Justiça Federal revela esquema milionário do PCC e condena quatro acusados
Redação Online
Publicado em 21 de outubro de 2026 às 12:06 | Atualizado há 33 minutos
Operação Elo Fraco expõe movimentações financeiras ligadas ao PCC | Foto: Reprodução
A Justiça Federal em Goiás condenou quatro dos seis réus investigados por participação em um esquema de lavagem de dinheiro associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), nesta semana. As penas variam de três anos a 31 anos e seis meses de prisão. Os outros dois acusados foram absolvidos por falta de provas suficientes. A decisão acolheu parcialmente a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF).
As investigações da Operação Elo Fraco apontaram o uso de empresas e contas bancárias para ocultar recursos obtidos principalmente com o tráfico internacional de drogas. O grupo também mantinha atividades relacionadas ao comércio ilegal de armas. As condenações, no entanto, dizem respeito à lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de entorpecentes.
Segundo a denúncia, o esquema tinha funções definidas entre os integrantes. Um dos líderes comandava as operações, inclusive do exterior, enquanto um operador financeiro executava as movimentações no Brasil por meio de uma distribuidora de bebidas. A empresa não possuía sede física nem funcionários e tampouco emitia notas fiscais, de acordo com as apurações.
Entre as transações identificadas, cerca de R$ 94 mil foram enviados a um comerciante na Bolívia para custear compras do líder, que utilizava identidade falsa no país. Outros R$ 283 mil seguiram para uma empresa de importação e exportação em Guajará-Mirim (RO), município localizado na fronteira com o território boliviano. Até despesas particulares foram incluídas nas movimentações: R$ 7 mil foram destinados ao pagamento da babá dos filhos do chefe do grupo, sob a justificativa de gasto empresarial.
A investigação também identificou depósitos em dinheiro vivo divididos em operações menores. Em janeiro de 2019, R$ 70 mil foram depositados em duas transações realizadas no mesmo dia, em bancos diferentes, para beneficiar o mesmo comerciante. Em outra operação, R$ 116 mil entraram na conta de uma construtora sem atividade efetiva, por meio de três depósitos.
Conforme a denúncia, a divisão dos valores buscava simular movimentações comerciais legítimas e escapar dos mecanismos automáticos de controle financeiro. A construtora e uma empresa de assessoria, ambas consideradas de fachada, também realizavam transferências entre si e seus sócios. Registradas no mesmo endereço, as duas movimentaram aproximadamente R$ 63,8 milhões e R$ 4 milhões, respectivamente, durante o período examinado.