Política

Pré-candidatos buscam temas para a campanha da disputa eleitoral

Redação DM

Publicado em 28 de julho de 2023 às 15:18 | Atualizado há 3 anos

A disputa eleitoral de 2024 em Goiânia ainda não tem um mote definido, mas é cada vez mais certo que a tendência é de afastamento de clássicos eleitorais, como a corrupção ou problemas de ordem pessoal e privados. Motivo: os pré-candidatos não têm passivo saliente na área até o momento. E o assunto tornou-se redundante desde 2018, quando o lavajatismo dominou corações e mentes e esgotou a fonte de indignação momentaneamente.

Na mídia, despontam Rogério Cruz (Republicanos), Vanderlan Cardoso (PSD), Adriana Accorsi (PT), Bruno Peixoto (UB) e Ana Paula Rezende (MDB) como pré-candidatos. Gustavo Gayer (PL) é também pré-candidato e sofreu avarias após embate com a deputada federal Silviê Alves (União Brasil), que trouxe à tona fatos anteriores à vida pública do político bolsonarista.

Nenhum dos cotados para a disputa da Prefeitura de Goiânia tem denúncias substanciais de improbidades e corrupção. Nenhum traz condenações carimbadas pela prática política. Resumo da ópera: outros temas dominantes de campanha, que costumam pautar as eleições, estão abertos – caso das obras (seja a demora na execução ou seu volume), a segurança pública, sistema de saúde, políticas sociais, competência, etc.

Credibilidade na informação

A campanha de 2020, em Goiânia, foi pautada por dois temas antagônicos: a pandemia de Covid-19 (que vitimou o prefeito eleito, Maguito Vilela (MDB)) e uma variante de escândalo de corrupção, quando Vanderlan Cardoso, então líder nas pesquisas, teve um áudio divulgado durante a campanha. Nele, o político defendia um suspeito de corrupção. Na ocasião, o então candidato elogiou o senador Chico Rodrigues, flagrado com dinheiro na cueca. “Não tem nada que desabone Chico Rodrigues”, disse em 2020.

Saber os rumos de uma disputa é essencial para a equipe de campanha, uma vez que todo discurso, propostas e debates costumam ser guiados pela opinião pública. Os news-value (valores notícia) também alimentam a campanha e se nutrem do teatro montado na campanha. É mais fácil – numa campanha – nadar com a correnteza do que contra – ou seja, “pautar” assuntos costuma ser caro e exige credibilidade da informação.

O momento é de realização de pesquisas qualitativas, que sondam um conjunto reduzido de eleitores sobre o que pode tornar-se relevante para eles nos próximos meses.

Peculariedades

Cada cidade tem sua narrativa. Goiânia costuma ter – volta e meia – narrativas dominantes de “competência” e “bom gestor” (Nion Albernaz, em 1989), “ventos de mudança” e “fadiga do eleitor” (eleição de Darci Accorsi, em 1992, quando o PT se constituiu como alternativa de poder), “antecipação de uma onda” (Pedro Wilson, 2001, que surge com a boa imagem do PT nacional), “tocador de obras” (o retorno e permanência de Iris a partir de 2004), o “apadrinhamento”, “continuidade da tranquilidade aparente” ou “puxador de votos” (eleição de Paulo Garcia, na terceira onda do PT no município, em 2012, com apoio do MDB irista), a “qualificação” e “emoção” (quando Maguito se elegeu, em 2020. A campanha foi também emotiva, com o líder acamado).

Até o momento, nas ruas, o que se percebe é uma visão dissonante do prefeito – ora encarado como responsável e que cumpre o programa deixado por Maguito ora sem pulso e experiência para terminar obras que se arrastam pelo mandato herdado. Saber a saúde política de Cruz é essencial para se constituir a campanha, uma vez que ele é peça chave da disputa e atrairá críticas dos demais pré-candidatos.

Base de Caiado busca lançar chapa de consenso na capital

A um ano e dois meses das eleições de 2024, partidos que integram a base de sustentação do governo Ronaldo Caiado dialogam em busca de consenso para o lançamento de candidatura única à prefeitura de Goiânia.

O União Brasil, partido presidido pelo próprio governador Ronaldo Caiado, tem nomes à disposição da “unidade”, como o do presidente da Assembleia Legislativa, Bruno Peixoto e do secretário Pedro Sales (Infraestrutura). 

O MDB, comandado no Estado pelo vice-governador Daniel Vilela, apresenta dois nomes para a aliança eleitoral em Goiânia: a advogada e empresária Ana Paula Rezende, filha do ex-prefeito Iris Rezende, e do ex-prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha. Este depende de confirmação, por parte da Justiça Eleitoral, se será elegível ou não em 2024.

O PSD, embora faça parte da base do governo Caiado, pretende lançar o senador Vanderlan Cardoso à prefeitura de Goiânia, independente dos acordos que forem concretizados pelo Palácio das Esmeraldas. Vanderlan se distanciou de Caiado em 2022, quando não apoiou a reeleição do governador. Vanderlan admite concorrer pela terceira vez ao Paço Municipal.

O PDT, comandado em Goiás pelo deputado estadual George Morais e pela deputada federal Flávia Morais, fala em nome próprio para a sucessão do prefeito Rogério Cruz, mas poderá aliar-se ao União Brasil e MDB em torno de candidatura única.

O próprio Rogério Cruz, que apoiou a reeleição do governador Ronaldo Caiado, enquanto que o seu partido, o Republicanos caminhou com o projeto eleitoral de Gustavo Mendanha (Patriota), atua para receber o respaldo de Ronaldo Caiado e seus aliados ao pleito do no que vem.

O Progressistas, dirigido no estado pelo ex-ministro Alexandre Baldy, atual presidente da Agehab, não tem nome competitivo em Goiânia. O partido está aberto às conversações políticas e só vai anunciar posição em março ou abril do ano que vem.

O governador Ronaldo Caiado, em entrevista coletiva na cidade de Goiás, afirmou que só irá se manifestar sobre candidatura da base aliada na capital ano que vem, às vésperas das convenções partidárias, em julho.

O vice-governador Daniel Vilela tem se empenhado em lançar candidato do MDB à prefeitura de Goiânia, ao mesmo tempo que defende a união de todos os partidos que integram o governo Caiado no pleito do ano que vem, na capital e no interior.

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