E você, tem medo de dentista?
Redação DM
Publicado em 16 de novembro de 2023 às 12:22 | Atualizado há 3 anos
Antigamente, as crianças que faziam algo errado ou desobedeciam os pais eram ameaçadas por um adulto que dizia que o homem do saco as levaria ou que seriam levadas ao dentista. Essa associação do dentista com o medo tem raízes históricas, remontando a um tempo em que a odontologia era praticada nas praças públicas e os dentistas eram vistos como ‘barbeiros’, profissionais multifacetados da saúde precária da época. Em civilizações antigas, curandeiros, dentistas e barbeiros muitas vezes desempenhavam as mesmas funções.
Desde então, a odontologia evoluiu lentamente. Por séculos, as extrações dentárias eram realizadas sem recursos, e o alívio da dor se limitava a embriagar a pessoa ou aplicar gelo na região afetada. A anestesia geral e o clorofórmio foram introduzidos respectivamente em 1846 e 1848. Na odontologia, o uso do óxido nitroso começou por volta de 1844 com o Dr. Horace Wells. Alternativas como o éter se mantiveram por um bom tempo, até a introdução da anestesia local com o uso de cocaína e procaína, evoluindo para as técnicas atuais. A primeira faculdade de odontologia foi fundada em 1840 em Baltimore, e no Brasil em 1884, separando os cursos de Medicina e Odontologia.
Contudo, a maioria da população ainda era atendida por dentistas ‘práticos’, sem formação acadêmica. A escassez de dentistas especializados e a falta de valorização da psicologia no treinamento dos profissionais resultaram em traumas passados de geração em geração.
O uso do boticão extrator, os instrumentos e o famoso ‘motorzinho’ ainda causam medo em muitas pessoas, levando à evasão dos consultórios. Mas há boas notícias: o controle da dor foi aprimorado, e os equipamentos estão cada vez mais silenciosos. Os dentistas tornaram-se mais comunicativos, e os ambientes de consultório mais coloridos e acolhedores. Os jalecos brancos estão dando lugar a vestimentas com um toque fashionista.
A odontopediatria surgiu para mudar a relação das futuras gerações com a saúde bucal. Hoje, há crianças que gostam de ir ao dentista, algo inimaginável no passado. Pacientes ansiosos podem se beneficiar da sedação e de ansiolíticos, administrados responsavelmente, com base em estudos e pesquisas científicas.
No mercado, já existem lasers como o Lite Touch, que promete tratar alguns problemas sem dor, que tratam pequenos problemas e prometem reduzir ruídos em vários procedimentos, além da anestesia eletrônica, criada para minimizar a dor. A ciência evoluiu, tornando os tratamentos mais rápidos e precisos. Antes, fazer um tratamento de canal exigia várias visitas ao consultório; hoje, é possível concluir em uma única sessão. A digitalização na odontologia também facilitou o trabalho dos profissionais e reduziu o tempo necessário na cadeira do dentista.
Muitas coisas mudaram, porém sigo segurando as mãos de pacientes nervosos e oferecendo conforto e empatia, até usando balões de festa para celebrar superações. Persisto nessa jornada, e já estamos vendo resultados positivos.