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Crianças do Complexo da Maré entregam cartas ao TJRJ, mas presidente do órgão questiona a autoria dos documentos

Atualmente, a comunidade tem cerca de 140 mil moradores

diario da manha
Foto/Reprodução

Crianças que vivem no Complexo da favela da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro, enviaram 1,5 mil cartas ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro pedindo o fim da violência no comunidade. O objetivo da ação é sensibilizar os juízes a estabelecerem regras para operações policiais nas comunidades, além de proteger a população dos tiroteios.

“Senhores juízes, quando vocês mandam ter operação aqui, na Maré, os policiais nem avisam. Eles entram de helicóptero dando tiro de cima pra baixo. Parece que não têm educação com os moradores. Quando tem operação, nenhum dos moradores fica na rua porque já sabe que os policiais vão matá-los também, também pensa que nós somos bandidos”, diz uma das cartas.

Segundo Lidiane Melanquini, coordenadora da ONG Redes da Maré, falar sobre violência com os moradores é sempre difícil, pois o medo é visível. Por isso, de acordo com a coordenadora, que foi escolhido a carta, para que os cidadãos fizessem suas denúncias mais “tranquila”.

“Não gosto do helicóptero porque ele atira para baixo e as pessoas morrem”, escreveu uma criança em outra carta. Atualmente, a comunidade tem cerca de 140 mil moradores e segundo um levantamento feito pela ONG Redes da Maré, só nos primeiros seis meses do ano, foram realizadas 21 ações policiais na Maré, mais do que o total de operações em todo o ano de 2018, quando ocorreram 16 ações policiais.

Entrega das Cartas

As 1,5 mil cartas foram entregues ao presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Claudio Melo Tavres, que afirmou que é necessário investigar se elas teriam sido escrita realmente por crianças. Segundo nota divulgada pelo TJRJ, as cartas geraram um processo administrativo que foi arquivado”.

Ainda segundo o texto, a razão para o arquivamento é que “a presidência do Tribunal do Justiça não pode interferir em decisões judiciais”. O objetivo das cartas é pedir a volta de uma ação civil pública que regulamentava as ações polícias no Complexo da Maré.

Por nota, a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro disse que: “Todas as operações desencadeadas pela Corporação são precedidas por planejamento e seguem rigorosos protocolos de atuação, sempre com objetivo de preservar vidas”. E ressaltou que, em relação ao Complexo da Maré, “Uma área que abriga 16 comunidades que sofrem influência de facções criminosas rivais, as ações exigem um planejamento prévio ainda mais minucioso”.

A PM também informou que, de acordo com dados do Instituto de Segurança Pública, houve redução no número de homicídios na região da Maré. Por fim, disse que “Nos sete primeiros meses do ano foram apreendidas quase 200 armas e 10 toneladas de drogas”.

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