Brasil

Consumo de internet aumenta após medidas contra o coronavírus

No Brasil, a Anatel começa acompanhar os planos de contingência das principais teles do país

diario da manha

Após escolas suspenderem as aulas e empresas decretar ‘home office’ para evitar a propagação do coronavírus, o consumo de internet virou preocupação das provedoras e agências reguladoras. Com as medidas adotadas pelos estados, os brasileiros começaram a atingir picos de acesso em horário mais cedo que o normal.

De acordo com o diretor de tecnologia da Akamai, Tilt Patrick Sullivan, regiões mais impactadas com o coronavírus como a China, Coreia do Sul, Japão e Itália, o crescimento no tráfego de internet foi de 25% em média sobre as taxas do resto do mundo.

No Brasil, a Anatel (Agência Nacional das Telecomunicações) começa acompanhar os planos de contingência das principais teles do país, a partir desta quarta-feira (18).

No entanto, mesmo com tanta gente sentada em frente à Netflix ou fazendo reuniões por videoconferência a internet não é capaz de entrar em colapso. O presidente da Anatel, Leonardo Euler afirma que o setor da telecom está protegido em relação à crise do coronavírus.

“Diferente de outros seguimentos econômicos como o hoteleiro, artístico, turístico e de comércio. O caso do setor aéreo é emblemático” alegou Leoardo.

A inevitável “lentidão”devido ao aumento de consumo de internet

Várias pessoas acreditam que com o aumento do consumo de internet a lentidão é inevitável. No entanto, é preciso entender que como há várias redes dentro da rede de internet, há também vários cabos que percorrem distâncias maiores e menores para conectar os servidores.

De acordo com o superintendente de obrigações e controle da Anatel, Gustavo Santana, todas essas partes serão mais demandadas já que existe uma mudança de perfil diante da situação do coronavírus. Segundo ele, o pico do acesso agora começa já pela manhã e vai tarde adentro.

O diretor de vendas da Cornig, Tadeu Viana, que fornece fibra ótica para as operadoras, acredita que não haja colapso, mas há riscos de lentidão. Esse grau vai depender da conexão e do grau de consumo de internet que a pessoa tem em sua casa.

Viana afirma que ainda há casas atendidas com pares de cobre, capazes de trafegar até 10 Megabits por segundo, ou com cabos coaxiais, que oferecem até 30 Megabits. O executivo alega que com fibra ótica a limitação passa a ser a capacidade do servidor de entregar conteúdo.

Além disso, Tadeu afirma que a internet residencial pode apresentar lentidão se todo mundo usar serviços que consomem grande quantidade de dados ao mesmo tempo.

Nelson Simões, diretor-geral da Rede Nacional de Pesquisa, responsável por conectar universidades, concorda, já que os períodos de maior uso talvez agora passe a ser o horário comercial.

Quedas e interrupções de sinal é considerável somente se houver algum problema no equipamento. No entanto, Santana alega que os equipamentos são modernos o suficiente para suportar esse aumento.

Ele explica ainda que a infraestrutura da internet é construída para oferecer muito mais capacidade do que os consumidores precisam e, sendo assim, não haverá colapso.

Para o diretor, o problema deve vir de provedores de conteúdo e os serviços de streaming de vídeo são os fortes candidatos. Segundo Nelson, na Europa, o Teams, que seria uma ferramenta de produtividade da Microsoft para fazer ligações de voz e vídeo, apresentou instabilidade pelo alto acesso.

Monitoramento de crise

A Anatel vai monitorar os planos de contingência das grandes operadoras, como Claro, Vivo, TIM e Oi. O Grupo de Gestão de Riscos e Acompanhamento do Desempenho das Redes de Telecomunicações (GGRR), da Anatel, vai analisar os relatórios diários.

O grupo checará se as rotas estão sendo direcionadas para outras com mais dados que o normal, se cumprem indicadores de qualidade ou se há muitas quedas de chamada, diz Santana.

A Anatel pediu para as operadoras reforçarem a velocidade de seus consumidores, ampliarem o plano de dados, abrirem redes de wi-fi e deixarem de cobrar para acesso a ferramentas de informação do Ministério da Saúde.

De acordo com Viana, da Cornig, algumas empresas têm questionado se é possível ampliar a oferta de fibra ótica para aproveitar esse momento para reforçar as vendas.

*Com informações do UOL

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