Raízen aprova aumento de capital de até R$ 39,8 bilhões
Fernando Henrique - Estágio DM
Publicado em 7 de novembro de 2026 às 10:29 | Atualizado há 2 horas
Raízen aprovou operação bilionária para viabilizar seu plano de recuperação extrajudicial | Foto: Reprodução
O conselho de administração da Raízen aprovou nesta sexta-feira (6) um aumento de capital entre R$ 3,5 bilhões e R$ 39,8 bilhões. A operação é a etapa central do plano de recuperação extrajudicial da companhia, controlada pela Shell e pela Cosan, combinando dinheiro novo da Shell com a conversão de dívidas em participação acionária.
A decisão foi unânime e põe em prática o que os acionistas aprovaram em assembleias no dia 30 de outubro. O plano foi homologado pela 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, onde corre a recuperação extrajudicial.
O aumento de capital é condição para que o plano passe a valer.
Emissão de ações e aporte da Shell
As novas ações serão emitidas a R$ 0,25 de qualquer espécie ou classe. O valor é 28,6% menor que o preço médio dos últimos 30 pregões (R$ 0,35) e 7,4% menor que o fechamento de quinta-feira (5) de R$ 0,27.
Segundo a companhia, o preço saiu da negociação com credores que detêm mais da metade dos créditos do plano.
A Shell vai aportar até R$ 3,5 bilhões; em troca, recebe até 7 bilhões de ações ordinárias e até 7 bilhões de ações preferenciais classe B, uma nova categoria que não será negociada na Bolsa. A Aguassanta, holding do empresário Rubens Ometto, presidente do conselho da Raízen e controlador da Cosan, pode colocar até R$ 500 milhões. O comunicado, no entanto, trata essa participação como hipotética, e a Cosan não vai exercer o direito de preferência sobre as ações classe B.
A operação só será validada se a Shell passar a deter sozinha a maioria das preferenciais classe B emitidas, que dão direitos especiais previstos no estatuto. Também será preciso subscrever ao menos 14 bilhões de ações, o volume que cabe à petroleira. Se isso não acontecer, o aumento não será homologado e quem pagou receberá o dinheiro de volta, sem correção.
Conversão de dívidas em ações
Os credores entram por outra via, com parte dos créditos do plano convertida em units, papéis que reúnem uma ação ordinária e uma preferencial classe A. Nessa parte não entra dinheiro no caixa da empresa, e a dívida é extinta e trocada por ações.
Credores com dívidas em dólar ou euro poderão receber os papéis na forma de ADRs (recibos de ações negociados nos Estados Unidos). Para isso, o conselho aprovou um programa de nível 1, com o Citibank como depositário.
Destinação dos recursos

Os primeiros R$ 5 bilhões vão para o capital de giro, ou R$ 4,5 bilhões se a Aguassanta ficar de fora. Do que passar disso, 70% servirá para pagar dívidas e 30% reforçará o caixa.
Pelas regras divulgadas, todos os acionistas poderão participar do aumento de capital entre 9 de novembro e 8 de dezembro. A partir de segunda-feira (9), as ações passam a ser negociadas sem direito de subscrição.
A empresa calcula que quem exercer o direito integralmente manterá pelo menos a fatia atual. Quem não exercer terá a participação diluída em cerca de 57%, se for subscrito só o mínimo, e em até 94%, se a emissão for máxima. Não haverá redistribuição de sobras de ações.
Mudanças na estrutura da companhia
Também está prevista a eleição de um novo conselho, a reforma do estatuto e uma redução de capital de até R$ 35 bilhões. Essa redução será paga com a entrega de papéis da Raízen Energia. (Diego Felix/FOLHAPRESS)