Flávio Bolsonaro chega aos EUA após deixar o Brasil pela fronteira argentina
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 28 de outubro de 2026 às 11:26 | Atualizado há 2 horas
Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos após passar pela Argentina e pelo Equador | Foto: Eva Marie Uzcategui/Reuters
O senador Flávio Bolsonaro (PL) chegou a Miami, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira (28), acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro. A entrada do casal em território norte-americano aparece nos registros migratórios vinculados aos passaportes, conforme informações do sistema do governo dos EUA.
O deslocamento para o exterior ocorreu após uma sequência de episódios envolvendo uma ordem judicial que impedia o parlamentar de deixar o Brasil. Na noite de terça-feira (27), Flávio saiu do país por terra, em direção à Argentina, acompanhado da mulher e das duas filhas. A família atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú, às 22h50, segundo a Direção Nacional de Migrações argentina.
Já em território argentino, o grupo embarcou em um avião particular rumo a Guayaquil, no Equador. A viagem prosseguiu até os Estados Unidos, onde o casal teve a entrada registrada nesta quarta. Um dia antes, o governo norte-americano havia informado que concederia vistos ao senador e aos familiares.
A saída aconteceu depois de Flávio receber uma intimação para entregar seus passaportes à Polícia Federal. O prazo estabelecido terminou na terça-feira, mas os documentos não foram apresentados. Mesmo sem recolher os passaportes físicos, a PF cancelou tanto o documento comum quanto o diplomático do senador. Durante o período, ele também permaneceu incomunicável.
A viagem chama atenção porque Flávio havia declarado, na segunda-feira (26), que não sairia do Brasil. Na ocasião, contou que tinha sido intimado ao deixar uma visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado.
Senador havia dito que ficaria no Brasil
Na gravação divulgada nas redes sociais após a intimação, Flávio reconheceu que estava impedido de viajar para o exterior e que deveria entregar os passaportes. Também afirmou que pretendia atuar na oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), eleito no domingo (25).
A possibilidade de uma viagem chegou a ser discutida com aliados. Na tarde de segunda-feira (26), integrantes da campanha se reuniram com o senador e recomendaram que ele permanecesse no país. O encontro buscava definir como seria a reação à derrota eleitoral e acabou sendo o último contato da maioria dos participantes com Flávio.
Logo após a divulgação do resultado, na noite de domingo, o senador havia dito que não reconhecia a vitória de Lula e que pediria a anulação da eleição. No dia seguinte, depois da conversa com aliados, voltou atrás nessa iniciativa.
Além da derrota nas urnas, Flávio se prepara para deixar a vida parlamentar. Seu mandato termina em fevereiro de 2027, quando ficará sem cargo público pela primeira vez desde 2003. A mudança também ocorre em meio a investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal.
Uma das apurações envolve o financiamento de Dark Horse, produção cinematográfica sobre a eleição de Jair Bolsonaro em 2018. Os investigadores procuram esclarecer a origem e o destino de valores atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Entre as questões analisadas está a suspeita de que parte do dinheiro tenha sido destinada ao pagamento de despesas de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, nos Estados Unidos.
Flávio nega irregularidades e afirma que buscou patrocínio privado para realizar o filme sobre a trajetória política do pai. Ele também nega ter oferecido vantagens ao banqueiro.
Outra investigação apura possíveis operações de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz, com quem mantém amizade. O caso inclui movimentações relacionadas a empresas de apostas e plataformas de pagamento. A Polícia Federal analisa registros de acesso de Flávio a uma conta vinculada a uma empresa ligada ao advogado e informações sobre o pagamento de viagens. Os dois negam irregularidades, e o senador afirma que a relação entre eles é de amizade.
Fim do mandato não determina saída do caso do STF
A perda do mandato não significa, necessariamente, que os processos envolvendo Flávio serão encaminhados à primeira instância. Em março de 2025, o Supremo estabeleceu que continua responsável por casos relacionados ao exercício do cargo quando os possíveis crimes investigados ocorreram durante o mandato, mesmo que a autoridade deixe a função posteriormente.
A competência para conduzir cada investigação também pode depender da ligação entre os procedimentos e de eventuais conexões com outros casos que já tramitam na Corte. Por isso, a saída do Senado, prevista para fevereiro de 2027, não altera automaticamente o foro responsável pelas apurações.