determinados subtipos, incluindo as provocadas pelos vírus Epstein-Barr e HTLV-1 e pela bactéria Helicobacter pylori.
A exposição a determinadas substâncias químicas, como benzeno, agrotóxicos e solventes, também está associada a alguns tipos de linfoma.
Qual é a diferença entre os linfomas de Hodgkin e não Hodgkin?
Os dois tipos são cânceres que afetam o sistema linfático, mas apresentam diferenças nas células identificadas durante a análise do tecido.
O linfoma de Hodgkin é caracterizado pela presença de células alteradas específicas, chamadas células de Reed-Sternberg.
Já o linfoma não Hodgkin reúne um conjunto mais amplo de doenças, que podem se originar em diferentes tipos de linfócitos e apresentar comportamentos variados, desde formas de crescimento lento até tumores agressivos.
A identificação precisa do tipo de linfoma é essencial para determinar a conduta médica e as possibilidades de tratamento.