Política

PF prende deputado estadual eleito pelo União Brasil e ex-chefe da Polícia Civil do Rio

Léo Carvalho

Publicado em 15 de outubro de 2026 às 11:04 | Atualizado há 1 hora

Marcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo, e Marcus Amim, ex-chefe da Polícia Civil do Rio, foram presos em nova fase da Operação Unha e Carne | Foto: Reprodução
Marcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo, e Marcus Amim, ex-chefe da Polícia Civil do Rio, foram presos em nova fase da Operação Unha e Carne | Foto: Reprodução

O deputado estadual eleito Marcio Canella (União Brasil-RJ), ex-prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, e o delegado Marcus Amim, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, foram presos nesta quinta-feira (15) durante uma operação da Polícia Federal contra um esquema de lavagem de dinheiro ligado a postos de combustíveis.

A ação corresponde à oitava fase da Operação Unha e Carne, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Além dos dois, foram presos os policiais civis Cristiano Gaspar Fernandes, Giovanne Gaspar Fernandes, José Carlos Alves de Souza Junior e Pablo Juquiá Félix Ferreira, conhecido como Pablo Russo.

Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme dados de um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

A operação também cumpre 16 mandados de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo. A investigação apura suspeitas de organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, comércio ilegal de combustíveis e formação de cartel.

A defesa de Canella informou que ainda não teve acesso à decisão que determinou a prisão. As defesas dos demais investigados foram procuradas. Até a publicação das informações que embasam esta reportagem, a Polícia Civil do Rio não havia se manifestado.

Esta não é a primeira vez que Canella é preso no âmbito da investigação. Em 7 de julho, ele e Marcus Amim foram detidos em uma operação também autorizada por Moraes. Na ocasião, a Polícia Federal encontrou um fuzil calibre 5,56 no veículo do então pré-candidato ao Senado.

Canella negou ser o proprietário da arma. Após ser solto, em 10 de julho, seus advogados argumentaram que a prisão não se justificava, pois o armamento era legalizado e estava registrado em nome do policial militar responsável por sua segurança. A documentação, segundo a defesa, foi apresentada ao Supremo.

Canella recebeu 197 mil votos na eleição para deputado estadual, tornando-se o segundo candidato mais votado do Rio de Janeiro. Seu nome também chegou a ser indicado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, para disputar uma vaga no Senado.

Durante sua gestão à frente da Prefeitura de Belford Roxo, Canella nomeou dois homens condenados por práticas de milícia para cargos de secretários municipais, conforme reportagem publicada anteriormente pela Folha de S.Paulo.

Marcus Amim assumiu a chefia da Polícia Civil do Rio de Janeiro em outubro de 2023, após pressão de deputados estaduais sobre o então governador Cláudio Castro (PL). Ele substituiu o delegado José Renato Torres, que permaneceu cerca de um mês no cargo.

Amim foi exonerado em setembro de 2024 e substituído pelo delegado Felipe Curi. Na sequência, assumiu a coordenação de segurança da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), durante a presidência de Rodrigo Bacellar (PL), que também está preso.

O delegado mantinha relações políticas com Canella. Quando exercia mandato de deputado estadual, o ex-prefeito concedeu a Amim a Medalha Tiradentes, principal honraria da Alerj.

De acordo com a Polícia Federal, a investigação sobre o esquema foi tema de uma reunião entre integrantes da cúpula da corporação e Alexandre de Moraes em 6 de outubro. O encontro, realizado fora das agendas oficiais, provocou repercussão e desgastes internos no Supremo, segundo as informações divulgadas sobre o caso.

A nova fase da Operação Unha e Carne busca aprofundar a apuração sobre a estrutura financeira do grupo e a participação dos investigados. As responsabilidades individuais deverão ser estabelecidas no decorrer das investigações. (Com informações de JOSÉ MARQUES E BRUNA FANTTI/Folhapress)


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