Brasil

Lira mostra força e Câmara pressiona Lula por espaços

Redação DM

Publicado em 12 de junho de 2023 às 15:31 | Atualizado há 3 anos

Quase seis meses após tomar posse, o presidente Lula da Silva (PT) assistiu nos últimos dias à demonstração mais contundente de insatisfação da Câmara dos Deputados com o governo e correu o risco de ver boa parte do desenho que fez para os seus ministérios ser apagada.

A medida provisória que reestrutura o governo federal foi aprovada, após ameaça dos deputados de derrotarem a MP diante da insatisfação generalizada com a articulação política do Planalto. Na avaliação de parlamentares ouvidos pela reportagem, esse momento pode ter representado um divisor de águas na relação do governo com a Câmara.

Os próximos passos, segundo deputados e integrantes do governo, definirão a relação que Lula terá com o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL).

O Palácio do Planalto sabe que hoje não tem votos suficientes para aprovar medidas de interesse sem a influência do presidente da Câmara. Segundo Lira e o próprio Lula, o Planalto tem asseguradas cerca de 130 de 513 cadeiras no plenário —embora a base com partidos que integram o governo seja maior.

De agora em diante, avaliam deputados, Lula terá de agir para reparar as arestas em sua articulação política e dar celeridade à liberação de emendas e nomeações de cargos regionais —as duas principais demandas dos congressistas— sob pena de sofrer mais derrotas na Casa.


Maior poder

Para além disso, um pedido recorrente de parlamentares é por prestígio e para que Lira seja mais empoderado. Isso significa também abrir espaço na máquina federal para outras legendas, como PP, Republicanos e até o PL, que apoiaram a reeleição de Jair Bolsonaro (PL) em 2022 —alguns no primeiro, outros no segundo escalão.

A hipótese foi aventada pelo próprio Lira. Em entrevista à GloboNews, o parlamentar afirmou que o governo federal se predispôs a montar a sua base parlamentar dando ministérios para partidos que o apoiaram na campanha, além de MDB, PSD e União Brasil —e defendeu ser lógico que essa alternativa possa ser usada a outras legendas no intuito de aumentar a base.

Deputados do centrão e aliados do petista afirmam ainda considerar serem inevitáveis mudanças no ministério, mesmo pontuais, depois do recesso parlamentar, em julho. A avaliação é que partidos que comandam pastas não estão entregando votos —e os que se declaram independentes e até mesmo da oposição, por outro lado, estão votando junto com o governo em algumas matérias.

Membros do Executivo ponderam, no entanto, que nenhuma troca deverá ocorrer num primeiro momento. A ideia é dar celeridade na resolução das críticas dos parlamentares que dizem respeito à execução orçamentária e às nomeações.

Na última semana, de um lado, Lira mostrou força ao governo ao ameaçar com uma derrota retumbante e afirmar que, a partir de agora, ele terá que “andar com suas pernas”.

De outro lado, Lula teve de entrar pessoalmente na articulação política, telefonou para o presidente da Câmara, recebeu o líder da União Brasil, Elmar Nascimento (BA), e começou a preparar um diagnóstico sobre os problemas das pastas, fazendo um pente-fino e tratando diretamente com cada ministro.

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