Política

Gleisi quer PT e base de Lula unidos nas eleições em Goiás

Redação DM

Publicado em 20 de junho de 2023 às 14:57 | Atualizado há 3 anos

A presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), deputada federal Gleisi Hoffmann, cumpriu uma extensa agenda político partidária em Goiânia nesta segunda-feira, 19. A convite da presidente estadual da legenda, vereadora Kátia, Gleisi se reuniu com membros da executiva estadual, deputados federais e estaduais, prefeitos, líderes dos partidos que compõe a Federa Brasil da Esperança (do PT com PV e PCdoB) e militantes petistas.

O grande objetivo das reuniões é começar a definir as estratégias do partido para as eleições municipais do ano que vem. “Vim exatamente para fazer uma conversa com o PT e com os partidos da Federação, o PV e o PCdoB”, explicou a petista. “Reunimos para avaliar os efeitos do governo Lula aqui no Estado, os projetos que estão chegando, os investimentos que ainda são necessários, mas também para falar do processo eleitoral de 2024”.

Segundo Gleisi, as eleições do ano que vem são “a ante sala” para as eleições gerais de 2026. “O PT é um dos pouco partidos que tem um projeto nacional e obviamente que as eleições municipais vão fortalecer esse nosso projeto nacional”, esclareceu Gleisi. “O partido já precisa começar a se organizar tanto aqui em Goiânia quanto nos municípios do interior. Queremos discutir um pouco sobre as candidaturas a prefeito, a vereador e já sair o mais rápido possível com nossas definições de tática eleitoral”, completou.

A presidente nacional do PT também avaliou que as perspectivas são boas e que a legenda tem quadros importantes para oferecer, principalmente em cidades como Goiânia e Anápolis, com nomes como dos deputados Adriana Accorsi, Mauro Rubem, Antônio Gomide e do ex-reitor da UFG Edward Madureira. “Não faltará candidaturas do Partido dos Trabalhadores em Goiás, mas também queremos conversar com os partidos aliados, não só os da Federação, mas também com o PSB, com o PDT, MDB, PSD e os partidos que compuseram a frente que ajudou eleger o presidente Lula no 2º turno. Ninguém ganha eleição sozinho”, afirmou.

Candidatos

A presidente estadual do PT, vereadora Kátia, reforçou a fala da deputada federal e destacou que o partido quer ter candidatos a vereador em todos os municípios e a prefeito nas principais cidades. “Queremos lançar candidatos a prefeito em cidades como Goiânia, Anápolis, Aparecida, no Entorno do DF e em outras cidades polo”, disse. “Esses encontros fazem parte desse esforço de fortalecer os diretórios, mapear nomes, avaliar partidos que podem ser aliados e definir as táticas”, explicou Kátia. “Então, é um processo que vai culminar em nomes, mas tem essa ação estratégica que precede”, acrescentou.

O PT goiano tem hoje três prefeitos (Cidade de Goiás, Itapuranga e Professor Jamil) e está em 218 municípios (com 184 diretórios e 34 comissões provisórias). Nas eleições de 2022 elegeu três deputados estaduais e dois federais. E a presidente nacional da legenda fez questão de lembrar que Lula obteve 41% dos votos no 2º turno em Goiás. “É quase a metade. Então, não dá para afirmar que o Estado é de direita. Tem posições bem divididas”, ressaltou. “Temos condições de disputar esse eleitorado, de mostrar para esse eleitorado qual é o nosso projeto e de trazer isso para eleições locais. Essa é a discussão que estamos fazendo”, destacou Gleisi Hoffmann.

Sobre as eleições em Goiânia, a deputada federal elogiou as três alternativas do PT – Adriana Accorsi, Edward Madureira e Mauro Rubem -, mas deixou claro que, antes de qualquer decisão, é preciso avaliar o cenário eleitoral. 

Na conversa com a presidente do PT goiano, Kátia Maria, e membros do diretório estadual, Gleisi Hoffmann afirmou que o partido precisa sair às ruas para defender as medidas adotadas pelo governo Lula, principalmente os programas sociais como Minha Casa, Minha Vida, Bolsa Família e as iniciativas que melhoram a qualidade de vida da população – redução dos preços de combustível e gás.

Em Anápolis, há consenso no PT: o ex-prefeito e atual deputado estadual Antônio Gomide vai disputar as eleições à prefeitura. Em Aparecida de Goiânia, o partido não tem nome competitivo, o que poderá levar os petistas para o palanque do prefeito Vilmar Mariano (Patriota), que concorre à reeleição.

Ela anunciou que Lula da Silva vai estar presente na campanha eleitoral do PT e aliados através de gravações para a propaganda eleitoral de TV e rádio e que ela virá participar de eventos de rua. “Vamos mobilizar os municípios para alcançarmos votações expressivas em todo o país, porque o pleito de 2024 é uma preparação para 2026”.

 “Eu nunca vi o Caiado abrir mão de defender suas posições políticas”

A presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann falou, ao Entrevista Jackson Abrão, do site do jornal O Popular, sobre o embate com o governador Ronaldo Caiado (UB) na CPI do MST da Câmara. Demonstrando respeito ao gestor goiano, Hoffmann disse que não se considera uma incendiária política, mas que tem suas convicções políticas e as defende sempre que necessário. Ela também ressaltou a coerência política do governador Ronaldo Caiado.

“Eu tenho minhas posições políticas e as defendo, como o governador Caiado defende as dele. Eu nunca vi ele (Ronaldo Caiado) abrir mão de defender suas posições políticas”, lembrou a deputada. Para a petista, a defesa enfática daquilo que se entende como ideal é da própria política e não teria sentido se fosse diferente. “Eu faço política para defender posições, pra tentar fazer com que as posições que nós acreditamos possam ser colocadas na sociedade. Se for para ficar uma geleia, não adianta fazer política”, explicou.

Debate na CPI

De espectros políticos antagônicos – Caiado se declara de direita e Gleisi de esquerda -, a petista disse que na própria CPI defendeu interesses do agronegócio, porque, segundo ela, vários desses interesses, tanto do MST quanto do Agro, não são contraditórios e ambos podem coexistir. “Meu estado (PR) tem muito investimento em Agro, e isso é importante para o país”, lembrou.

Mais uma vez a deputada petista defendeu a reforma agrária no país em terras não produtivas, “Precisamos aumentar a produção de alimentos com o agro e também com o pequeno produtor. É possível a convivência dos dois segmentos do setor rural para aumentarmos a produção agrícola e colocar o alimento na mesa do brasileiro”.

Gleisi Hoffmann, defendeu a aprovação do orçamento da União acima de R$ 400 bilhões para o Plano Safra, proposto pelo ministro Carlos Fávaro, da Agricultura e Pecuária. Ela entende ser necessário o Estado aplicar recursos em setores importantes da economia, como o agronegócio, para a exportação de commodities. “É preciso um plano agrícola forte. O Plano Safra do agronegócio é importante para o Brasil”.

Para ela, não há incompatibilidade entre o pequeno produtor rural e o agronegócio. “Enquanto o agro produz para a exportação, o pequeno lavrador contribui para colocar alimentos na mesa. São complementares e não excludentes”.

Ronaldo Caiado

Para Ronaldo Caiado, defensor intransigente do direito à propriedade privada e contrário às invasões de terras, a reforma agrária no Brasil precisa ser debatida com responsabilidade, e, segundo o governador goiano, essas discussões políticas devem se dar no campo da argumentação, evitando que sejam carregadas de ódio.

“Esse processo de reforma agrária precisa ser debatido, mas de uma forma responsável. A pessoa está assentada, não simplesmente jogada ali”, disse o governador. Na avaliação de Caiado, é altamente questionável o processo em que cidadãos são submetidos a uma situação precária, sem alternativas para desenvolver qualquer atividade que promova sua emancipação da condição de vulnerabilidade. “Vá ver a maneira como essas pessoas estão vivendo. Em condição sub-humana. Isso não pode ser chamado de reforma agrária”, criticou.

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