Anápolis

Polícia Civil vai focar em gestão de 2017 para entender venda suspeita na Codego

Polícia Civil quer saber quem participava de conselho que liberou venda suspeita de ser prejudicial para Estado

diario da manha

As investigações da Polícia Civil de Goiás (PC-GO) em torno da venda suspeita de imóvel do Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia) devem focar, a partir de segunda-feira, 15, na origem do contrato, que data de dezembro de 2017, gestão anterior ao atual governo.

O documento obrigacional privilegiaria Matheus Henrique Aprígio Ramos, 22, filho do empresário Carlinhos Cachoeira.

As investigações serão presididas pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Geccor) da Polícia Civil, mas a Controladoria Geral do Estado (CGE), órgão interno do Governo de Goiás,  anunciou também a realização de sindicância preliminar para apurar o contrato que, a princípio, suspeita-se, seria oneroso para o Estado.

Rômulo Figueiredo, chefe do grupo que investiga corrupção no Estado de Goiás, afirma ao “Diário da Manhã” que a partir da semana que vem o delegado específico desta investigação, Francisco Lipari, terá se adiantado no caso, já que ele teve acesso aos autos apenas no final da tarde de quarta-feira, portanto, véspera de feriado. “Ele levou os autos para casa. Vai estudá-los no final de semana. A partir de segunda-feira vamos tomar providências cabíveis”.

Além desta informação, o delegado disse apenas que a Polícia Civil de Goiás investigará condutas e não pessoas. Rômulo Figueiredo prefere, contudo, por questões éticas e legais, não tratar em específico dos detalhes e suspeitas, pois a investigação seguirá pelas próximas semanas com  Lipari.   

DISTRATO

Na última semana, a Companhia de Desenvolvimento Econômico (Codego), responsável pelo Daia, realizou distrato que impede a negociação do imóvel por R$ 25 mil. A CGE apontou antes a necessidade de se respeitar o valor de mercado, cotado hoje em R$ 5 milhões.

A negociação do imóvel teve início em dezembro de 2017 durante a gestão passada do Governo de Goiás. Por isso devem ser ouvidos ex-gestores e diretores da Codego – companhia que já foi epicentro de prisões e investigações ocorridas durante a gestão anterior. Em 2018, Jayme Rincón, ex-presidente da Agetop, e Júlio Vaz, então presidente da Codego, por exemplo, foram detidos pela Polícia Federal em desdobramento da operação Cash Delivery.

A linha de investigação da Polícia Civil é retomar quem participou da reunião do conselho que aprovou a venda para o filho de Cachoeira.

O desaparecimento dos pareceres contrários, ocorridos nesta gestão, também será investigado, já que Marcos Cabral, ex-presidente da companhia, alega que eles sumiram do processo que motivou a finalização do negócio.  

ENTENDA O CASO

A empresa que comprou o terreno – ETS – é do filho de Carlinhos Cachoeira. O imóvel seria usado para a construção de um shopping – o que não é atividade fim do Daia.

Com contrapartida, a empresa construiria uma nova sede para a órgão interno do Governo de Goiás, órgão interno do Governo de Goiás, 3º Delegacia Regional de Polícia Civil, em outro terreno do Daia. Apesar do pactuado, o atual governo, gestão de Ronaldo Caiado, através da CGE, orientou que a venda do terreno de 11 mil metros quadrados fosse realizada apenas pelo valor de mercado (R$ 5 milhões). O parecer de Pedro Salles (ex-presidente da Codego) foi contrário também ao acordo.

Contudo, o valor subvencionado pelo estado foi firmado em 2017, durante a gestão anterior, momento em que se definiu a parceria para a construção da delegacia.

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