Com PSD na oposição, Vanderlan terá dificuldade para unir sigla
Redação DM
Publicado em 14 de junho de 2023 às 15:26 | Atualizado há 3 anos
A posse do senador Vanderlan Cardoso na presidência do PSD em Goiás, ocorrida no dia 1º de junho, parece não ter sido bem assimilada por importantes setores do partido. Exemplo foi o anúncio do prefeito de Senador Canedo, Fernando Pellozo, no dia seguinte, de que aceitou o convite do governador Ronaldo Caiado para se filiar no União Brasil. Disse ainda que Caiado lhe entregará o comando da siga no município. A data da filiação está para ser agendada em breve.
Vanderlan substituiu o ex-deputado federal Vilmar Rocha no comando do partido, por decisão do presidente nacional Gilberto Kassab. Desde as eleições de 2022, quando apoiou a candidatura do major Vitor Hugo ao governo de Goiás, o senador está no espectro oposicionista no estado.
A decisão de Pellozo em trocar o PSD pelo União Brasil foi significativa politicamente, por dois motivos: 1) por tratar-se do prefeito da maior cidade administrada pelo partido e a 5º maior em arrecadação de ICMS – Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços, além de sediar um dos maiores parques industriais do estado. O 2º motivo foi o momento escolhido por Pellozo, para comunicar a decisão de mudar de sigla, ou seja, um dia após a posse do senador, fato que vem sendo entendido no meio político como um “ato de constrangimento” ao senador dono da Micos.
Detalhe 1
A 15 meses das eleições municipais de 2024, quando praticamente todos os prefeitos eleitos em 2020 serão candidatos à reeleição, é pouco provável que Fernando Pellozo seja o único prefeito a deixar o PSD nos próximos meses.
Como o partido, sob o comando de Vanderlan deverá fazer oposição ao governo Caiado, dificilmente a nova direção da sigla em Goiás conseguirá mantê-la unida em torno desta proposta, principalmente devido o grande número de obras que serão construídas estado afora, daqui até às eleições.
Vale lembrar que toda a estrutura atual do PSD – prefeitos, vereadores e deputados – foi eleita com o partido integrando a base aliada do atual governo. Vale lembrar que o governo de Ronaldo Caiado possui um dos maiores índices de aprovação, segundo as últimas pesquisas de avaliação divulgadas
Detalhe 2
Há especulações de que outros membros do PSD deverão deixar o partido em breve. Um deles é o ex-deputado federal Francisco Jr, recém-nomeado presidente da Codeg, pelo governador. Francisco não estaria se sentindo confortável permanecer no partido a partir de agora, sob o comando do senador de oposição ao governo do qual faz parte.
Conforme Notícia Pura apurou, o ex-deputado tem portas abertas para retornar ao MDB, quando quiser. Católico membro do segmento Renovação Carismática, Francisco Júnior deixou partido de Iris Rezende e Maguito e Daniel Vilela, em março de 2011, para seguir o então deputado federal Thiago Peixoto, que em dezembro de 2010, aceitou convite para assumir a Secretaria Estadual de Educação, no penúltimo governo de Marconi Perillo (PSDB).
Francisco ingressou no PSD em março de 2011. Mas numa demonstração de que não tinha nada contra as três maiores lideranças do MDB, convidou os presentes ao ato de sua filiação no PSD a rezar com ele um Pai Nosso em agradecimentos pelo apoio recebido, enquanto esteve no partido.
Araçu
Há especulações de que o prefeito de Araçu, Milton Lemes, também estaria admitindo deixar o PSD. O blog não conseguiu localizar o prefeito para confirmar a informação, até o fechamento da matéria. Mas é importante lembrar que Milton é ligado ao ex-prefeito e ex-deputado Tiãozinho Costa, que apoiou o governador Ronaldo Caiado em 2018 e a reeleição, em 2022.
Com dois prefeitos a menos do total de nove que conseguiu eleger em 2020, caso se confirme a saída de Milton Lemes de Paula, o PSD passará a contar com apenas sete prefeitos.