Política

Lula tem encontro com papa e Macron e vai a festival de música

Redação DM

Publicado em 20 de junho de 2023 às 15:19 | Atualizado há 3 anos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca na Europa nesta semana para visitar dois líderes globais com os quais cultiva afinidade política e que se converteram em alvo de hostilidades do antecessor, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e seus seguidores.

Em Roma, Lula irá ao Vaticano para conversar em privado com o papa Francisco. Em seguida, viajará a Paris para dialogar com o presidente da França, Emmanuel Macron, e participar de uma cúpula multilateral patrocinada pelo francês.

Além dos chefes de Estado do Vaticano e da França, o presidente brasileiro encontrará personalidades acadêmicas e celebridades da música. Lula discursará em um festival em Paris, promovido por Chris Martin, vocalista da banda Coldplay. Os astros da banda, um dos maiores fenômenos do rock, porém, não se apresentam na mesma noite.

O festival de música “Power Out Planet, Live in Paris” é promovido pela organização não-governamental Global Citzen, liderada por Chris Martin. Na noite de Lula, ele não deve tocar com o Coldplay, conforme a programão anunciada. O line-up é composto por artistas de estilos musicais variados, como Lenny Kravitz, Billie Eilish, H.E.R. e Jon Batiste.

Lava-Jato

O segundo “eurotour” de Lula terá um viés político reforçado. Parte da agenda envolve personalidades que se solidarizaram com Lula na cadeia, quando ficou preso acusado de corrupção na Operação Lava-Jato.

O próprio papa Francisco trocou cartas com Lula no cárcere. Um dos intermediários foi o ex-chanceler Celso Amorim, hoje assessor especial de Lula no Palácio do Planalto.

Após deixar a prisão, Lula visitou o pontífice no Vaticano, em fevereiro de 2020, em uma de suas primeiras viagens internacionais. A audiência foi privada e costurada com ajuda do presidente da Argentina, Alberto Fernández.

Em 2022, o papa afirmou que o julgamento de Lula na Lava-Jato havia sido influenciado por “notícias falsas”. As ações resultaram em duas condenações nos processos do tríplex do Guarujá e do sítio de Atibaia, ambas anuladas por ordem do Supremo Tribunal Federal.

Lula vai visitar na Itália o sociólogo e escritor Domenico de Masi. Em 2019, ele foi ao encontro do petista na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. Saiu de lá dizendo que, mesmo encarcerado, ”Lula continuava a ser um grandíssimo líder político, talvez o mais importante neste momento no mundo”.

Ministros

A delegação que decolou de Brasília nesta segunda-feira, dia 19, será enxuta comparada a viagens anteriores. Para além do chanceler Mauro Vieira, um dos únicos ministros de Estado confirmados – e apenas em Paris – é o titular da Fazenda, Fernando Haddad.

O ministro da Defesa, José Múcio, confirmou que viajará também somente à França, por causa também de um segundo compromisso, uma feira de tecnologia e equipamentos de uso militar em Le Bourget – Paris Air Show.

Na sexta-feira, dia 22, Múcio vai encontrar o presidente para uma reunião de discussão sobre o projeto franco-brasileiro de fabricação de submarinos, o Pro-Sub, um deles a propulsão nuclear.

Seja na Itália ou na França, foram descartadas missões empresariais da Apex-Brasil, como que a que causou “overbooking de empresários”, na China, e a que despertou interesse e representou o PIB nacional em Portugal e Espanha.

Dúvida com Meloni

Na Itália, o foco é mesmo o papa Francisco. Caso o pontífice não se recuperasse da recente cirurgia abdominal, a viagem seria postergada. Mas o Vaticano não só confirmou o encontro como o líder católico reapareceu neste domingo, dia 18, diante dos fiéis para oração do Angelus.

De última hora, o governo federal também organizou uma visita de cortesia ao presidente da Itália, Sergio Matarella. Contudo, a diplomacia tentou e ainda não obteve confirmação de uma agenda com a primeira-ministra, Giorgia Meloni – a governante é um ícone da direita no país. A agenda prevista inclui uma visita ao prefeito de Roma, Roberto Gualteri. Não há uma lista significativa de acordos a serem assinados, nem sequer uma pauta de discussão acertada.

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