Brasil

Pastores apoiam fuga de Flávio Bolsonaro e bispo compara senador a Cristo

Léo Carvalho

Publicado em 28 de outubro de 2026 às 13:26 | Atualizado há 2 horas

Malafaia, Cláudio Duarte e Robson Rodovalho adotam posições diferentes sobre a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil | Foto: Rede social
Malafaia, Cláudio Duarte e Robson Rodovalho adotam posições diferentes sobre a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil | Foto: Rede social

A saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dividiu lideranças evangélicas que apoiaram a candidatura do senador à Presidência. Enquanto Silas Malafaia sustenta que a família Bolsonaro é alvo de perseguição política, Cláudio Duarte evita prolongar o confronto eleitoral e Robson Rodovalho afirma compreender a decisão de deixar o país.

A divergência ganhou força nesta quarta-feira (28), em meio à repercussão da viagem de Flávio aos Estados Unidos e das medidas judiciais determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo as informações divulgadas sobre o caso.

Malafaia, um dos principais aliados religiosos da família Bolsonaro, defendeu a saída do senador e voltou a criticar a atuação de Moraes. O pastor classificou o ministro como um agente político e questionou a possibilidade de Flávio permanecer no país diante do que considera risco de prisão sem garantias legais.

O posicionamento também marcou uma mudança em relação às declarações anteriores de Malafaia sobre a saída de Jair Bolsonaro para os Estados Unidos, depois de perder a eleição presidencial de 2022. Na ocasião, o pastor defendia que o ex-presidente permanecesse no Brasil para liderar a oposição ao governo Lula.

Agora, Malafaia afirma que reviu sua avaliação. Segundo ele, a permanência de Jair Bolsonaro no país poderia ter resultado em uma prisão anterior. O religioso também negou ter sido informado por Flávio sobre a intenção de deixar o Brasil durante uma conversa na segunda-feira (26). De acordo com seu relato, os dois falaram sobre os motivos da derrota eleitoral.

Na terça-feira (27), Malafaia publicou um vídeo em que agradeceu ao presidente do STF, Edson Fachin, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, pela devolução de seu passaporte, retido desde agosto de 2025 por determinação de Moraes.

A apreensão ocorreu no contexto de uma investigação sobre suspeitas de coação no curso do processo e obstrução de Justiça relacionadas a tentativas de pressionar o Judiciário durante o julgamento de Jair Bolsonaro. Áudios de conversas entre o pastor e o ex-presidente foram incorporados à investigação. A Polícia Federal apontou que os diálogos poderiam indicar articulações para constranger ministros do Supremo e interferir no processo.

Malafaia contestou a investigação e criticou a divulgação das conversas privadas. No novo pronunciamento, voltou a defender a família Bolsonaro e atacou os críticos que recuperaram declarações antigas sobre a decisão de Jair de deixar o país.

Em posição diferente, o pastor Cláudio Duarte, que apoiou a candidatura de Flávio durante a campanha, procurou se afastar da disputa política. Em vídeo publicado nesta quarta-feira (28), afirmou que o resultado eleitoral deve ser aceito e disse não considerar a vitória de Lula uma ameaça à própria vida.

Duarte também declarou que não deseja que o presidente faça um mau governo e manifestou expectativa de crescimento para o país. A fala contrasta com a narrativa de perseguição política defendida por parte dos aliados de Bolsonaro.

A postura do pastor sinaliza uma tentativa de encerrar o embate eleitoral e evitar que a polarização se prolongue entre os fiéis, que têm diferentes posições políticas.

O bispo Robson Rodovalho, fundador da igreja Sara Nossa Terra, afirmou ter recebido com surpresa a notícia de que Flávio havia deixado o Brasil, mas disse compreender a decisão. Para justificar sua avaliação, fez referência a Jesus Cristo e à necessidade de proteção diante de perseguições.

Rodovalho, contudo, ponderou que é necessário aguardar a existência de justificativas para as medidas adotadas pelo STF. Na avaliação dele, a apreensão do passaporte foi agressiva e desnecessária diante das informações disponíveis naquele momento.

A reação dos três religiosos mostra que o episódio não produziu uma resposta uniforme entre lideranças evangélicas próximas ao bolsonarismo. Enquanto Malafaia reforça a denúncia de perseguição, Duarte busca se distanciar da disputa e Rodovalho combina compreensão da decisão de Flávio com questionamentos à atuação do Supremo.


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