Metrópoles e Folha trocam acusações sobre influência de Vorcaro
Redação Online
Publicado em 18 de outubro de 2026 às 00:08 | Atualizado há 47 minutos
Sede do jornal Folha de S.Paulo e portal Metrópoles em meio à disputa pública sobre influência de Daniel Vorcaro | Foto: Reprodução
A crise entre o portal Metrópoles e o jornal Folha de S.Paulo começou a partir de informações reveladas pelo UOL e reproduzidas pela Folha, baseadas em diálogos da Polícia Federal encontrados no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. As mensagens indicavam que Vorcaro negociava pagamentos que somariam R$ 51,9 milhões ao Metrópoles, sendo R$ 20 milhões em contratos publicitários. A investigação apontou ainda que o banqueiro revisava, editava e alterava textos do portal antes de irem ao ar, além de direcionar pautas e ataques contra diretores do Banco Central.
Em resposta, o Metrópoles publicou uma reportagem expondo mensagens de agosto de 2024 entre Vorcaro e seu então gestor de crises, Guilherme Barros. O portal afirmou que Vorcaro teria pago R$ 1 milhão a Barros para que ele intercedesse junto à cúpula da Folha a fim de adiar e suavizar uma reportagem sobre o banqueiro. O Metrópoles também ironizou o fato de a Folha ter recebido R$ 516.441,60 em anúncios de empresas ligadas a Vorcaro ao longo de cinco anos.
A Folha de S.Paulo reagiu duramente, classificando a reportagem do concorrente como “mentirosa” e “retaliatória”. O jornal confirmou os valores recebidos de publicidade legal declarada, mas negou categoricamente qualquer interferência na produção jornalística. Argumentou que a matéria de 2024 foi publicada no prazo correto e que o tempo de espera serviu unicamente para ouvir o outro lado, prática padrão do jornalismo sério.
O consultor Guilherme Barros e o diretor de redação da Folha, Sérgio Dávila, confirmaram que o dinheiro citado pelo Metrópoles foi um pagamento de honorários privados ao consultor e não teve qualquer relação com a redação do jornal, que manteve sua independência na publicação.