Esportes

Clubes da Série A devem R$ 4,85 bilhões por contratações de jogadores

Léo Carvalho

Publicado em 22 de outubro de 2026 às 14:59 | Atualizado há 39 minutos

Botafogo, Palmeiras e Flamengo estão entre os clubes da Série A com maiores compromissos financeiros por contratações de jogadores | Foto: Reprodução
Botafogo, Palmeiras e Flamengo estão entre os clubes da Série A com maiores compromissos financeiros por contratações de jogadores | Foto: Reprodução

Os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro começaram 2026 com R$ 4,85 bilhões em compromissos financeiros relacionados à contratação de jogadores. O valor representa 28% dos R$ 17,34 bilhões em dívidas acumuladas pela elite do futebol nacional, segundo levantamento da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), elaborado a partir dos balanços de 31 de dezembro de 2025.

O montante reúne pagamentos de transferências previstos para 2026 e para os anos seguintes. Portanto, não corresponde ao total gasto pelos clubes no mercado de jogadores, mas aos valores que ainda precisam ser quitados, tanto no curto quanto no longo prazo.

A existência dessas obrigações não significa, necessariamente, atraso nos pagamentos ou inadimplência. Para avaliar a situação financeira de cada equipe, é necessário considerar fatores como receitas, disponibilidade de caixa e capacidade de cumprir os compromissos assumidos.

Os números, no entanto, mostram diferenças importantes entre os clubes na utilização de pagamentos parcelados para reforçar seus elencos.

O Botafogo aparece na primeira posição, com R$ 979 milhões em dívidas relacionadas a transferências. A situação financeira do clube foi agravada pela crise na estrutura empresarial ligada a John Textor e pelo rompimento da relação financeira com o Lyon, que integra a rede multiclubes associada ao empresário.

Com dificuldades de caixa, o time enfrentou sucessivos transfer bans impostos pela Fifa, que impedem o registro de novos jogadores. A paralisação dessas restrições ocorreu após a entrada da SAF do Botafogo em recuperação judicial.

O Palmeiras ocupa a segunda posição, com R$ 831 milhões em compromissos por contratações. O valor está relacionado, entre outros fatores, aos investimentos realizados no mercado, como as aquisições de Vitor Roque e Paulinho.

No balanço do clube, as transferências representam 73% do endividamento total. É a maior proporção entre as equipes da Série A, de acordo com os dados da Anresf.

Em 2026, o Palmeiras voltou a investir em reforços com a contratação de Jhon Arias, em uma operação estimada em 25 milhões de euros, cerca de R$ 155 milhões. Como os pagamentos são frequentemente divididos em parcelas, parte dos compromissos permanece registrada para os próximos anos.

O Flamengo começou o ano com R$ 497 milhões em dívidas de curto e longo prazo relacionadas a transferências. O valor correspondia a 52% do endividamento total do clube na data de referência do levantamento.

Esse cenário ainda não considera a contratação de Lucas Paquetá, cuja operação foi contabilizada pelo clube em R$ 315 milhões, incluindo direitos econômicos, luvas e intermediação. O negócio foi apontado como a maior operação desse tipo na história do futebol sul-americano.

A capacidade de investimento do Flamengo está ligada ao volume de receitas. Em 2025, o clube alcançou R$ 2 bilhões, patamar que amplia suas possibilidades de financiar contratações e assumir compromissos futuros.

No fim do ano passado, o presidente Luiz Eduardo Baptista afirmou que o Flamengo poderia aumentar seu endividamento em 2026, considerando a capacidade financeira da instituição. A possibilidade de restrições comerciais envolvendo patrocínios de casas de apostas, porém, passou a representar uma fonte de incerteza.

O clube já declarou que poderá conter os gastos com contratações caso a proibição desse tipo de patrocínio seja mantida.

Atlético-MG e Cruzeiro completam o grupo dos cinco clubes da Série A com os maiores valores de dívidas relacionadas a transferências, ao lado de Botafogo, Palmeiras e Flamengo.

O levantamento da Anresf não detalha quanto dos compromissos de cada equipe vence em 2026 e quanto ficará para os anos seguintes. Essa divisão seria necessária para uma comparação mais precisa da pressão financeira imediata sobre os clubes.

Os dados também mostram que dívidas elevadas podem ter significados diferentes. Enquanto equipes com receitas robustas conseguem distribuir pagamentos ao longo do tempo, clubes com dificuldades de caixa podem enfrentar obstáculos para honrar contratos e registrar novos atletas.


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