Internacional

Chefe do Exército britânico alerta para risco de guerra

Fernando Henrique - Estágio DM

Publicado em 18 de outubro de 2026 às 12:55 | Atualizado há 59 minutos

General Roly Walker afirma que a população britânica precisará apoiar as Forças Armadas diante dos riscos de um possível conflito | Foto: Divulgação
General Roly Walker afirma que a população britânica precisará apoiar as Forças Armadas diante dos riscos de um possível conflito | Foto: Divulgação

O chefe do Exército britânico, general Sir Roly Walker, afirmou que a população do Reino Unido precisará estar preparada para fazer sacrifícios para reforçar a defesa do país diante do que classificou como um momento de “extremo perigo” no cenário internacional.

Em discurso a cerca de 700 militares na guarnição de Catterick, no norte da Inglaterra, Walker disse que os britânicos terão de aceitar que a preparação para uma eventual guerra exigirá não apenas mais recursos para as Forças Armadas, mas também a participação da sociedade. Segundo ele, líderes políticos deverão em breve iniciar uma “conversa franca” com a população sobre os riscos enfrentados pelo país.

O discurso foi divulgado pelo portal Forces News, especializado nas Forças Armadas britânicas.

“Os cidadãos terão de consentir em sacrifícios para priorizar a defesa e a segurança”, afirmou o general. Ele disse ainda que a população precisará entender o papel das Forças Armadas e apoiá-las caso sejam chamadas a combater.

“Nosso país vai precisar de vocês”, disse Walker aos soldados. Para ele, o período em que o Reino Unido podia evitar pensar na possibilidade de seus militares serem enviados para uma guerra chegou ao fim. “O negócio de ser soldado está voltando à consciência nacional”, afirmou.

Reino Unido enfrenta pressão para ampliar gastos militares

Membros da Guarda Real ajustando uma cortina com o tema bandeira do Reino Unido | Foto: Aaron Chown/Pool/AFP

A declaração ocorre em meio à pressão para que o governo britânico aumente os gastos militares, diante da guerra da Rússia contra a Ucrânia e de uma avaliação mais ampla de que o país não estaria preparado para um conflito de grande escala. O governo se comprometeu a elevar os gastos com defesa para 3,5% da renda nacional até 2035, ante cerca de 2,6% atualmente.

A discussão também envolve uma disputa sobre de onde virão os recursos. O ministro da Defesa, Wes Streeting, afirmou recentemente que ampliar o orçamento militar exigirá “escolhas e compensações”. Já o governo enfrenta pressão para preencher um buraco de cerca de 5 bilhões de libras no planejamento de investimentos em defesa. O orçamento do governo está previsto para 28 de outubro.

Walker afirmou que a população poderá ser chamada a desempenhar um papel mais direto na preparação para um eventual conflito. “Eles precisarão entender o que está acontecendo no mundo da defesa e da segurança e por que este parece ser um momento muito perigoso”, disse.

Pesquisa aponta resistência a uma possível mobilização militar

O alerta ocorre também em um momento de resistência da população a uma possível mobilização militar. Uma pesquisa do Ipsos citada pela imprensa britânica apontou que metade dos britânicos não estaria disposta, em nenhuma circunstância, a lutar pelo país.

Ao mesmo tempo, mais da metade apoia o aumento dos gastos com defesa. Entre os que defendem o aumento, 37% preferem que o dinheiro seja retirado de outras áreas do orçamento público, enquanto 36% apoiam uma elevação de impostos.

Capacidade das Forças Armadas é questionada

A capacidade das Forças Armadas britânicas também vem sendo questionada. Segundo relatos recentes, o Exército não dispõe de comandantes em número suficiente para operar seus principais tanques de batalha, e exercícios militares foram cancelados por falta de recursos.

Em 2024, o antecessor de Walker, general Sir Patrick Sanders, já havia defendido que a população precisaria estar preparada para ser convocada caso o Reino Unido entrasse em guerra, diante do tamanho reduzido do Exército profissional.

Walker afirmou que, em um conflito terrestre, o peso da defesa do país recairia sobretudo sobre os soldados mais jovens e menos experientes. “É sobre vocês que repousará a defesa desta nação, se, no fim, forem chamados para lutar”, disse aos militares.


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