Política

Ex-diretor da PRF tenta blindar Bolsonaro na CPMI

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Publicado em 21 de junho de 2023 às 14:25 | Atualizado há 3 anos

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro ouviu nesta terça-feira, 20, o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques. Em sessão que começou tensa, o policial aposentado tenta blindar o ex-presidente Jair Bolsonaro das acusações de uso da estrutura da PRF para barrar o trânsito de eleitores na votação do ano passado.

Ao ser questionado pela relatora Eliziane Gama (PSD-MA) sobre a sua proximidade com Bolsonaro, o ex-diretor da PRF disse que nunca teve “relação íntima” com o ex-presidente e que sequer votou nele em eleições passadas porque “não morava no Rio de Janeiro”. Silvinei é investigado pela Justiça do Rio de Janeiro por improbidade ao pedir voto em Bolsonaro nas eleições do ano passada.

“Eu nunca utilizei do cargo para benefício eleitoral do presidente, se fosse assim nós teríamos que autorizar metade dos servidores públicos daquela época”, afirmou Silvinei em sua defesa. “As fotos que tenho com o presidente Bolsonaro foi porque ele deixou eu tirar e as fotos foram postadas na minha hora de folga”, prosseguiu. “Não seria eu que mudaria o resultado da eleição”, concluiu.

Confira a sessão

Silvinei que se disse alvo da “maior injustiça da história” deixou a parlamentar irritada ao não dar informações precisas as suas perguntas. O deputado bolsonarista deputado Éder Mauro (PL-PA), que não é membro da CPMI, interrompeu a senadora aos gritos dizendo que o depoente não poderia ser pressionado. Houve bate-boca e a sessão teve que ser interrompida no momento em que Eliziane mandou o Éder Mauro calar a boca.

Os debates acalorados se estenderam por todo o dia. O senador Rogério Carvalho (PT-SE) disse que a oposição acusa os governistas de defender ditadores, mas que seriam eles os autoritários. “Maduro são vocês!”, disse em referência ao presidente da Venezuela, Nicolás Madura. Em resposta, o senador Esperidião Amin (PP-SC) rebateu: “Vocês quem?”.

Silvinei é alvo de inquérito aberto pela Polícia Federal por conta a atuação da PRF durante os dias de votação na eleição do ano passado. A investigação apura se a ação policial teria como objetivo atrapalhar a chegada de eleitores do presidente Luiz Inácio Lula Silva, sobretudo no Nordeste, reduto político do petista.

No início do depoimento, Silvinei classificou com “crime impossível” o uso das operações para obstruir o processo eleitoral. “Como nós teríamos 13 mil policiais no Brasil explicando a forma criminosa de operar sem ter uma conversa no Telegram, sem ter uma reunião?”, questionou.

O policial negou interferência no deslocamento de eleitores e atribuiu as operações no Nordeste à estrutura que a corporação dispõe na região. “Isso não é verdade. Porque é no Nordeste brasileiro é que temos nove estados, nove superintendências. Temos a maior estrutura da PRF no Brasil, a maior quantidade de unidades da PRF”, disse.

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