EUA iniciam eleições de meio de mandato nesta terça-feira (3)
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 3 de novembro de 2026 às 09:03 | Atualizado há 2 horas
Disputa eleitoral pode mudar a composição do Congresso americano | Foto: Matt Sullivan/ Reuters
As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos começaram nesta terça-feira (3), com a abertura das primeiras seções eleitorais em Vermont, no leste do país, às 7h15 (horário de Brasília). A votação definirá a composição do Congresso americano e será acompanhada de perto pelo presidente Donald Trump, que tenta manter a maioria republicana nas duas casas legislativas.
Além de Vermont, outros estados iniciaram a votação às 8h, entre eles Nova York, Nova Jersey, Maine, Indiana, Kentucky, Virgínia, Connecticut, Illinois, Missouri e Louisiana. Na sequência, às 8h30, as urnas foram abertas na Carolina do Norte, em Ohio e na Virgínia Ocidental. Na maior parte do território americano, o início da votação está previsto para as 9h, considerando o horário de Brasília.
O pleito ocorre em meio a questionamentos sobre a condução do governo Trump, especialmente diante dos impactos econômicos da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, da elevação do custo de vida e das críticas às políticas migratórias e comerciais da atual administração.
De acordo com levantamento da Universidade da Flórida, mais de 58 milhões de americanos já haviam registrado votos antecipadamente. O número representa um crescimento expressivo em comparação com a participação antecipada nas eleições de meio de mandato de 2022.
Democratas tentam recuperar maioria no Congresso
A disputa envolve todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 das 100 vagas do Senado e 36 governos estaduais. Também estão previstas votações sobre propostas específicas, conhecidas como ballot measures, que tratam de assuntos como regras eleitorais e acesso ao aborto.
Os democratas têm como principal objetivo retomar o comando das duas casas legislativas. Para conquistar a maioria na Câmara, precisam alcançar pelo menos 218 assentos. Atualmente, os republicanos possuem 218 cadeiras, enquanto os democratas ocupam 214.
No Senado, a composição atual é de 53 republicanos e 47 democratas e independentes alinhados ao partido. Para assumir o controle da Casa, os democratas precisam chegar a 51 votos. A renovação de 35 vagas torna essa disputa especialmente relevante para o equilíbrio político do país.
As projeções eleitorais apontam uma possibilidade de mudança na composição da Câmara, enquanto a disputa pelo Senado também é considerada acirrada. Uma eventual alteração na maioria parlamentar pode interferir diretamente na capacidade de Trump de aprovar projetos e implementar as prioridades de seu governo.
Isso porque o Congresso é responsável por discutir e aprovar leis federais, além de fiscalizar as ações do Poder Executivo. Assim, a nova composição legislativa poderá modificar a relação entre a Casa Branca e os parlamentares, especialmente em pautas econômicas, migratórias e de política externa.
Economia e guerra no Irã marcam campanha
O aumento do custo de vida está entre os principais assuntos que influenciam o debate eleitoral. A alta dos preços de combustíveis, alimentos, serviços de saúde e moradia tem gerado insatisfação entre eleitores. O prolongamento do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã também aparece como um dos fatores de pressão sobre a economia americana.
Os democratas criticam os efeitos das tarifas comerciais adotadas pelo governo Trump sobre os preços dos produtos. Já os republicanos defendem as medidas de endurecimento da política migratória como um dos principais resultados da atual administração.
Outro tema que ganhou espaço durante a campanha foi a regulamentação da inteligência artificial, que também passou a integrar as discussões sobre as prioridades do próximo Congresso.
Na véspera da votação, Trump intensificou os apelos aos eleitores republicanos para tentar preservar a maioria de seu partido. Durante um discurso de aproximadamente 50 minutos, realizado na segunda-feira (2), no espelho d’água do Lincoln Memorial, em Washington, o presidente classificou a eleição como a mais importante da vida dos americanos e voltou a fazer críticas aos democratas.
As eleições de meio de mandato são realizadas a cada dois anos, entre as disputas presidenciais, e funcionam como um termômetro da avaliação popular sobre o governo em exercício. Embora não envolvam a escolha de um novo presidente, seus resultados podem redefinir as forças políticas em Washington e estabelecer os limites de atuação da administração federal nos próximos anos.
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