Política

Lula e Flávio Bolsonaro assinam acordo para abrir sigilos bancário, fiscal e telefônico

Léo Carvalho

Publicado em 22 de outubro de 2026 às 15:26 | Atualizado há 47 minutos

Lula e Flávio Bolsonaro assinam acordo no TSE para abrir sigilos bancário, fiscal e telefônico | Foto:  Renato Pizzutto/Band
Lula e Flávio Bolsonaro assinam acordo no TSE para abrir sigilos bancário, fiscal e telefônico | Foto: Renato Pizzutto/Band

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República, assinaram nesta quinta-feira (22) um acordo para abrir mutuamente seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. O compromisso também abrange familiares dos dois políticos e prevê que as informações sejam disponibilizadas publicamente até o fim do dia.

A assinatura ocorreu na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Lula assinou o documento pessoalmente, enquanto Flávio foi representado por sua equipe jurídica, por meio de procuração assinada por sua advogada.

O acordo foi proposto por Lula durante o debate da Band, no domingo (18). Na ocasião, o petista desafiou o adversário a permitir o acesso aos dados. Flávio não aceitou de imediato e, posteriormente, apresentou condições para aderir à iniciativa.

Após a assinatura, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que o petista sempre defendeu a transparência de seus dados. Segundo ele, houve divergências entre as equipes durante a negociação dos termos.

Antes do acordo, Maria Claudia Buchianeri, advogada eleitoral de Flávio Bolsonaro, defendeu que a abertura dos sigilos abrangesse um período maior do que os oito anos mencionados na petição inicial de Lula.

A advogada argumentou que seria necessário examinar a evolução patrimonial do presidente, de seus familiares e de empresas relacionadas a eles ao longo do período em que Lula esteve no poder.

Ela também pediu informações sobre registros de entrada e saída dos palácios da Alvorada e do Planalto, além de dados telefônicos de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.

Buchianeri afirmou que pretende conferir os documentos apresentados pelo petista antes de divulgar os dados de Flávio. Segundo ela, a divulgação ocorreria após a verificação de que as informações solicitadas foram entregues integralmente.

Do lado petista, aliados demonstraram desconfiança sobre o cumprimento do acordo pelo adversário. A equipe de Lula também questionou a tentativa de deixar fora do compromisso uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, apontado pelos petistas como alguém que mantém relação com Flávio.

Willer é amigo do senador e tem sido alvo de investigações. Edinho Silva afirmou que a inclusão da empresa foi objeto de disputa durante as negociações e que a equipe de Lula condicionou a assinatura à aceitação desse ponto.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, também comentou o acordo após a assinatura. Ele criticou a demora nas negociações e afirmou que espera que a divulgação dos dados permita esclarecer as suspeitas levantadas durante a disputa política.

Boulos declarou que a expectativa do grupo petista é que, até domingo, o público tenha acesso às informações. A efetiva divulgação dos documentos e a extensão dos dados apresentados por cada candidato, porém, dependem do cumprimento dos termos acertados.


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