Política

Vídeo de Nikolas no Nordeste tem suspeita de encenação após fala “faz cara de coitada”

Redação Online

Publicado em 22 de outubro de 2026 às 19:24 | Atualizado há 38 minutos

Frame dos bastidores do vídeo "O Nordeste que foi esquecido", de Nikolas Ferreira, que expõe direção de cena e a fala "faz cara de coitada" | Foto: Reprodução
Frame dos bastidores do vídeo "O Nordeste que foi esquecido", de Nikolas Ferreira, que expõe direção de cena e a fala "faz cara de coitada" | Foto: Reprodução

Momentos dos bastidores da gravação do vídeo “O Nordeste que foi esquecido”, publicado na última terça-feira (20/10) pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), viralizaram nas redes sociais e expuseram a estrutura de produção do material. O vídeo foi gravado em Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, com o objetivo de atrair o eleitorado nordestino para a campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que disputa o segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no próximo domingo (25/10). Os registros mostram uma grande estrutura técnica no local, com câmeras de alta definição, iluminação de cinema e captação de áudio profissional.

Um dos trechos que mais repercutiu ocorreu logo após a gravação de uma das moradoras. Uma voz ao fundo diz: “Ela faz uma cara de coitada, que chega a dar dó”. A fala foi interpretada como uma orientação para que a entrevistada adotasse uma expressão de vulnerabilidade diante da câmera. O comentário gerou revolta entre internautas, que acusaram o parlamentar de tentar omitir as verdadeiras condições da família que cedeu o local para a gravação.

Os bastidores também revelaram a presença de um teleprompter, equipamento que permite a leitura do texto sem perder o contato visual com a câmera, utilizado para auxiliar na captação das falas dos moradores. Além disso, um diretor aparece orientando a equipe a não exibir uma antena parabólica no enquadramento. “Trocaria as antenas”, diz João Markus, coordenador da equipe de comunicação de Nikolas, ao sugerir a mudança de posição do cenário. Em seguida, o cinegrafista concorda: “Ali eu tiro fácil no vídeo”. Ao ver o resultado da alteração, Nikolas elogia: “Putz, melhorou mil por cento”.

A divulgação dos bastidores levantou questionamentos sobre a autenticidade da gravação e a possibilidade de o conteúdo ter sido roteirizado. Críticos apontam que, caso se confirme uma encenação com o objetivo de ridicularizar a população nordestina, o episódio seria motivo de preocupação. O material foi usado durante a campanha do segundo turno, em um cenário de disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro, e a controvérsia ganhou dimensão política.


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