Política

Votos após as 17h somam 0,03% do total e não alterariam vitória de Lula

Léo Carvalho

Publicado em 26 de outubro de 2026 às 13:10 | Atualizado há 1 hora

Flávio contestou decisão que manteve urnas abertas até as 19h, embora sua campanha também tenha solicitado prorrogação | Foto: NELSON ALMEIDA
Flávio contestou decisão que manteve urnas abertas até as 19h, embora sua campanha também tenha solicitado prorrogação | Foto: NELSON ALMEIDA

Apenas 34.330 votos foram registrados após as 17h de domingo (25), o equivalente a 0,03% do total, segundo levantamento baseado em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O número é insuficiente para alterar o resultado da eleição presidencial, vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com uma vantagem de 4.430.251 votos sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Apesar da diferença expressiva, Flávio e aliados passaram a contestar o resultado após a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a manutenção das urnas abertas até as 19h em razão de dificuldades enfrentadas por eleitores para chegar aos locais de votação.

Após a derrota, o senador afirmou que não reconheceria o resultado e anunciou que pretende recorrer à Justiça para pedir a anulação da eleição. Em declaração pública, classificou a decisão judicial como uma irregularidade e questionou a alteração do horário de votação.

“O que aconteceu hoje não foi algo normal, foi algo inclusive inaceitável”, afirmou Flávio. O senador também criticou o fato de a decisão ter sido tomada no próprio dia da eleição e alegou que houve mudança nas regras durante a votação.

Os dados, porém, indicam que a quantidade de votos registrados depois das 17h teve impacto mínimo no resultado geral. O levantamento foi realizado por Pedro Burgos, professor do Insper e especialista em jornalismo de dados, a partir dos registros do TSE.

Segundo Burgos, na maioria das zonas eleitorais, os votos adicionais foram registrados entre 17h e 17h20. O intervalo sugere que parte dos eleitores já estava nas filas quando chegou o horário habitual de encerramento da votação.

Em São Paulo, por exemplo, 80% das zonas eleitorais encerraram efetivamente as atividades às 17h, de acordo com o especialista.

Um dos pontos que marcam a controvérsia é que a própria campanha de Flávio Bolsonaro havia solicitado ao TSE a ampliação do horário de votação em municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. O pedido, apresentado diante de chuvas intensas, alagamentos, deslizamentos e bloqueios de vias, buscava garantir o acesso dos eleitores às urnas em localidades específicas.

A solicitação do PL tinha alcance diferente da medida determinada por Zanin, que estendeu o horário até as 19h. Ainda assim, o pedido demonstra que a campanha de Flávio também defendia a prorrogação da votação em determinadas circunstâncias.

A campanha de Lula, por sua vez, havia solicitado a ampliação diante de dificuldades de transporte que poderiam prejudicar o deslocamento dos eleitores.

Flávio também levantou suspeitas sobre os procedimentos adotados pelo TSE durante a totalização dos votos. Segundo o senador, fiscais do PL teriam sido retirados da sala-cofre do tribunal após a decisão de prorrogar a votação.

O parlamentar, porém, não apresentou publicamente elementos que comprovassem a irregularidade alegada.

Em nota, o TSE classificou como falsa a afirmação de que representantes do partido foram retirados do local durante a apuração. O tribunal explicou que a sala-cofre não é aberta à visitação e que fiscais partidários, observadores internacionais, advogados e integrantes do Ministério Público podem acompanhar a totalização em outras áreas destinadas a esse fim.

A Justiça Eleitoral afirmou ainda que o acompanhamento dos resultados ocorre desde o início do procedimento de totalização, com acesso às áreas previstas para fiscalização.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) também criticou a decisão de Zanin e afirmou que considerava impossível reconhecer o resultado da eleição. Em sua manifestação, questionou a atuação do ministro por sua atuação anterior como advogado de Lula.

A decisão, entretanto, foi tomada antes do encerramento da apuração, e não depois de os resultados terem sido concluídos, como sugeriram declarações de aliados de Flávio.

A diferença de mais de 4,4 milhões de votos entre Lula e Flávio, somada ao volume reduzido de registros após as 17h, indica que a prorrogação não seria suficiente para modificar o vencedor da disputa presidencial.

Qualquer contestação formal do resultado deverá ser examinada pelas autoridades competentes com base em provas e fundamentos jurídicos. Até o momento, as alegações públicas de Flávio e de seus aliados não demonstram, por si só, que a extensão do horário tenha comprometido a validade da eleição.


Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia