Eleições nos Estados Unidos colocam Trump sob pressão e podem mudar o controle do Congresso
DM Redação
Publicado em 3 de novembro de 2026 às 10:17 | Atualizado há 2 horas
As eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos começaram nesta terça-feira (3), com a abertura das urnas em 23 estados. A votação representa um importante teste político para o presidente Donald Trump, que enfrenta dificuldades para manter a aprovação popular em meio ao aumento do custo de vida e aos impactos da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Conhecidas como midterms, as eleições renovam todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado. Também estão em disputa 36 governos estaduais, além de propostas submetidas diretamente à avaliação dos eleitores.
O resultado poderá alterar significativamente a composição do Congresso e determinar o nível de resistência que Trump encontrará para implementar sua agenda política nos próximos dois anos.
Democratas tentam recuperar espaço no Congresso
O Partido Democrata entra na disputa com o objetivo de conquistar a maioria tanto na Câmara quanto no Senado. Para isso, precisa alcançar pelo menos 218 cadeiras na Câmara dos Representantes e 51 assentos no Senado.
Atualmente, os republicanos possuem maioria nas duas Casas legislativas, o que tem permitido ao governo Trump avançar com parte de suas propostas.
Entretanto, o cenário eleitoral apresenta dificuldades para os aliados do presidente. Projeções apontam uma disputa favorável aos democratas na Câmara, enquanto a corrida pelo Senado permanece mais acirrada.
Economia e guerra aumentam pressão sobre Trump
Entre os principais fatores que influenciam o comportamento dos eleitores estão os preços dos combustíveis, alimentos, moradia e serviços de saúde.
O prolongamento do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã também passou a representar um desafio para a administração republicana, especialmente pelos reflexos econômicos e pelas críticas à condução da política externa.
Outro ponto de desgaste envolve as tarifas comerciais adotadas pelo governo, que, segundo os democratas, contribuem para elevar os preços de produtos e pressionar o orçamento das famílias americanas.
A política migratória, por sua vez, permanece entre os temas mais controversos da administração Trump.
Presidente intensifica campanha para evitar derrota republicana
Na véspera da votação, Donald Trump intensificou os apelos aos eleitores republicanos. Durante discurso em Washington, o presidente procurou associar o resultado das eleições à continuidade de seu projeto de governo e fez críticas aos adversários democratas.
Trump também defendeu os resultados de sua administração e pediu que seus apoiadores participassem da votação como se o próprio presidente estivesse concorrendo.
A mobilização demonstra a importância atribuída pela Casa Branca à manutenção da maioria republicana no Legislativo.
Possível vitória democrata pode dificultar governo
Uma eventual retomada do Congresso pelos democratas poderá impor obstáculos importantes à administração Trump.
Caso conquiste a Câmara dos Representantes, a oposição terá maior poder sobre as comissões legislativas, podendo convocar integrantes do governo, solicitar documentos e promover investigações sobre decisões e medidas adotadas pela administração republicana.
No Senado, uma mudança de maioria também poderá dificultar a aprovação de indicações presidenciais para cargos estratégicos, incluindo postos diplomáticos e judiciais.
Além disso, a oposição poderá ampliar as discussões sobre a possibilidade de um novo processo de impeachment. A abertura de um processo depende da Câmara, enquanto o julgamento político cabe ao Senado, onde uma eventual condenação exige o apoio de dois terços dos senadores.
Mais de 58 milhões já votaram antecipadamente
A participação eleitoral também chama atenção. De acordo com levantamento da Universidade da Flórida citado pelo Metrópoles, mais de 58 milhões de votos antecipados já haviam sido registrados em todo o território americano.
O volume demonstra a mobilização do eleitorado em uma disputa considerada estratégica para o futuro político do país.
Embora não escolha diretamente o presidente, a eleição de meio de mandato funciona como uma avaliação da administração em exercício e pode redefinir o equilíbrio de forças em Washington.
O resultado, portanto, terá consequências que vão além da composição do Congresso: poderá influenciar a capacidade de Trump de governar, fortalecer a oposição democrata e antecipar o cenário de articulações políticas para a sucessão presidencial de 2028.