Netflix já usou inteligência artificial em cerca de 300 filmes e séries, diz diretor
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 14 de outubro de 2026 às 10:22 | Atualizado há 2 horas
Netflix já utilizou inteligência artificial em cerca de 300 produções | Foto: Jonathan Raa/NurPhoto/Getty Images
A Netflix já recorreu a ferramentas de inteligência artificial (IA) em aproximadamente 300 produções, entre filmes e séries. A tecnologia vem sendo aplicada em diferentes fases do desenvolvimento dos títulos, desde o planejamento visual até a edição e a criação de efeitos especiais, segundo Lee Sung-gyun, diretor da plataforma na região da Ásia e do Pacífico. A informação foi divulgada pela revista Variety.
A declaração foi feita durante o Festival Internacional de Cinema de Busan, na Coreia do Sul. Durante o evento, o executivo explicou que a inteligência artificial tem contribuído para aprimorar o trabalho das equipes envolvidas nas produções audiovisuais.
“Em cerca de 300 títulos da Netflix, a IA foi utilizada de diversas maneiras”, afirmou Lee. Entre as aplicações mencionadas por ele estão a pré-visualização de cenas, o design de produção, o desenvolvimento antecipado de conceitos para a decoração de cenários, a edição e os efeitos visuais.
Durante o painel, os participantes também assistiram a um vídeo produzido pela Eyeline, estúdio de efeitos visuais ligado à Netflix. A apresentação mostrou o conceito de “produção híbrida”, que reúne gravações com atores reais, recursos tradicionais de efeitos visuais e ferramentas de inteligência artificial generativa.
Tecnologia pode viabilizar cenas que seriam descartadas
Uma das possibilidades apresentadas é o uso da IA na criação de grandes cenas com multidões. Segundo Lee, a tecnologia foi empregada nesse tipo de trabalho no filme Glory, produção da Netflix Índia.
O diretor explicou que sequências dessa dimensão podem acabar excluídas de projetos quando os custos e os prazos disponíveis não permitem sua realização pelos métodos convencionais. Nesse cenário, as ferramentas de inteligência artificial podem ajudar as equipes a executar cenas que, de outra forma, seriam inviáveis.
Apesar de destacar os recursos tecnológicos, Lee afirmou que a adoção da IA não altera o propósito central da produção de histórias. Para ele, as ferramentas contribuem para aprimorar a execução dos projetos, mas não determinam as razões pelas quais uma narrativa deve ser contada.
“Todas essas mudanças tecnológicas e novas ferramentas ajudaram muito no ‘como’, em como aprimoramos o que fazemos, mas nunca definiram o ‘porquê’, por que precisamos contar essa história”, declarou. Em seguida, acrescentou que o mesmo princípio se aplica à inteligência artificial.
Uso de IA já gerou controvérsia envolvendo Stranger Things
A presença da inteligência artificial na Netflix já havia provocado discussões em 2025, quando espectadores levantaram suspeitas de que os roteiristas de Stranger Things teriam utilizado uma ferramenta generativa na elaboração da quinta temporada.
A especulação surgiu após o lançamento de um documentário sobre os bastidores da série. Nas redes sociais, internautas afirmaram ter identificado, na tela de um computador usado por um dos roteiristas, uma aba de navegador com o logotipo do ChatGPT.
As imagens levaram fãs a questionar se a ferramenta havia sido utilizada durante o processo de escrita dos episódios. Na ocasião, a Netflix não se manifestou sobre as acusações.