Sombra da máfia diminui a beleza de Roma
Redação DM
Publicado em 29 de junho de 2015 às 04:55 | Atualizado há 11 anosROMA — Até pouco tempo, os romanos sonhavam com um bom prefeito, isto é, um dirigente rígido que, se possível, fosse também honesto. A eleição de junho de 2013 de Ignazio Marino, um neurocirurgião especializado em transplantes, com uma brilhante carreira nos Estados Unidos, provocou uma certa esperança em uma cidade descrente por experiência. Dois anos depois, Marino, que foi eleito pelo Partido Democrático (PD), segue conservando a imagem de pessoa honesta — que não é uma façanha na política italiana — , mas os transportes públicos continuam a não funcionar e a sociedade e o caos travam um duelo diário com a beleza de Roma.
A grande decepção foi descobrir que a incapacidade de Marino era previsível. Os bons propósitos do prefeito eram regularmente bloqueados por uma rede mafiosa, dirigida por um antigo terrorista de extrema-direita e um empresário corrupto, com um passado de esquerda. Foram mais de 80 detidos em fiscalizações de Roma, através de operações contra a chamada Máfia Capital. Com isso, foi descoberto que a corrupção era tão profunda e tão generalizada que o prefeito era apenas uma maionete nas mãos dos criminosos.
— Se Marino continuar sendo prefeito pelos próximos três anos e meio, nós tomaremos conta de Roma — revelou o chefe de uma das máfias italianas.
Agora se diz que o primeiro-ministro e líder do PD, Matteo Renzi, pensa em derrubar Marino, já que a própria prefeitura pode ser dissolvida por uma infiltração mafiosa. Seria uma vergonha para a Itália. Vale ressaltar: o dia em que Matteo Orsini, presidente do PD, decidiu investigar o próprio partido em Roma, o Ministério do Interior se apressou a colocar uma forte escolta para companhá-lo.