PF encontra sala blindada em hangar ligado a amigo de Flávio Bolsonaro
Léo Carvalho
Publicado em 22 de outubro de 2026 às 10:40 | Atualizado há 2 horas
PF encontrou sala com porta blindada em hangar utilizado por empresas de aviação do advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio | Foto: Divulgação
A Polícia Federal encontrou uma sala com acesso oculto em um hangar do Aeroporto Internacional de Brasília utilizado por empresas de aviação do advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No ambiente, os agentes localizaram equipamentos para armazenar e movimentar dinheiro, incluindo uma máquina de contar cédulas e malas destinadas ao transporte de grandes quantias.
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A descoberta foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pelo jornal Diário da Manhã. Segundo as informações divulgadas, os investigadores não encontraram dinheiro em espécie no cômodo, mas identificaram uma estrutura preparada para a guarda de valores.
O espaço foi localizado durante diligências relacionadas à Operação Sem Desconto, que investiga suspeitas de fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
De acordo com os relatos sobre a investigação, a Polícia Federal recebeu uma denúncia anônima sobre a existência de um ambiente escondido no hangar. Após retornar ao local, os agentes fizeram uma inspeção direcionada e identificaram sinais de alteração em uma das paredes do escritório.
Atrás de um revestimento de madeira, havia uma porta metálica aparentemente blindada, que dava acesso à sala. Além da máquina de contar cédulas e das malas vazias, os policiais encontraram prateleiras destinadas ao armazenamento de objetos e valores.
A PF solicitou perícia para coletar impressões digitais e identificar possíveis usuários do espaço. Os investigadores também querem esclarecer se houve retirada de dinheiro durante o intervalo entre a saída das equipes policiais e o retorno ao hangar.
Aeronaves apreendidas
As diligências ocorreram em 7 de agosto, nos hangares 36 e 37 da área executiva do aeroporto de Brasília. Na ocasião, os agentes apreenderam quatro aeronaves vinculadas às empresas de Willer Tomaz, sendo dois helicópteros e dois aviões. Os veículos permaneceram retidos nos hangares.
A Polícia Federal também recolheu listas de passageiros e diários de bordo referentes aos últimos anos. O material está sendo analisado para identificar quem utilizava as aeronaves, empregadas em serviços de táxi aéreo.
A investigação busca esclarecer a movimentação de pessoas e eventuais relações entre os usuários dos aviões e os fatos apurados pela corporação.
Advogado contesta suspeitas
Willer Tomaz afirmou que a sala e os equipamentos fazem parte da estrutura operacional destinada ao atendimento de empresas de transporte de valores e clientes de suas companhias de aviação.
Em nota, o advogado declarou que o ambiente está sujeito a protocolos de segurança, controle e custódia previstos na regulamentação do setor. Segundo ele, a presença de compartimentos protegidos, malotes e máquinas de contagem de dinheiro é compatível com a atividade empresarial.
Tomaz negou que essas instalações indiquem a existência de irregularidades e classificou como fantasiosa a suspeita de que o espaço seria utilizado para guardar ou contar dinheiro de origem ilícita.
O advogado também criticou a interpretação dos investigadores e afirmou que equipamentos associados a uma atividade legal não devem ser tratados como evidência de crime sem provas.
PF pede investigação sobre Flávio Bolsonaro
A descoberta da sala ocorre em meio a outra frente de apuração envolvendo Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro. Na semana passada, a Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal um pedido de abertura de inquérito para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado.
O ministro Alexandre de Moraes foi sorteado para analisar o caso. Até o momento descrito nas informações divulgadas, o pedido ainda não havia sido convertido em inquérito, pois aguardava manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) ou decisão judicial.
A campanha de Flávio afirmou à Folha de S.Paulo, no domingo (18), que o senador não é investigado no Supremo e ressaltou que o procedimento ainda não havia resultado na abertura formal de um inquérito.
Viagens à Europa entram na apuração
Uma das frentes da investigação envolve viagens realizadas por Flávio à Europa em 2025. Reportagem publicada pela Folha de S.Paulo em 16 de outubro apontou que uma empresa do setor de apostas pertencente a Willer Tomaz pagou os voos do senador.
Segundo a apuração jornalística, a companhia atuou como intermediária na compra das passagens, que teriam sido utilizadas para custear viagens particulares envolvendo integrantes das famílias do advogado e do parlamentar.
A Polícia Federal também identificou que Flávio possuía acesso operacional relevante, na condição de usuário master, a uma conta bancária da Alcazar Holding, empresa offshore da qual Willer é sócio. Em maio de 2025, foi solicitada a exclusão do acesso do senador à conta.
Os investigadores encontraram ainda registros de festas, encontros e reuniões que indicam proximidade entre os dois. Questionado sobre as viagens, Flávio declarou que sua relação com Willer é exclusivamente de amizade.
Advogado também é investigado no caso do INSS
Willer Tomaz é investigado sob suspeita de envolvimento em repasses de recursos provenientes de fraudes contra a Previdência Social. A apuração integra o conjunto de investigações relacionadas ao esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS.
O advogado também é proprietário da Rede Loto, empresa do setor de apostas que obteve autorização para operar no estado do Rio de Janeiro em maio de 2023, conforme as informações divulgadas.
As investigações sobre a sala encontrada no hangar, as movimentações financeiras e as relações empresariais e pessoais entre Willer e Flávio seguem em frentes distintas. A existência de suspeitas e a realização de diligências policiais não representam, por si só, comprovação de crime.