Política

Lula e Flávio travam duelo de acusações de corrupção e ataques a familiares em debate tenso

Redação Online

Publicado em 18 de outubro de 2026 às 23:10 | Atualizado há 1 hora

Lula e Flávio Bolsonaro participam do primeiro debate do segundo turno na Band, marcado por acusações de corrupção, ataques pessoais e conflitos entre campanhas | Foto: Reprodução
Lula e Flávio Bolsonaro participam do primeiro debate do segundo turno na Band, marcado por acusações de corrupção, ataques pessoais e conflitos entre campanhas | Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) protagonizaram, neste domingo (18/10), um confronto marcado por acusações de corrupção, referências a familiares e discussões sobre segurança pública. O primeiro debate televisivo entre os candidatos no segundo turno, promovido pela Band, também registrou conflitos entre as campanhas e intervenções da plateia.

O candidato do PL cobrou explicações sobre Roberta Luchsinger, investigada em inquéritos que também envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por suspeitas de corrupção e tráfico de influência. Lula respondeu que a Polícia Federal tem autonomia para investigar qualquer pessoa, inclusive integrantes de sua família. O presidente também acusou Jair Bolsonaro de interferir na instituição para proteger interesses pessoais.

O petista questionou o adversário sobre R$ 134 milhões que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, teria destinado ao filme “Dark Horse”, dedicado à trajetória de Jair Bolsonaro. Flávio não esclareceu a aplicação dos recursos. Segundo o The Intercept Brasil, aproximadamente R$ 61 milhões foram transferidos para um fundo administrado por Paulo Calixto, advogado ligado a Eduardo Bolsonaro.

Lula chamou Flávio de “malandro carioca” e, após uma tentativa de aproximação do adversário, declarou que preferia manter distância de “miliciano”. O senador provocou o presidente com perguntas sobre criminalidade e o voto de presos. Ao mencionar o apoio eleitoral da população carcerária, ouviu como resposta: “Eu quero 100%, até do seu pai”.

A emissora concedeu um minuto adicional ao candidato do PL no encerramento do primeiro bloco, sem divulgar a justificativa. Flávio utilizou o espaço para abordar segurança pública e apresentar propostas direcionadas à população de baixa renda e às mulheres. O confronto também exigiu intervenções dos mediadores para conter interrupções e preservar as regras.

Lula pressionou Flávio sobre a possibilidade de revisão da legislação que extinguiu a escala 6×1. O senador, que havia sinalizado a aliados a intenção de alterar pontos da proposta, negou que apresentará mudanças. Também acusou o presidente de divulgar informações falsas sobre suas posições econômicas e trabalhistas.

Flávio anunciou que convidou o médico Claudio Lottenberg, ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, para comandar o Ministério da Saúde em eventual governo. Prometeu elevar o padrão do Sistema Único de Saúde (SUS). Lula rebateu com críticas à condução da pandemia de Covid-19 pelo governo Jair Bolsonaro e questionou se o adversário pretendia privatizar o sistema público.

O candidato do PL criticou a política de segurança do governo federal e acusou Lula de priorizar direitos de criminosos. O presidente respondeu que Flávio pretendia conceder indulto ao pai, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. A discussão também envolveu a saída temporária de presos e a proteção das vítimas da violência.

Lula questionou se Flávio permitiria maior controle americano sobre as reservas brasileiras de terras raras. O senador criticou a atuação diplomática do governo diante das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. Também acusou o presidente de defender facções criminosas, em referência à posição brasileira contrária à classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.

A tensão aumentou quando Flávio permaneceu atrás de Lula durante as considerações finais. Integrantes da campanha petista protestaram, e a mediadora solicitou o afastamento do senador. O encerramento foi acompanhado por gritos das duas plateias, que alternaram manifestações de apoio aos candidatos e dificultaram os agradecimentos finais dos apresentadores.


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